terça-feira, 20 de outubro de 2026

A MELODIA DO SILÊNCIO


Na fase terminal de nossas tarefas na noite

de 10 de junho de 1954, tivemos a afetuosa

visita de Meimei, a nossa companheira de

sempre, que, utilizando os recursos psicofônicos

do médium, falou-nos sobre os méritos do

silêncio, em nossa construção espiritual.

 

Repara a melodia do silêncio nas criações divinas.

 

No Céu, tudo é harmonia sem ostentação de força.

 

O Sol brilhando sem ruído...

 

Os mundos em movimento sem desordem...

 

As constelações refulgindo sem ofuscar-nos...

 

E, na Terra, tudo assinala a música do silêncio, exaltando o amor infinito de Deus.

 

A semente germinando sem bulício...

 

A árvore ferida preparando sem revolta o fruto que te alimenta...

 

A água que hoje se oculta no coração da fonte, para dessedentar-te amanhã...

 

O metal que se deixa plasmar no fogo vivo, para ser-te mais útil.

 

O vaso que te obedece sem refutar-te as ordens...

 

Que palavras articuladas lhes definiriam a grandeza?

 

É por isso que o Senhor também nos socorre, através das circunstâncias que não falam, por intermédio do tempo, o sábio mudo.

 

Não quebres a melodia do silêncio, onde tua frase soaria em desacordo com a Lei de Amor que nos governa o caminho!

 

Admira cada estrela na luz que lhe é própria...

 

Aproveita cada ribeiro em seu nível...

 

Estende os braços a cada criatura dentro da verdade que lhe corresponda à compreensão...

 

Discute aprendendo, mas, porque desejes aprender, não precisas ferir.

 

Fala auxiliando, mas não te antecipes ao juízo superior, veiculando o verbo à maneira do azorrague inconsciente e impiedoso.

 

«Não saiba tua mão esquerda o que deu a direita» — disse-nos o Senhor.

 

Auxilia sem barulho onde passes.

 

Recorda a ilimitada paciência do Pai Celestial para com as nossas próprias faltas e ajudemos, sem alarde, ao companheiro da romagem terrestre que, muitas vezes, apenas aguarda o socorro de nosso silêncio, a fim de elevar-se à comunhão com Deus.

 


Do livro: Instruções Psicofônicas, Médium: Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

FAZER LUZ



 "Acolhei o que é débil na fé, não, porém,

para discutir opiniões". - Paulo (Romanos, 14:1)

 

    Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.
    Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.
    A Ciência investiga.
    A Religião crê.
    Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a     Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.
    Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.
    Auxiliemo-nos mutuamente.
    Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.
    Diz o Apóstolo Paulo: "Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.


(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Segue-me)

domingo, 18 de outubro de 2026

MAIORAIS


"E ele, assentando-se, chamou os doze e
disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro,
será o último de todos e servo de todos." 
- (MARCOS, 9:35)

 

    Ser dos primeiros na Terra não é problema de solução complicada.

    Há maiorais no mundo em todas as situações.

    A ciência, a filosofia, o sacerdócio, tanto quanto a política, o comércio e as finanças podem exibi-los, facilmente.

    Os homens principais da ciência, com legitimas exceções, costumam ser grandes presunçosos; os da filosofia, argutos sofistas do pensamento; os do sacerdócio, fanáticos sem compreensão da verdadeira fé. Em política, muitos dos maiorais são tiranos; no comércio, inúmeros são exploradores e, nas finanças, muitos deles não passam de associados das sombras contra os interesses coletivos.

    Ser dos primeiros, no entanto, nas esferas de Jesus sobre a Terra, não é questão de fácil acesso à criatura vulgar.

    Nos departamentos do mundo materializado, os principais devem ser os primeiros a serem servidos e contam com a obediência compulsória de todos.

    Em Cristianismo puro, os espíritos dominantes são os últimos na recepção dos benefícios, porquanto são servos reais de quantos lhes procuram a colaboração fraterna.

    É por isto que em todas as escolas cristãs há numerosos pregadores, muitos mordomos, turbas de operários, cooperadores do culto, polemistas valiosos, doutores da letra, intérpretes competentes, reformistas apaixonados, mas raríssimos apóstolos.

    De modo geral, quase todos os crentes se dispõem ao ensino e ao conselho, prontos ao combate espetaculoso e à advertência humilhante ou vaidosa, poucos surgindo com o desejo de servir, em silêncio, convencidos de que toda a glória pertence a Deus.



 (Emmanuel/Francisco Candido Xavier In: Vinha de Luz)

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

JESUS E VIGILÂNCIA


          Poucos são os que dão valor devido à vigilância, possivelmente por imaginarem que ela deva ser uma virtude dos piegas, daqueles que não sabem o que querem ou o que fazem, enfim, para os tolos ou para os frágeis.

          Olvidam-se ou ignoram que o texto do Evangelista Marcos, no seu capítulo 13, versículos 32 a 37, se faz de grande importância e oportunidade para todas as almas, uma vez que a vigilância está no mesmo nível da oração, tendo-se que de nada adiantará o conjunto das orações na vida de quem não se acautela, de quem não guarda cuidados ou não vigia.
          Vigilância no falar... portas abertas para o entendimento.
          Vigilância no olhar... afastamento das sombras do pensamento.
          Vigilância no ouvir... passos firmes contra a maledicência.
          Vigilância no divertimento... vacinação contra o desequilíbrio.
          Vigilância na convivência com próximo ... ajustamento às faixas da fraternidade.
          Importante é que cada pessoa, no seu esforço por ser precavida, atenta aos movimentos da própria rota que empreende, não se acostume ao fato de desmandar-se, de perturbar e ferir, ou de provocar infelicidades, semeando espinhos pelas estradas de todos, impensadamente, vindo a desculpar-se todas as vezes, como se fosse fácil para os outros a virtude do perdão e, para si, difícil fazer-se vigilante com seus gestos e atitudes, falas e desatinos, antes de cometê-los.
          Caber aos amigos de Jesus a manutenção dessa indispensável virtude, acautelando-se em relação aos equívocos e aos males, pois ninguém sabe qual será o momento dos acertos com a consciência, ou quando o Senhor nos virá indagar sobre os nossos cometimentos, “se de tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo ou se no amanhecer”.



(Livro: Vida e Mensagem. J. Raul Teixeira por Francisco de Paula Vítor)

terça-feira, 13 de outubro de 2026

UNIÕES ENFERMAS

  

Se te encontras nas tarefas da união conjugal, recorda que ora a execução dos encargos em dupla é a garantia de tua própria sustentação.

 

Dois associados no condomínio da responsabilidade na mesma construção.

 

Dois companheiros compartilhando um só investimento.

 

Às vezes, depois dos votos de ternura e fidelidade, quando as promessas se encaminham para as realizações objetivas, os sócios de base da empresa familiar encontram obstáculos pela frente.

 

Um deles terá adoecido e falta no outro a tolerância necessária.

 

Surge a irritação e aparece o ressentimento.

 

Em outras ocasiões, o trabalho se amplia em casa e um deles foge à cooperação.

 

Surge o cansaço e aparece o desapreço.

 

Hoje – queixas.

Adiante – desatenções e lágrimas.

Amanhã – rixas.

Adiante ainda – amarguras e acusações recíprocas.

 

Se um dos responsáveis não se dispõe a compreender a validade do sacrifício, aceitando-o por medida de salvação do instituto doméstico, eis a união enferma ameaçando ruptura.

 

Nesse passo, costumam repontar do caminho laços e afinidades de existências do pretérito convidando esse ou aquele dos parceiros para uniões diferentes. E será indispensável muita abnegação para que os chefes da comunhão familiar não venham a desfazer, de todo, a união já enferma, partindo no rumo de novos ajustes afetivos.

 

Entende-se claro que o divórcio é lei humana que vem unicamente confirmar uma situação que já existe e que, se calamidades da alma pendem sobre a casa, não se dispõe de outra providência mais razoável para recomendar, além dessa. Entretanto, se te vês nos problemas da união enferma e, principalmente se tens crianças a proteger, tanto quanto se te faça possível, mantém o lar que edificaste com as melhores forças do espírito.

 

Realmente, os casamentos de amor jamais adoecem, mas nos enlaces de provação redentora, os cônjuges solicitaram, antes do berço terrestre, determinadas tarefas em regime de compromisso perante a Vida Infinita. E, ante a Vida Infinita convém lembrar sempre que os nossos débitos não precisam de resgate, a longo prazo, pela contabilidade dos séculos, desde que nos empenhemos a solve-los em tempo curto, pelo crediário da paciência, a serviço do amor.

 

 

 

 

Do livro: Caminhos de Volta -  Espírito: Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

AFEIÇÕES

  

O amor não é cego.

Vê sempre as pessoas queridas

tais quais são

e as conhece, na intimidade,

mais do que os outros.

 

Exatamente por dedicar-lhes

imenso carinho,

recusa-se a registrar-lhes

os possíveis defeitos,

porquanto sabe amá-las

mesmo assim.

 

 

(Francisco Cândido Xavier Por Emmanuel. In: Caminhos)

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Prefácio

  

Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.

 

Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.

 

As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes, e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo.

 

Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos, também, uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor! Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus.

 

O ESPÍRITO DE VERDADE

 

Nota - A instrução acima, transmitida por via mediúnica, resume a um tempo o verdadeiro caráter do Espiritismo e a finalidade desta obra; por isso foi colocada aqui como prefácio

 

A MELODIA DO SILÊNCIO

Na fase terminal de nossas tarefas na noite de 10 de junho de 1954, tivemos a afetuosa visita de Meimei, a nossa companheira de sempre...