sexta-feira, 15 de maio de 2026

NOS CORAÇÕES


“Recebei-nos em vossos corações.”
Paulo (II Coríntios, 7:2)

 

Os crentes e trabalhadores do Evangelho usam diversos meios para lhe fixarem as vantagens, mas raros lhe abrem as portas da vida.

As palavras de Paulo, de Pedro, de Mateus ou de João são comumente utilizadas em longos e porfiados duelos verbais, através de contendas inúteis, incapazes de produzir qualquer ação nobre.

Recebem outros as advertências e luzes evangélicas, à maneira de negociantes ambiciosos, buscando convertê-las em fontes econômicas de grande

vulto. Ainda outros procuram os avisos divinos, fazendo valer princípios egolátricos, em polêmicas laboriosas e infecundas.

No imenso conflito das interpretações dever-se-ia, porém, acatar o pedido de Paulo de Tarso em sua segunda epístola aos Coríntios.

O apóstolo da gentilidade roga para que ele e seus companheiros de ministério sejam recebidos nos corações.

Muito diversa surgirá a comunidade cristã, se os discípulos atenderem à solicitação.

Quando o aprendiz da Boa Nova receber a visita de Jesus e dos emissários divinos, no plano interno, então a discórdia e o sectarismo terão desaparecido do continente sublime da fé.

Em razão disso, meu amigo, ainda que a maioria dos irmãos de ideal conserve cerrada a porta íntima, faze o  possível por não adiar a tranqüilidade própria.

Registra a lição do Evangelho no édito do ser. Não te descuides, relegando-a ao mundo externo, ao sabor da maledicência, da perturbação e do desentendimento. Abriga-a dentro de ti, preservando a própria felicidade. Orna-te com o brilho que decorre de sua grandeza e o Céu comunicar-se-á com a Terra,

através de teu coração.

 


Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

quinta-feira, 14 de maio de 2026

NO ERGUIMENTO DA PAZ


“Bem-aventurados os pacificadores
porque serão chamados filhos de Deus”.
– Jesus.  (Mateus, 5:9)


            Efetivamente, precisamos dos artífices da inteligência, habilitados a orientar o progresso das ciências no Planeta.
Necessitamos, porém, e talvez mais ainda, dos obreiros do bem, capazes de assegurar a paz no mundo.
Não somente daqueles que asseguram o equilíbrio coletivo na cúpula das nações, mas de quantos se consagram ao cultivo da paz no cotidiano:
            dos que saibam ouvir assuntos graves, substituindo-lhes os ingredientes vinagrosos pelo bálsamo do entendimento fraterno; dos que percebem a existência do erro e se dispõem a saná-lo, sem alargar-lhe a extensão com críticas destrutivas;
            dos que enxergam problemas, procurando solucioná-los, em silêncio, sem conturbar o ânimo alheio;
            dos que recolhem confidências aflitivas, sem passá-las adiante; dos que identificam os conflitos dos outros, ajudando-os, sem referências amargas;
            dos que desculpam ofensas, lançando-as no esquecimento;
            dos que pronunciam palavras de consolo e esperança,
edificando fortaleza e tranqüilidade onde estejam;
            dos que apagam o fogo da rebeldia ou da crueldade,
com exemplos de tolerância;
            dos que socorrem os vencidos da existência,
sem acusar os chamados vencedores;
            dos que trabalham sem criar dificuldades para os irmãos do caminho;
            dos que servem sem queixa;
            dos que tomam sobre os próprios ombros toda a carga de trabalho
que podem suportar no levantamento do bem de todos,
sem exigir a cooperação do próximo para que o bem de todos prevaleça.
                                                                   
            Paz no coração e paz no caminho.
            Bem-aventurados os pacificadores — disse-nos Jesus —
de vez que todos eles agem na vida, reconhecendo-se na condição de fiéis e valorosos filhos de Deus.


Francisco Cândido Xavier/Emmanuel. In: Ceifa de Luz

terça-feira, 12 de maio de 2026

ATRITOS

 

Nos atritos do mundo,
Não te omitas. Aceita.
 
Que seria de nós,
Sem a prova que educa?
 
Pelo buril do artista,
Faz-se a pedra obra-prima.
 
A mente sem problemas
Repousaria inútil.
 
A luz do sofrimento
Vem de pranto e suor.
 
Se a provação te apura,
Rende graças a Deus.
 


De “O Essencial”. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel

 

 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

ORAÇÃO E RENOVAÇÃO


“Holocaustos e oblações pelo pecado não te

agradaram.” - Paulo. (Hebreus, 10:6)

 

É certo que todo trabalho sincero de adoração espiritual nos levanta a alma, elevando-nos os sentimentos.

A súplica, no remorso, traz-nos a bênção das lágrimas consoladoras. A rogativa na aflição dá-nos a conhecer a deficiência própria, ajudando-nos a descobrir o valor da humildade. A solicitação na dor revela-nos a fonte sagrada da Inesgotável Misericórdia.

A oração refrigera, alivia, exalta, esclarece, eleva, mas, sobretudo, afeiçoa o coração ao serviço divino. Não olvidemos, porém, de que os atos íntimos e profundos da fé são necessários e úteis a nós próprios.

Na essência, não é o Senhor quem necessita de nossas manifestações votivas, mas somos nós mesmos que devemos aproveitar a sublime possibilidade da repetição, aprendendo com a sabedoria da vida.

Jesus espera por nossa renovação espiritual, acima de tudo.

Se erraste, é preciso procurar a porta da retificação.

Se ofendeste a alguém, corrige-te na devida reconciliação.

Se te desviaste da senda reta, volta ao caminho direito.

Se te perturbaste, harmoniza-te de novo.

Se abrigaste a revolta, recupera a disciplina de ti mesmo.

Em qualquer posição de desequilíbrio, lembra-te de que a prece pode trazer-te sugestões divinas, ampliar-te a visão espiritual e proporcionar-te consolações abundantes; todavia, para o Senhor não bastam as posições convencionais ou verbalistas.

O Mestre confere-nos a Dádiva e pede-nos a iniciativa.

Nos teus dias de luta, portanto, faze os votos e promessas que forem de teu agrado e proveito, mas não te esqueças da ação e da renovação aproveitáveis na obra divina do mundo e sumamente agradáveis aos olhos do Senhor.


Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

sexta-feira, 8 de maio de 2026

DIANTE DA MULTIDÃO


“E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte...”

– (Mateus, 5:1)

 

O procedimento dos homens cultos para com o povo experimentará elevação crescente à medida que o Evangelho se estenda nos corações.

Infelizmente, até agora, raramente a multidão tem encontrado, por parte das grandes personalidades humanas, o tratamento a que faz jus.

Muitos sobem ao monte da autoridade e da fortuna, da inteligência e do poder, mas simplesmente para humilhá-la ou esquecê-la depois.

Sacerdotes inúmeros enriquecem-se de saber e buscam subjugá-la a seu talante.

Políticos astuciosos exploram-lhe as paixões em proveito próprio.

Tiranos disfarçados em condutores envenenam-lhe a alma e arrojam-na ao despenhadeiro da destruição, à maneira dos algozes de rebanho que apartam as reses para o matadouro.

Juizes menos preparados para a dignidade das funções que exercem, confundem-lhe o raciocínio.

Administradores menos escrupulosos arregimentam-lhe as expressões numéricas para a criação de efeitos contrários ao progresso.

Em todos os tempos, vemos o trabalho dos legítimos missionários do bem prejudicado pela ignorância que estabelece perturbações e espantalhos para a massa popular.

Entretanto, para a comunidade dos aprendizes do Evangelho, em qualquer clima da fé, o padrão de Jesus brilha soberano.

Vendo a multidão, o Mestre sobe a um monte e começa a ensinar...

É imprescindível empenhar as nossas energias, a serviço da educação.

Ajudemos o povo a pensar, a crescer e a aprimorar-se.

Auxiliar a todos para que todos se beneficiem e se elevem, tanto quanto nós desejamos melhoria e prosperidade para nós mesmos, constitui para nós a felicidade real e indiscutível.

Ao leste e ao oeste, ao norte e ao sul da nossa individualidade, movimentam-se milhares de criaturas, em posição inferior à nossa.

Estendamos os braços, alonguemos o coração e irradiemos entendimento, fraternidade e simpatia, ajudando-as sem condições.

Quando o cristão pronuncia as sagradas palavras “Pai Nosso”, está reconhecendo não somente a Paternidade de Deus, mas aceitando também por sua família a Humanidade inteira.

 

 

 

Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

segunda-feira, 4 de maio de 2026

CADÁVERES

 

“Pois onde estiver o cadáver, ai se ajuntarão
as águias.” (Mateus, 24:28)
 

Apresentando a imagem do cadáver e das águias, referia-se o Mestre à necessidade dos homens penitentes, que precisam recursos de combate à extinção das sombras em que se mergulham.

Não se elimina o pântano, atirando-lhe flores.

Os corpos apodrecidos no campo atraem corvos que os devoram.

Essa figura, de alta significação simbológica, é dos mais fortes apelos do Senhor, conclamando os servidores do Evangelho aos movimentos do trabalho santificante.

Em vários círculos do Cristianismo renascente surgem os que se queixam, desalentados, da ação de perseguidores, obsessores e verdugos visíveis e invisíveis.

Alguns aprendizes se declaram atados à influência deles e confessam-se incapazes de atender aos desígnios de Jesus.

Conviria, porém, muita ponderação, antes de afirmativas desse jaez, que apenas acusam os próprios autores.

É imprescindível lembrar sempre que as aves impiedosas se ajuntarão em torno de cadáveres ao abandono.

Os corvos se aninham noutras regiões, quando se alimpa o campo em que permaneciam.

Um homem que se afirma invariavelmente infeliz fornece a impressão de que respira num sepulcro; todavia, quando procura renovar o próprio caminho, as aves escuras da tristeza negativa se afastam para mais longe.

Luta contra os cadáveres de qualquer natureza que se abriguem em teu mundo interior. Deixa que o divino sol da espiritualidade te penetre, pois, enquanto fores ataúde de coisas mortas, serás seguido, de perto, pelas águias da destruição.

  

 

 

Pão Nosso. Francisco C Xavier por Emmanuel

domingo, 3 de maio de 2026

NO CAMPO


 

“O campo é o mundo.”

– Jesus. (Mateus, 13:38)

 

Jesus tem o seu campo de serviço no mundo inteiro.

Nele, naturalmente, como em todo campo de lavoura, há infinito potencial de realizações, com faixas de terra excelente e zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção.

Por vezes, após florestas dadivosas, surgem charcos gigantescos, requisitando drenagem e socorro imediato.

Ao lado de montanhas aureoladas de luz, aparecem vales envolvidos em sombra indefinível.

Troncos retos alteiam-se, junto de árvores retorcidas; galhos mortos entram em contraste com frondes verdes, repletas de ninhos.

A gleba imensa do Cristo reclama trabalhadores devotados, que não demonstrem predileções pessoais por zonas de serviço ou gênero de tarefa.

Apresentam-se muitos operários ao Senhor do Trabalho, diariamente, mas os verdadeiros servidores são raros.

A maioria dos tarefeiros que se candidatam à obra do Mestre não seguem além do cultivo de certas flores, recuam à frente dos pântanos desprezados, temem os sítios desertos ou se espantam diante da magnitude do serviço, recolhendo-se a longas e ruinosas vacilações ou fugindo das regiões infecciosas.

Em algumas ocasiões costumam ser hábeis horticultores ou jardineiros, no entanto, quase sempre repousam nesses títulos e amedrontam-se perante os terrenos agressivos e multiformes.

Jesus, todavia, não descansa e prossegue aguardando companheiros para as realizações infinitas, em favor do Reino Celeste na Terra.

Reflete nesta verdade e enriquece as tuas qualidades de colaboração, aperfeiçoando-as e intensificando-as nas obras do bem indiscriminado e ininterrupto...

É certo que não se improvisa um cooperador para Jesus, entretanto, não te esqueças de trabalhar, dia a dia, na direção do glorioso fim...

 


Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

NOS CORAÇÕES

“Recebei-nos em vossos corações.” Paulo (II Coríntios, 7:2)   Os crentes e trabalhadores do Evangelho usam diversos meios para lhe f...