sexta-feira, 31 de outubro de 2025

TUDO MUDA

 

“A não ser o que procede de Deus, nada é imutável no mundo.

Tudo o que procede do homem está sujeito a mudanças.”

- O Evangelho Segundo o Espiritismo

Cap. XXII, ítem 2

 

Sobre o mundo das formas perecíveis, tudo se transforma sob a ação inexorável do tempo.

Com o progresso intelecto-moral, as leis humanas vão se aperfeiçoando, os costumes se depuram, os hábitos se modificam.

Apenas o que procede de Deus sobreviverá ao turbilhão renovador à que a Humanidade, lentamente, submete-se, desprendendo-se do transitório em louvor do que é eterno.

Nas camadas íntimas do ser, um novo homem se encontra em gestação, um novo mundo se esboça para o futuro...

O que hoje se considera um equívoco, amanhã talvez seja analisado por um outro prisma, e vice-versa.

A Ciência alterará certas concepções, a Filosofia capitulará conceitos, a Religião examinará antigos dogmas...

Somente em Jesus Cristo, conforme a inspirada observação do Apóstolo, encontraremos as palavras de vida eterna, ou seja, a Verdade imutável de todas as épocas.

Na admirável dinâmica do Amor, o Evangelho continua hoje tão atual quanto ontem e haverá de sê-lo sempre.

As civilizações continuarão a ser regidas pelos valores éticos que, em todas as culturas e idiomas, encerram a mesma essência divina, norteando os homens no caminho da redenção.

Compreende-se, assim, a transitoriedade da experiência física; que o homem no corpo se encontra no seu porvir espiritual, desde agora procurando amealhar recursos, repletando os seus celeiros de bênçãos, para que, além das fronteiras da morte, não se surpreenda de mãos vazias e coração desprovido de luz.

 



Livro:  Pedi e Obtereis - Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

COMO VIVER COM OS OUTROS


A ciência mais difícil que até hoje encontramos foi a de viver em conjunto,  e o mais interessante é que precisamos desse intercâmbio para viver.

 

A lei nos condicionou a essas necessidades biológicas e espirituais.

 

A própria vida perde o sentido se nos isolarmos das criaturas.

 

Elas têm algo que não possuímos e nós doamos a elas certos estímulos que a  natureza lhes negou.

 

Vemos nisto a presença de Deus, levando-nos ao amor de uns para com os outros.

 

E assim aprendemos a amar por Amor.

 

A sociedade cada vez mais se aprimora, desde quando seus membros passam a se respeitar mutuamente, entrosando as qualidades e desfrutando da fraternidade na convivência.

 

A sociedade é, pois, a flor do aprimoramento humano.

 

No entanto, essa sociedade não pode existir sem o lar.

 

Ela se desarmoniza se deixar de existir a família, que é o sustentáculo da harmonia que pode ser desfrutada pelos homens, em todos os rumos de seus objetivos.

 

Se queres paz em teu lar, começa a respeitar os direitos dos que convivem contigo.

 

Se romperes a linha divisória dos direitos alheios, afrontarás a tua própria paz.

 

Quem somente impõe suas idéias, passa a ser joguete dos pensamentos dos outros, às vezes, sem perceber.

 

Estuda a natureza humana, pelos livros e pela observação, que a experiência te dirá os caminhos a tomar e a conduta a ser seguida.

 

Vê como falas a quem te ouve e como ouves a quem te fala e, neste auto-aprendizado, as lições serão guardadas em lugares de que a vida sabe cuidar.

 

Não gastes teu tempo em palavras que desagradam, nem em horas de silêncio que desapontam.

 

Procura usar as oportunidades no bom senso que equilibra a alma.

 

Procura conversar com os outros na altura que eles já atingiram.

 

Isso não é disfarce, é respeito às sensibilidades, é sentir-se irmão de todos em todas as faixas da vida.

 

Ao encontrares uma criança, não passas a ser outra para que ela te entenda?

Assim deves fazer nas dimensões da vida humana em que te encontras.

 

A felicidade depende da compreensão, que gera Caridade, que gera Amor.

 

Conviver com os outros é, realmente, uma grande ciência, é a ciência da vida.

 

Fomos feitos para viver em sociedade.

 

Se recusarmos, atrofiamo-nos e disso temos provas observando as plantas, que frutificam mais em conjunto; as pedras, que dão mais segurança quando amontoadas, e os animais, que sempre andam em convivência.

 

Tudo se une para a maior grandeza da criação.

 

Essas lições não são somente para os encarnados.

 

Os Espíritos, na erraticidade, igualmente obedecem a essa grande regra de viver bem.

 

Nós nos unimos em todas as faixas a que pertencemos, no entusiasmo do bem, que nos dá a vida.

 

Aprendamos, pois, a conviver, a entender e respeitar os nossos irmãos que trabalham e vivem conosco, que tudo passará a ser, para nós, motivo de felicidade, onde enxergaremos somente o Amor.

 

Contrariar as leis que nos congregam é desagregar a nossa própria paz.

 

E para aprender a viver bem com os outros, necessário se faz que nos eduquemos em todos os sentidos, que nos aprimoremos em todas as virtudes.

 

Sem esse trabalho interior, será difícil alcançar a paz imperturbável no reino do coração.

 


(João Nunes Maia por Lancellin. In: Cirurgia Moral)

terça-feira, 28 de outubro de 2025

CANÇÃO DA FÉ


Se a tua fé não vê ou ainda não viu
A presença da lágrima ou do espinho
Para vencer nos lances do caminho,
Os perigos da marcha e as surpresas da treva.


Se a tua fé não ouve ou ainda não ouviu,
Entre as flores que leva
Desde o berço da crença até agora,
O insulto em que a maldade se avigora,
A fim de que lhe dês,
Outra vez e outra vez,
O apoio da paciência e a lição da bondade...


Se a tua fé não encontrou ainda
Algo que a desagrade,
Na tarefa bem-vinda
Que te impele a servir ao amor e á verdade.


Se a tua fé não teve ou ainda não tem
Ofensas a perdoar e injúrias a esquecer,
No sublime dever
De amparar, socorrer ou levantar alguém...


Se enfim, a tua fé não conheceu
Angústia ou desabrigo,
Se ela não sofre ou ainda não sofreu
Golpes do orgulho vão,
Escárnio, desafio, tentação,
Para que aprendas, coração amigo,
Resistência e humildade,
A tua fé, portanto,
Não passa, por enquanto,
De um sonho que não veio à realidade!...


Porque a fé verdadeira
Que redime e renova a Humanidade,
E vale, em tudo para a vida inteira,
A fé que tanto ama e anda de rastros
Quanto vibra e se eleva para os astros,
Fé valente e profunda,
Que inspira, exemplifica, ergue e fecunda,
Será sempre obtida na batalha,
Na Terra ou Mais Além,
No coração que luta ou se estraçalha
Para a glória do Bem.

 



(Maria Dolores/Francisco Cândido Xavier.
Livro: Coração e Vida)

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

A LÍNGUA

 


Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas. 

Ponderada - favorece o juízo. 
Leviana - descortina a imprudência. 
Alegre - espalha otimismo. 
Triste - semeia desânimo. 
Generosa - abre caminho à elevação. 
Maledicente - cava despenhadeiros. 
Gentil - provoca reconhecimento. 
Atrevida - traz a perturbação. 
Serena - produz calma. 
Fervorosa - impõe a confiança. 
Descrente - invoca a frieza.



Autor: André Luiz
Psicografia de Francisco Xavier

Do livro Preces e Mensagens Espirituais

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

CADÁVERES


 “Pois onde estiver o cadáver, ai se ajuntarão
as águias.” (Mateus, 24:28)
 

Apresentando a imagem do cadáver e das águias, referia-se o Mestre à necessidade dos homens penitentes, que precisam recursos de combate à extinção das sombras em que se mergulham.

Não se elimina o pântano, atirando-lhe flores.

Os corpos apodrecidos no campo atraem corvos que os devoram.

Essa figura, de alta significação simbológica, é dos mais fortes apelos do Senhor, conclamando os servidores do Evangelho aos movimentos do trabalho santificante.

Em vários círculos do Cristianismo renascente surgem os que se queixam, desalentados, da ação de perseguidores, obsessores e verdugos visíveis e invisíveis.

Alguns aprendizes se declaram atados à influência deles e confessam-se incapazes de atender aos desígnios de Jesus.

Conviria, porém, muita ponderação, antes de afirmativas desse jaez, que apenas acusam os próprios autores.

É imprescindível lembrar sempre que as aves impiedosas se ajuntarão em torno de cadáveres ao abandono.

Os corvos se aninham noutras regiões, quando se alimpa o campo em que permaneciam.

Um homem que se afirma invariavelmente infeliz fornece a impressão de que respira num sepulcro; todavia, quando procura renovar o próprio caminho, as aves escuras da tristeza negativa se afastam para mais longe.

Luta contra os cadáveres de qualquer natureza que se abriguem em teu mundo interior. Deixa que o divino sol da espiritualidade te penetre, pois, enquanto fores ataúde de coisas mortas, serás seguido, de perto, pelas águias da destruição.

  

 

Pão Nosso. Francisco C Xavier por Emmanuel

terça-feira, 21 de outubro de 2025

COMPREENDAMOS


“Sacrifícios, e ofertas, e holocaustos e oblações
pelo pecado não quiseste, nem te agradaram”
Paulo (Hebreus, 10:8)
 

O mundo antigo não compreendia as relações com o Altíssimo, senão através de suntuosas oferendas e pesados holocaustos.

Certos povos primitivos atingiram requintada extravagância religiosa, conduzindo sangue humano aos altares.

Tais manifestações infelizes vão se atenuando no cadinho dos séculos; no entanto, ainda hoje se verificam lastimáveis pruridos de excentricidade, nos votos dessa natureza.

O Cristianismo operou completa renovação no entendimento das verdades divinas; contudo, ainda em suas fileiras costumam surgir absurdas promessas, que apenas favorecem a intromissão da ignorância e do vício.

A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no santuário do espírito é aquela que Jesus nos apresentou, em no-Lo revelando Pai amoroso e justo, à espera dos nossos testemunhos de compreensão e de amor.

Na própria Crosta da Terra, qualquer chefe de família, consciencioso e reto, não deseja os filhos em constante movimentação de ofertas inúteis, no propósito de arrefecer-lhe a vigilância afetuosa.

Se tais iniciativas não agradam aos progenitores humanos, caprichosos e falíveis, como atribuir semelhante falha ao TodoMisericordioso, no pressuposto de conquistar a benemerência celeste?

É indispensável trabalhar contra o criminoso engano.

A felicidade real somente é possível no lar cristão do mundo, quando os seus componentes cumprem as obrigações que lhes competem, ainda mesmo ao preço de heróicas decisões. Com o Nosso Pai Celestial, o programa não é diferente, porque o Senhor Supremo não nos pede sacrifícios e lágrimas e, sim, ânimo sereno para aceitar-lhe a vontade sublime, colocando-a em prática.


 


Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A PREGUIÇA


A preguiça é um grave defeito da vontade, caracterizando-se pela falta de impulso para o trabalho.

Muitos preguiçosos são francamente do “dolce far niente”. Sua filosofia é: “plantando, dá; não plantando, dão; então, não planto, não.”

.......

Jesus condena, com veemência, a ociosidade e a preguiça, ao mesmo tempo que exalta o espírito de trabalho, estimulando-o com reiteradas promessas de recompensa.

Haja vista a parábola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho, a dos dois filhos, a das dez virgens, a dos talentos, a do servo vigilante etc.

Não bastasse o testemunho de sua própria vida, que foi um belíssimo exemplo de trabalho, quer como humilde carpinteiro na oficina de José, quer como carinhoso médico dos enfermos e sofredores de todos os matizes, quer ainda como incansável arauto da Boa Nova, assim se expressou Ele certa vez: “Meu Pai até agora não cessa de trabalhar e eu obro também incessantemente.” (João, 5:7)

.......

A Doutrina Espírita, estendendo e aprofundando os ensinamentos evangélicos, adverte-nos que “cada um terá que dar contas da inutilidade voluntária de sua existência, inutilidade sempre fatal à felicidade futura”, e que, para garantir uma boa situação no mundo espiritual, “não basta que o homem não pratique o mal, cumprindo-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

Saibamos, portanto, aproveitar todos os instantes de nossa vida, empregando-os em alto útil, para que, ao se findarem nossos dias à face da Terra, possamos ser incluídos entre aqueles que as vozes do Céu proclamam bem-aventurados, “porque suas obras o acompanham” (Apoc., 14:13)

 


De “Páginas de Espiritismo Cristão”, de Rodolfo Calligaris 

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

SEM RUÍDOS



"Mas quando vier aquele Espírito de Verdade,
ele vos guiará em toda a verdade".
– Jesus - (João, 16:13)


              O caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. No fim da estrada colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. E vieram os homens para o serviço divino.

Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

            A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído.

            A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política inferior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo.

            O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta a quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece todos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como: Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito de Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até à redenção.

 

(Livro: Segue-me!... Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

PERIGOS SUTIS


 
“Não vos façais, pois, idólatras.”
Paulo (I Coríntios, 10:7)

A recomendação de Paulo aos Coríntios deve ser lembrada e aplicada em qualquer tempo, nos serviços de ascensão religiosa do mundo.

É indispensável evitar a idolatria em todas as circunstâncias. Suas manifestações sempre representaram sérios perigos para a vida espiritual.

As crenças antigas permanecem repletas de cultos exteriores e de ídolos mortos.

O Consolador, enviado ao mundo, na venerável missão espiritista, vigiará contra esse venenoso processo de paralisia da alma.

Aqui e acolá, surgem pruridos de adoração que se faz imprescindível combater. Não mais imagens dos círculos humanos, nem instrumentos físicos supostamente santificados para cerimônias convencionais,  mas entidades amigas e médiuns terrenos que a inconsciência alheia vai entronizando, inadvertidamente, no altar frágil de honrarias fantasiosas. É necessário reconhecer que aí temos um perigo sutil, através do qual inúmeros trabalhadores têm resvalado para o despenhadeiro da inutilidade.

As homenagens inoportunas costumam perverter os médiuns dedicados e inexperientes, além de criarem certa atmosfera de incompreensão que impede a exteriorização espontânea dos verdadeiros amigos do bem, no plano espiritual.

Ninguém se esqueça da condição de aperfeiçoamento relativo dos mensageiros desencarnados que se comunicam e do quadro de necessidades imediatas da vida dos medianeiros humanos.

Combatamos os ídolos falsos que ameaçam o Espiritismo cristão. Utilize cada discípulo os amplos recursos da lei de cooperação, atire-se ao esforço próprio com sincero devotamento à tarefa e lembremo-nos

todos de que, no apostolado do Mestre Divino, o amor e a fidelidade a Deus constituíram o tema central.

 


Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

CADÁVERES

  “Pois onde estiver o cadáver, ai se ajuntarão as águias.” (Mateus, 24:28)   Apresentando a imagem do cadáver e das águias, refer...