segunda-feira, 8 de agosto de 2022

MULTIDÕES


“Tenho compaixão da multidão.”
– Jesus. (Marcos, 8:2)
 

Os espíritos verdadeiramente educados representam, em todos os tempos, grandes devedores à multidão.

Raros homens, no entanto, compreendem esse imperativo das leis espirituais.

Em geral, o mordomo das possibilidades terrestres, meramente instruído na cultura do mundo, esquiva-se da massa comum, ao invés de ajudá-la. Explora-lhe as paixões, mantém-lhe a ignorância e costuma roubar-lhe o ensejo de progresso. Traça leis para que ela pague os impostos mais pesados, cria guerras de extermínio, em que deva concorrer com os mais elevados tributos de sangue. O sacerdócio organizado, quase sempre, impõe-lhe sombras, enquanto a filosofia e a ciência lhe oferecem sorrisos escarnecedores.

Em todos os tempos e situações políticas, conta o povo com escassos amigos e adversários em legiões.

Acima de todas as possibilidades humanas, entretanto, a multidão dispõe do Amigo Divino.

Jesus prossegue trabalhando.

Ele, que passou no Planeta entre pescadores e proletários, aleijados e cegos, velhos cansados e mães aflitas, volta-se para a turba sofredora e alimenta-lhe a esperança, como naquele momento da multiplicação dos pães.

Lembra-te, meu amigo, de que és parte integrante da multidão terrestre.

O Senhor observa o que fazes.

Não roubes o pão da vida; procura multiplicá-lo.

 

 

Livro: Vinha de Luz

Francisco Cândido Xavier por Emmanuel

domingo, 7 de agosto de 2022

EM MEIO DE LOBOS


“Ide! Eis que vos mando como cordeiros

ao meio de lobos.” - Jesus. (Lucas, 10:3)

 

Naturalmente Jesus, em pronunciando semelhante recomendação, reportava-se a cordeiros fortes que conseguissem respirar em plano superior aos lobos vorazes.

Seria razoável enviar ovelhas frágeis a bestas violentas? Seria o mesmo que ajudar a carnificina.

O Mestre, indubitavelmente, desejava as qualidades de ternura e magnanimidade dos continuadores, mas não lhes endossaria as vacilações e fraquezas.

Aliás, para serviço de tal envergadura, desdobrado em verdadeiras batalhas espirituais, ele necessitava de cooperadores fiéis, bondosos, prudentes, mas valorosos. Enviava os discípulos ao centro de conflito áspero, não no gesto de quem remete carneiros ao matadouro, e sim à gleba de serviço, onde pudessem semear novos e sublimados dons espirituais, entre os lobos famintos, através da exemplificação no bem incessante.

Entretanto, há companheiros, ainda hoje, que se acreditam colaboradores do Cristo apenas porque levantam aos céus as mãos-postas, em atitude suplicante. Esquecem-se de que Jesus afirmou, peremptório: “Ide! eis que vos mando!...”

Em tal determinação, vemos claramente que existem trabalhos a efetuar, ações beneméritas a instituir.

O mundo é o campo, onde o trabalhador encontrará a sua cota de colaboração.

É preciso realmente ir aos lobos. Seria perigoso esperá-los. Muitos lidadores, porém, reclamam contra a cruz e o martírio, olvidando que o Senhor e seus corajosos sucessores neles encontraram a ressurreição e a eternidade através da resistência construtiva contra o mal.

Se os madeiros e leões retornassem, deveriam encontrar o trabalhador no esforço que lhe compete e nunca em atitude de inércia, a distância do ministério que lhe foi confiado.

O apelo do Cristo ressoa, ainda agora...

É imprescindível caminhar na direção dos lobos, não na condição de fera contra fera, mas na posição de cordeiros-embaixadores; não por emissários da morte, mas por doadores da vida eterna.

 

 

 

De “Vinha de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

A CÓLERA


(O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. IX

– Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos

– Instruções dos Espíritos, itens 9 e 10)

 

          9. O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? Entregai-vos à cólera.

          Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga à sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.

          Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de compaixão.

          Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, deveria contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!

          Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se para a dominar. O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs.

Um Espírito protetor. (Bordeaux, 1863.)

 

          10. Segundo a ideia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados. É assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. É ainda uma consequência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.

          Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primeira da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; a violência apenas tomará outro caráter. Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera se tornará concentrada, enquanto no outro caso será expansiva.

          O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nisso não pode atuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso.

Hahnemann. (Paris, 1863.)

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

ESPIRITISMO PRATICADO


Irmãos, recordando Allan Kardec, na prática espiritista, lembremo-nos de que, no Espiritismo praticado, é necessário:

Colocar os interesses divinos acima dos caprichos humanos.

Negar-se a si mesmo, tomar a cruz da elevação e seguir com o Senhor.

Reformar-se em Cristo, antes de reclamar a reforma dos outros.

Exemplificar o bem antes de ensiná-lo.

Servir sem propósitos de recompensa.

Consolar, antes de procurar consolações.

Amar sem exigências.

Usar os bens do Pai, sem os desvarios da posse.

Compreender, antes de reclamar compreensão alheia.

Agradecer, antes de pedir.

Confiar sem angústias.

Cumprir todos os deveres da cooperação, sem as trevas da incompreensão e da queixa. Jesus é Caminho, Verdade e Vida.

Kardec é Trabalho, Solidariedade e Tolerância.

O Caminho da realização não dispensa o trabalho.

O templo da Verdade não exclui a solidariedade legítima.

A Vida eterna pede a luz da tolerância construtiva.

O Espiritismo em seu tríplice aspecto, científico, filosófico, religioso, é movimento libertador das consciências, mas só o Espiritismo praticado liberta a consciência de cada um.

Lembrando o grande Missionário, não vos esqueçais de que o Espiritismo prático pode ser o Espiritismo do eu e que só o Espiritismo praticado é o Espiritismo de Deus.

 

Emmanuel

De “Nosso Livro”, de Francisco Cândido Xavier

– Espíritos diversos

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

PÁGINAS


“Mas a sabedoria que vem do alto é primeiramente

pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia

de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade

e sem hipocrisia.” (Tiago, 3:17)

 

Toda página escrita tem alma e o crente necessita auscultar-lhe a natureza.

O exame sincero esclarecerá imediatamente a que esfera pertence, no círculo de atividade destruidora no mundo ou no centro dos esforços de edificação para a vida espiritual.

Primeiramente, o leitor amigo da verdade e do bem analisar-lhe-á as linhas, para ajuizar da pureza do seu conteúdo, compreendendo que, se as suas expressões foram nascidas de fontes superiores, aí encontrará os sinais inequívocos  da paz, da moderação, da afabilidade fraternal, da compreensão amorosa e dos bons frutos, enfim.

Mas, se a página reflete os venenos sutis da parcialidade humana, semelhante mensagem do pensamento não procede das esferas mais nobres da vida.

Ainda que se origine da ação dos Espíritos desencarnados, supostamente superiores, a folha que não faça benefício em harmonia e construção fraternal é, apenas, reflexo de condições inferiores.

Examina, pois, as páginas de teu contacto com o pensamento alheio, diariamente, e faze companhia àquelas que te desejam elevação. Não precisas das que se te figurem mais brilhantes, mas daquelas que te façam melhor.

 

Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

terça-feira, 2 de agosto de 2022

CONVITE À EDIFICAÇÃO


 “... O amor edifica.”

(1ª Epístola aos Coríntios: 8 – 1)

 

Aqui, escombros acumulados refletindo desolação e queda. Ali, montanhas de resíduos, assoberbando terrenos baldios. Além, poluição multiplicando miasmas, em ameaça à vida. Em toda parte desagregação em regime de urgência, desvalorizando os estímulos otimistas, como se tudo marchasse para um aniquilamento imediato, avassalador...

O erro moral em aceitação tácita, tranquila.

A conivência com as vantagens da extravagância, favorecendo clima de alucinação e balbúrdia perturbadora...

Não obstante as calamidades, medram as flores da esperança, no mesmo campo terrestre.

O pantanal renovado pela drenagem reverdesce-se.

A aridez desértica socorrida pela irrigação torna-se pomar e jardim.

Os muros velhos, desolados, sob tépido beijo solar da primavera, enflorecemse.

Assim a vida.

Do caos aparente em que o mal governa, a construção nova do bem, a edificação legítima da felicidade.

Não te consideres marginalizado nestes dias, porque teus olhos fitam paisagens lúgubres em que o desencanto moral se demora vencedor e a

aflição conduz triunfante.

Operário da ação nobilitante, possuis recursos valiosos para a obra superior.

Necessário, apenas, que te disponhas.

Do terreno revolvido surge a sementeira feliz, dos destroços das demoliçôes nasce a construção atraente.

Edifica o teu lar de paz onde estejas, sem a preocupação de retificar tudo de um só golpe.

Não te agastes com os ociosos, que nada fazem nem te irrites com os incompreensíveis, que te dificultam a marcha.

Produze a tua quota, mesmo que ela seja a humilde cooperação da gentileza, da paciência, do tijolo modesto ou da colher de cimento da boa

vontade, fazendo a tua parte.

Insta contigo próprio a fim de executares o serviço edificante.

Exige-te mais esforço.

Concede-te a oportunidade feliz.

Pondera acuradamente e resolve-te superar quaisquer limites, sejam dificuldades, incapacidade, problemas...

Acima de tudo lembra-te, também, de reedificar-te interiormente consoante o ensino do Senhor, facultando que nasça do “homem velho”, que todos somos, acostumados aos erros e gravames, o “homem novo”, idealista, sonhador do bem, colocado a posto para o amanhã feliz. E tem em mente que só “o amor edifica”.

 

 

 

Convites da Vida

Divaldo Pereira Franco

Joanna de Ângelis

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

DECISÃO E VONTADE


    Incerteza parece coisa de pouca monta, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um.

*
    As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das forças negativas sem perceber.
    Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite.
    Freqüentemente rogam em prece:
    - Senhor! Eis-me diante de tua vontade!... Mostra-me o que devo fazer!...
    E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsolo:
    - Quem sou eu para realizar semelhante tarefa?
    Não tenho forças.
    Ai de mim que sou inútil!...
    Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir.
    Dispõem de verbo fácil e muitas vezes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito.
    Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras.
    Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada.
    Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vezes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação.
    O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram-se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta.
    Trabalho, ação, aprendizado, melhoria! ...
    Não te ponhas à espera deles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem.
    Realização pede apoio da fé.
    Mãos à obra.
    Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esforço da vontade unida à decisão.


(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Rumo Certo)

PARÁBOLA DO FERMENTO

  “O Reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.” (Mat...