sexta-feira, 6 de março de 2026

A PRECE

 


A oração não será um processo de fuga do caminho que nos cabe percorrer, mas constituirá uma abençoada luz em nossas mãos, clareando-nos a marcha.


Não representará uma porta de escape ao sofrimento regenerativo de que ainda carecemos, mas expressará um bordão de arrimo, com o auxílio do qual superamos a ventania da adversidade, no rumo da bonança.


Não será um privilégio que nos exonere da enfermidade retificadora, ambientada em nosso próprio templo orgânico pela nossa incúria e pela nossa irreflexão, no abuso dos bens do mundo, entretanto, comparecerá por remédio balsamizante e salutar, que nos renove as energias, em favor de nossa cura.


Não será uma prerrogativa indébita que nos isente da luta humana, imprescindível ao nosso aperfeiçoamento individual, todavia, brilhará em nossa experiência por sublime posto de reabastecimento espiritual, susceptível de garantir-nos a resistência e o valor na tarefa de renunciação e sacrifício em que nos cabe perseverar.


Não será uma outorga de recursos para que os nossos caprichos pessoais sejam atendidos, no jardim de nossas predileções afetivas, contudo, será uma dispensação de forças para que possamos tolerar galhardamente as situações mais difíceis, diante daqueles que nos desagradam, em sociedade ou em família, ajudando-nos, pouco a pouco, a edificar o santuário da verdadeira fraternidade, no próprio coração, em cujos altares amealharemos o tesouro da paz e do discernimento.


Ainda mesmo que te encontres no labirinto quase inextrincável das provações inflexíveis, ainda mesmo que a tua jornada se alongue sob o granizo da discórdia e da incompreensão, em plena sombra, cultiva a prece, com a mesma persistência a que te induzas na procura da água para a sede e do pão para a fome do corpo.


Na dor, ser-te-á divino consolo, na perturbação constituirá tua bússola.


Não olvides que a permanência na Terra é uma simples viagem educativa de nossa alma, no espaço e no tempo, e não te esqueças de que somente pela oração, descobriremos, cada dia, o rumo que nos conduzirá de retorno aos braços amorosos de Deus.
 


 

(Francisco Cândido Xavier/Emmanuel. Em: À luz da oração)

quinta-feira, 5 de março de 2026

CAMINHO CERTO

 

Não te esqueças de que a tua vida toma a direção dos teus passos.

O caminho que percorrer é o de teus interesses e necessidades.

Existem caminhos para os cimos e estradas para o abismo.

Acautela-te contra os atalhos — caminhos de aparência tranquila mas repletos de desilusões.

É penoso recomeçar a jornada, depois de longo trecho percorrido.

Certifica-te de que estejas no rumo certo.

Facilidades extremas são indícios de caminhos sinuosos.

Muitas pedras de tropeço são degraus de ascensão, escoras para os teus pés.

Não te apresses. Passo a passo, avança sustentando a cruz.

 

 

 

(De “Vigiai e orai”, de Carlos A. Baccelli,
pelo Espírito Irmão José)

quarta-feira, 4 de março de 2026

BEM AVENTURANÇAS

 

“Bem aventurados sereis quando os homens
vos aborrecerem, e quando vos separarem,
vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome
como mau, por causa do Filho do homem.”
Jesus (Lucas, 6:22)
 

O problema das bem aventuranças exige sérias reflexões, antes de interpretado por questão líquida, nos bastidores do conhecimento.

Confere Jesus a credencial de bem aventurados aos seguidores que lhe partilham as aflições e trabalhos; todavia, cabe-nos salientar que o Mestre categoriza sacrifícios e sofrimentos à conta de bênçãos educativas e redentoras.

Surge, então, o imperativo de saber aceitá-los.

Esse ou aquele homem serão bem aventurados por haverem edificado o bem, na pobreza material, por encontrarem alegria na simplicidade e na paz, por saberem guardar no coração longa e divina esperança.

Mas... e a adesão sincera às sagradas obrigações do título?

O Mestre, na supervisão que lhe assinala os ensinamentos, reporta-se às bem-aventuranças eternas; entretanto, são raros os que se aproximam delas, com a perfeita compreensão de quem se avizinha de tesouro imenso. A maioria dos menos favorecidos no plano terrestre, se visitados pela dor, preferem a lamentação e o desespero; se convidados ao testemunho de renúncia, resvalam para a exigência

descabida e, quase sempre, ao invés de trabalharem pacificamente, lançam-se às aventuras indignas de quantos se perdem na desmesurada ambição.

Ofereceu Jesus muitas bem-aventuranças.

Raros, porém, desejam-nas.

É por isto que existem muitos pobres e muitos aflitos que podem ser grandes necessitados no mundo, mas que ainda não são benditos no Céu.

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Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

terça-feira, 3 de março de 2026

BILHETE FRATERNO


 “Qualquer que vos der a beber um copo d’água
em meu nome, em verdade vos digo que
não perderá o seu galardão”. Jesus (Marcos, 9:41)
 

            Meu amigo, ninguém te pede a santidade dum dia para outro.
            Ninguém reclama de tua alma espetáculos de grandeza.
            Todos sabemos que a jornada humana é inçada de sombras e aflições criadas por nós mesmos.
            Lembra-se, porém, de que o Céu nos pede solidariedade, compreensão, amor.
            Planta uma árvore benfeitora à beira do caminho.
            Escreve algumas frases amigas que consolem o irmão infortunado.
            Traça pequenina explicação para a ignorância.
            Oferece a roupa que se fez inútil agora, ao teu corpo, ao companheiro necessitado que segue à retaguarda.
            Divide, sem alarde, as sobras de teu pão com o faminto.
            Sorri para os infelizes.
            Dá uma prece ao agonizante.
            Acende a luz de um bom pensamento para aquele que te precedeu na longa viagem da morte.
            Estende o braço à criancinha enferma.
            Leva um remédio ou uma flor ao doente.
            Improvisa um pouco de entusiasmo para os que trabalham contigo.
            Emite uma palavra amorosa e consoladora onde a candeia do bem estiver apagada.
            Conduze uma xícara de leite ao recém-nascido que o mundo acolheu sem um berço enfeitado.
            Concede alguns minutos de palestra reconfortante ao colega abatido.
            O rio é um conjunto de gotas preciosas.
            A fraternidade é um Sol composto de raios divinos emitidos por nossa capacidade de amar e servir.
            Quantos raios libertasse hoje do astro vivo que é teu próprio ser imortal?
            Recorda o Divino Mestre que teceu lições inesquecíveis em torno do vintém de uma viúva pobre, de uma semente de mostarda, de uma dracma perdida...
            Faze o bem que puderes.
            Ninguém espera que apagues sozinho o incêndio da maldade.
            Dá o teu copo de água fria.

 



Francisco Cândido Xavier
por Emmanuel
In Segue-me!...

segunda-feira, 2 de março de 2026

ASSEIO VERBAL



“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe,
mas só a que for boa para promover a edificação.”
– Paulo. (EFÉSIOS, 4:29)
 
 

Quanto mais se adianta a civilização, mais se amplia o culto à higiene.

Reservatórios são tratados, salvaguardando-se o asseio das águas.

Mercados sofrem fiscalização rigorosa, com vistas à pureza das substâncias alimentícias.

Laboratórios são continuamente revistos, a fim de que não surjam medicamentos deteriorados.

Instalações sanitárias recebem, diariamente, cuidadosa assepsia.

Será que não devemos exercer cautela e diligência para evitar a palavra torpe, capaz de situar-nos em perturbação e ruína moral?

Nossa conversação, sem que percebamos, age por nós em todos aqueles que nos escutam.

Nossas frases são agentes de propaganda dos sentimentos que nos caracterizam o modo de ser; se respeitáveis, trazem-nos a atenção de criaturas respeitáveis; se menos dignas, carreiam em nossa direção o interesse dos que se fazem menos dignos; se indisciplinadas, nos sintonizam com representantes da disciplina; se azedas, afinam-nos, de imediato, com os campeões do azedume.

Controlemos o verbo, para que não venhamos a libertar essa ou aquela palavra torpe.

Por muito esmerada nos seja a educação, a expressão repulsiva articulada por nossa língua é sempre uma brecha perigosa e infeliz, pela qual perigo e infelicidade nos ameaçam com desequilíbrio e perversão.



 

Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna

domingo, 1 de março de 2026

MONUMENTOS VIVOS DA FÉ

 

Amar sem exigir compensação.

Colaborar para o bem nos lugares onde se nos afigure solidamente instalado.

Aguardar sempre o melhor, ainda mesmo nas piores situações.

Compreender os cooperadores das tarefas em que estejamos, quando se afastam de nós, doando-lhes tranquilidade, com as nossas expressões de simpatia e entendimento, a fim de que se sintam livres de quaisquer compromissos.

Sofrer e chorar, quando as provações da existência a isso nos induzam, mas prosseguir trabalhando e servindo sempre.

Desculpar ofensas, com a certeza de que os erros dos outros poderiam ser nossos.

Não nos queixarmos de ninguém.

Respeitar a liberdade alheia.

Abençoar e auxiliar, sem exigências, a todos aqueles que não nos aceitem os princípios e nem pensem por nossa cabeça.

Repetir indefinidamente, esta ou aquela prestação de serviço, com inteiro esquecimento de nossos próprios interesses.

Sabemos que o progresso da ciência, na atualidade da Terra, levanta máquinas e realizações admiráveis que assombram a vida comunitária, mas não podemos esquecer que a fé constrói prodígios, na área dos sentimentos, prodígios que não compramos em supermercados e nem podemos pedir ao mais eficiente computador.

 



Emmanuel - Da Obra: “Confia E Segue” - Francisco Cândido Xavier

sábado, 28 de fevereiro de 2026

HOSPITALIDADE

 

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque,
por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram os anjos.”
– Paulo. (Hebreus, 13:2)

  

É provável que nem sempre disponhas dos recursos necessários à hospedagem de companheiros da casa.

Obstáculos e vínculos domésticos, em muitas ocasiões, determinam impedimentos.

Se a parentela ainda não se compraz contigo, na cultura da gentileza, não é justo violentes a harmonia do lar, estabelecendo discórdia, em nome do Evangelho que te recomenda servi-los.

Nada razoável empilhar amigos, em espaço irrisório, impondo-lhes constrangimentos, à conta do bem-querer.

Todos nós, porém, conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral.

Nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto.

Aqui e ali, surpreendemos os que vagueiam, deserdados do apoio e convivência...

Observa e tê-lo-ás no caminho, a te pedirem asilo ao entendimento.

Dá-lhes uma frase de coragem, um pensamento de paz, um gesto de amizade, um momento de atenção.

Às vezes, aquele que hoje se reergue com a tua migalha de amor é quem te vai solucionar as necessidades de amanhã, num carro de bênçãos. Não te digas inútil, nem te afirmes incapaz.

Ninguém existe que não possa auxiliar alguém, estendendo o agasalho da simpatia pelos fios do coração.

  

 
Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.
In: Palavras de Vida Eterna

A PRECE

  A oração não será um processo de fuga do caminho que nos cabe percorrer, mas constituirá uma abençoada luz em nossas mãos, clareando-nos ...