domingo, 6 de setembro de 2026

PESSOALMENTE



Estudos e dissertações de “O céu e o inferno”
1ª Parte, Cap VII, Parag. 13, de Allan Kardec
pelo Espírito Emmanuel.

 

       Toda produção tem alicerces na unidade.

       As máquinas que se padronizam para esse ou aquele gênero de trabalho, mesmo que se pareçam entre si, são aparelhos que se individuam distintamente.

       As árvores, embora revelem as características da espécie a que se filiam, possuem existência própria.

       Os alunos de um estabelecimento de ensino partilham lições iguais, na classe a que se ajustam; no entanto, reagem de modo particular, diante do estudo, e classificam-se com notas diferentes.

       Catalogam-se enfermos num hospital, segundo os sintomas que apresentam; contudo, cada um exige ficha determinada e tem o seu problema resolvido no momento exato.

       Surgem máquinas e constrói-se a oficina.

       Repontam árvores e alteia-se a floresta.

       Congregam aprendizes e levanta-se a escola.

       Alinham-se doentes e a casa de saúde aparece.

       Recorremos, porém, a semelhantes imagens para destacar que o inferno, considerado por localidade inferior ou estância de suplício, depois da morte, começa de cada um e comunica-se, pessoalmente, de espírito desvairado a espírito desvairado.

       Não haveria penitenciária se não houvesse delinquente.

       Notemos, ainda, que se a ciência médica no mundo ergue caridosamente o manicômio, para socorrer a loucura, a Providência Divina permite a colonização dos seres bestializados, além do túmulo, em regiões específicas do Espaço, para limitação e tratamento das calamidades mentais em que se projetaram ou que fizeram por merecer.

       Desse modo, que nenhum de nós se esqueça da lei de ação e reação.

       Isso porque a falta, que depende de nós, chega antes, e o sanatório que a corrige chega depois.

   

 

De “Justiça Divina”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

sábado, 5 de setembro de 2026

ROTULAGEM


 

“Mas quem não possui o espírito do

Cristo, esse não é dele.”

– Paulo. (Romanos, 8:9)

 

A rotulagem não tranquiliza.

Procuremos a essência.

Há louvores em memória do Cristo, em muitos estandartes que estimulam a animosidade entre irmãos.

Há símbolos do Cristo, em numerosos tribunais que, em muitas ocasiões, apenas exaltam a injustiça.

Há preciosas referências ao Cristo, em vozes altamente categorizadas da cultura terrestre, que, em nome do Evangelho, procuram estender a miséria e a ignorância.

Há juramentos por Cristo, através de conversações que constituem vastos corredores na direção das trevas.

Há invocações verbais ao Cristo, em operações puramente comerciais, que são escuros atentados à harmonia da consciência.

Meditemos na extensão de nossos deveres morais, no círculo das responsabilidades que abraçamos com a fé cristã.

Jesus permanece em imagens, cartazes, bandeiras, medalhas, adornos, cânticos, poemas, narrativas, discursos, sermões, estudos e contendas, mas isso é muito pouco se lhe não possuímos o ensinamento vivo, na consciência e no coração.

É sempre fácil externar entusiasmo e convicção, votos brilhantes e frases bem-feitas.

Acautelemo-nos, porém, contra o perigo da simples rotulagem. Com o apóstolo, não nos esqueçamos de que, se não possuímos o espírito do Cristo, dele nos achamos ainda consideravelmente distantes.

 

 

Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A MELHOR MEDIDA


 
"Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita,
para que sejais perfeitos e completos,
sem falar em coisa alguma."
(TIAGO, 1:4)
 

Mais que as doenças vulgares do corpo, sofres os problemas da alma, agravando-te a tensão, a cada dia.

Mais que os micróbios patogênicos a assaltarem-te os tecidos do instrumento físico, padeces a intromissão de agentes mentais inquietantes, atormentando-te as fibras da alma.

Levantas-te, cada manhã, muita vez, com as lutas da véspera e antes que se te rearmonizem as forças, cambaleias mentalmente ao impacto da irritação de familiares incompreensivos.

Prestas longas explicações a benefício da tranquilidade ambiente; contudo, mal terminas o arrazoado afetuoso, há quem te malsine a palavra, complicando as questões em torno...

Movimentas correção e sinceridade, honrando os próprios deveres; todavia, quando te julgas a cavaleiro de toda a crítica, aparece alguém arrastando-te o coração ao mercado da injúria...

Empenhas carinho e abnegação no cultivo do amor ao lado de alguém; contudo, quando te crês em segurança no caminho do entendimento, observas que a ingratidão te envenena os melhores gestos...

Entretanto, há frente de toda a dificuldade não te lastimes, nem desfaleças...

Para toda a perturbação, a paciência é a melhor medida.

Não profiras qualquer palavra de que te possas arrepender.

Silencia e abençoa sempre, porque, amanhã, quantos hoje se precipitam na sombra voltarão novamente à luz.

Esquecido, usa a paciência e ajuda sem exigir.

Insultado, recorre à paciência e esquece o mal.

Em todas as dores, arrima-te à paciência.

Em todo o embaraço, espera com paciência.

Todo o progresso humano surge da paciência Divina. Conserva-te, pois, na força da paciência e, onde estejas, farás sempre o melhor.

 


(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna)

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A ORAÇÃO


A principio, é um rumor do coração que clama,

Asa leve a ruflar da alma que anseia e chora...


Depois, é como um círio hesitante da aurora,
Convertendo-se, após, em resplendente chama...


Então, ei-la a vibrar como estrela sonora!
É a prece a refulgir por milagrosa flama,
Glória de quem confia o poder de quem ama,
Por mensagem solar, cindindo os céus afora...


Depois, outro clarão do Além desce e fulgura,
É a resposta divina aos rogos da criatura,
Trazendo paz e amor em fúlgidos rastilhos!...


Irmão, guardai na prece o altar do templo vosso!
Através da oração, nós bradamos: - "Pai Nosso!"
E através dessa luz, Deus responde: - "Meus filhos!"



Francisco Cândido Xavier.
In: À luz da oração

terça-feira, 1 de setembro de 2026

EM TAREFA DE AMOR

 

Emmanuel

 

A tarefa de amor

Resume-se em servir.

 

Decide-te e começa...

Une-te aos companheiros,

Sem contar desenganos.

 

Há irmãos que se queixam

Outros se desanimam,

 

Alguns te desaprovam,

Muitos te desconhecem...

 

Mas se segues com Deus

Nunca te cansarás.

 


Do livro "Material de Construção", Emmanuel, Francisco C. Xavier

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A MULHER ANTE O CRISTO

Toda vez nos disponhamos a considerar a mulher em plano inferior, lembremo-nos dela, ao tempo de Jesus...

Há vinte séculos, com exceção das patrícias do Império, quase todas as companheiras do povo, na maioria das circunstâncias, sofriam extrema abjeção, convertidas em alimárias de carga, quando não fossem vendidas em hasta pública.

Tocadas, porém, pelo verbo renovador do Divino Mestre, ninguém respondeu com tanta lealdade e veemência aos apelos celestiais...

Entre as que haviam descido aos vales da perturbação e da sombra, encontramos em Madalena o mais alto testemunho de soerguimento moral, das trevas para a luz; e entre as que se mantinham no monte do equilíbrio doméstico, surpreendemos em Joana de Cusa o mais nobre expoente de concurso e fidelidade.

Atraídas pelo amor puro, conduziam à presença do Senhor os aflitos e os mutilados, os doentes e as crianças. E, embora não lhe integrassem o circulo apostólico, foram elas — representadas nas filhas anônimas de Jerusalém — as únicas demonstrações de solidariedade espontânea que o visitaram, desassombradamente, sob a cruz do martírio, quando os próprios discípulos debandavam.

Mais tarde, junto aos continuadores da Boa-Nova, sustentaram-se no mesmo nível de elevação e de entendimento.
Dorcas, a costureira jopense, depois de amparada por Simão Pedro, fez-se mais ativa colaboradora da assistência aos infortunados. Febe é a mensageira da epístola de Paulo de Tarso aos romanos. Lídia, em Filipos, é a primeira mulher com suficiente coragem para transformar a própria casa em santuário do Evangelho nascituro. Lóide e Eunice, parentas de Timóteo, eram padrões morais da fé viva.

Entretanto, ainda que semelhantes heroínas não tivessem de fato existido, não podemos olvidar que, um dia, buscando alguém no mundo para exercer a necessária tutela sobre a vida preciosa do Embaixador Divino, o Supremo Poder do Universo não hesitou em recorrer à abnegada mulher, escondida num lar apagado e simples...
Humilde, ocultava a experiência dos sábios; frágil como o lírio, trazia consigo a resistência do diamante; pobre entre os pobres, carreava na própria virtude os tesouros incorruptíveis do coração, e, desvalida entre os homens, era grande e prestigiosa perante Deus.

Eis o motivo pelo qual, sempre que o raciocínio nos induza a ponderar quanto à glória do Cristo — recordando, na Terra, a grandeza de nossas próprias mães —, nós nos inclinaremos, reconhecidos e reverentes, ante a luz imarcescível da Estrela de Nazaré.

EMMANUEL

 


(Do livro "Religião dos Espíritos", FCXavier, FEB, Reunião pública de 3/8/59, Questão nº 817)

terça-feira, 25 de agosto de 2026

RESISTÊNCIA ESPIRITUAL

 

"Era perto da meia-noite; Paulo e Silas oravam e

cantavam hinos a Deus e os outros presos

os escutavam". (Atos, 16:25)

 

 

Reveste-se de profundo simbolismo aquela atitude de Paulo e Silas nas trevas da prisão. Quando numerosos encarcerados ali permaneciam sem esperança, eis que os herdeiros de Jesus, embora dilacerados de açoites, começam a orar, entoando hinos de confiança.

O mundo atual, na esteira de transições angustiosas e amargas, não parece mergulhado nas sombras que precedem a meia-noite?

Conhecimentos generosos permanecem eclipsados. Noções de justiça e direito, programas de paz e tratados de assistência mútua são relegados a pianos de esquecimento. Animais furiosos aproveitam a treva para se evadirem dos recônditos escaninhos da alma humana, onde permaneciam guardados pela cobertura da civilização, e tentam dominar as criaturas empregando o terror, a perseguição, a violência. Quantos jovens jazem no cárcere das desilusões, da amargura, do remorso, do crime? Através de caminhos desolados ao longo de campos que as bombas devastaram, dentro de sombras frias, ha mães que choram, velhos desalentados, crianças perdidas. Quem poderá contar as angústias da noite dolorosa? Os aprendizes do Evangelho, igualmente, sofrem perseguições e calúnias e, em quase toda parte, são conduzidos a testemunhos ásperos. Muitos envolveram-se nas nuvens pesadas, outros esconderam-se fugindo a hora de sofrimentos; mas, os discípulos fieis, esses suportam ainda acoites e pedradas e, não obstante as trevas insondáveis da meia noite da civilização, oram nos santuários do espírito eterno e cantam cânticos de esperança, alentando os companheiros.

Enquanto raras almas sabem perceber os primeiros rubores da alvorada, em virtude da sombra extensa, recordemos os devotados obreiros do Mestre e busquemos na prece ativa o refugio consolador. Se o mundo experimenta a tempestade, procuremos a oração e o trabalho, a fé e o otimismo, porque outro dia glorioso esta a nascer, e em Jesus Cristo repousa nossa resistência espiritual.

 


 

Francisco Cândido Xavier/Emmanuel. In: Segue-me

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