quarta-feira, 22 de julho de 2026

A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO

 

        Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se degladiarem indefinidamente.

       Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre e o ódio viveria eternizado, transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer.

       A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo, suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.

       De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.

       O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas interiores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.

       Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência a experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas faltas recíprocas, dia a dia.

       Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.

       Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.

       Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.

       O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.

       Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixa, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.

       Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.

 


 

Emmanuel
(De “Família”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)

terça-feira, 21 de julho de 2026

PRECE DE EUSÉBIO


(do Livro: Mundo Maior)


Senhor da Vida,
Abençoa-nos o propósito
De penetrar o caminho da Luz!...

Somos Teus filhos,
Ainda escravos de círculos restritos,
Mas a sede do Infinito
Dilacera-nos os véus do ser.

Herdeiros da imortalidade,
Buscamos-Te as fontes eternas
Esperando, confiantes, em Tua misericórdia.

De nós mesmos, Senhor, nada podemos.
Sem Ti, somos frondes decepadas
Que o fogo da experiência
Tortura ou transforma...

Unidos, no entanto, ao Teu Amor,
Somos condicionadores gloriosos
De Tua Criação interminável.

Somos alguns milhares
Neste campo terrestre;
E, antes de tudo,
Louvamos-Te a grandeza
Que não nos oprime a pequenez...

Dilata-nos a percepção diante da vida,
Abre-nos os olhos
Enevoados pelo sono da ilusão
Para que divisemos Tua glória sem fim!...
Desperta-nos docemente o ouvido,
A fim de percebermos o cântico
De tua sublime eternidade.
Abençoa as sementes de sabedoria
Que os teus mensageiros esparziram
No campo de nossas almas;
Fecunda-nos o solo interior,
Para que os divinos germens não pereçam.

Sabemos, Pai,
Que o suor do trabalho
E a lágrima da redenção
Constituem adubo generoso
A floração de nossas sementeiras;
Todavia,
Sem Tua bênção,
O suor elanguesce
E a lágrima desespera...
Sem Tua mão compassiva,
Os vermes das paixões
E as tempestades de nossos vícios
Podem arruinar-nos a lavoura incipiente.

Acorda-nos, Senhor da Vida,
Para a luz das oportunidades presentes;
Para que os atritos da luta não as inutilizem,
Guia-nos os pés para o supremo bem;
Reveste-nos o coração
Com a Tua serenidade paternal,
Robustecendo-nos a resistência!
Poderoso Senhor,
Ampara-nos a fragilidade,
Corrige-nos os erros,
Esclarece-nos a ignorância,
Acolhe-nos em Teu amoroso regaço.

Cumpram-se, Pai Amado,
Os Teus desígnios soberanos,
Agora e sempre.
Assim seja.



(Ditado pelo Espírito André Luiz . Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
In: No Mundo Maior, 2º Capítulo)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

NOS DOMÍNIOS DA VOZ

 

Observe como vai indo a sua voz, porque a voz é dos instrumentos mais importantes na vida de cada um. A voz de cada pessoa está carregada pelo magnetismo dos seus próprios sentimentos.

Fale em tonalidade não tão alta que assuste e nem tão baixa que crie dificuldade a quem ouça.

Sempre aconselhável repetir com paciência o que já foi dito para o interlocutor, quando necessário, sem alterar o tom de voz, entendendo-se que nem todas as pessoas trazem audição impecável.

A quem não disponha de facilidades para ouvir, nunca dizer frases como estas: "Você está surdo?", "Você quer que eu grite?", "Quantas vezes quer você que eu fale?" ou "Já cansei de repetir isso".

A voz descontrolada pela cólera, no fundo, é uma agressão e a agressão jamais convence. Converse com serenidade e respeito, colocando-se no lugar da pessoa que ouve, e educará suas manifestações verbais com mais segurança e proveito.

Em qualquer telefonema, recorde que no outro lado do fio está alguém que precisa de sua calma, a fim de manter a própria tranquilidade.

 

 

Sinal Verde. Francisco C. Xavier por André Luiz

sexta-feira, 17 de julho de 2026

SEMEIA E SEMEIA

 

          Ei-los, em esfuziante alegria, permutando sorrisos num festival de juventude, que lhes parece não ter fim. Folgazões, transitam de cidade em cidade espairecendo, caçando prazeres, renovando emoções. Quase esvoaçantes, coloridos, recordam bandos de aves arrulhando nas florestas da vida.

        Embriagados pelo licor da frivolidade passam gárrulos e ligeiros, sem pousos certos, alongando-se pelas estradas vastas das férias intermináveis.
        Ao lado deles trabalham aqueloutros que os invejam e lhes exploram a loucura, quais formigas diligentes que acumulam para si, ceifando a plantação alheia, receosas da escassez hibernal. São gentis a preço de ouro e vendem cortesia,  detestando-os quase, em silêncio, reprochando-lhes o comportamento leviano, sentindo-se magoados por não poderem fazer o mesmo.
        Aqueles vêm para cá buscando o sol e estes saem daqui procurando as temperaturas brandas. Uns sobem as montanhas e outros as descem, agitados, todos, a buscarem nada.
        Perderam a paz íntima e não sabem, talvez não desejem saber.
        Anestesiam-se com a ilusão e fogem da realidade, enlouquecendo paulatina, irreversivelmente.
***
        Dizes que conheces as nascentes da água lustral do bem e da harmonia. Gostaria de ofertá-las, a cântaros cheios, ou abrindo, com as mãos da ternura, sulcos profundos por onde jorrassem filetes a se transformarem em rios de abundância a benefício de todos.
        Eles, porém, os sorridentes e os corteses que defrontas, recusam a tua oferenda.
        Falas sobre o amor e zombam.
        Cantas a verdade e promovem balbúrdia.
        Emocionas-te ante a dor e os irritas.
        Apresentas Jesus e desertam, ansiosos, tentando novas expressões de fuga, desinteressados e belicosos contra ti.
        Não te entristeças ante os panoramas sombrios do momento. Logo mais, na estação própria, haverá luz e cor, reverdecendo a paisagem cinza, florindo-a, perfumando-a.
        Possivelmente, já transitaste em rotas semelhantes e por essa razão sentes o amargor tisnar teus lábios, vendo-os e ouvindo-os, sabendo que este ludíbrio não dura indefinidamente. Eles despertarão sim, como já despertaste para outra realidade que agora te abrasa a vida e dá-te forças para avançar.
***
        Hoje, todos estes estão fugindo de si mesmos. Ontem, porém, quando estavas com eles, fugias também, conduzindo as armas da guerra e do crime, que alguns já têm nas mãos e que outros irão tomá-las com avidez.
        Considera, então, o quanto macerou ao imensurável Rabi, vê-los, assim, sanguinários e irresponsáveis, tendo-O ao lado sem O desejarem, ouvindo-O sem O quererem entender... Longa para o Mestre foi a via dolorosa, enquanto com eles e com nós todos, até hoje, que ainda não O sabemos amar  nem servi-Lo.
        Afeiçoa-te, por tua vez, à lavoura do amor e semeia, conquanto escasseiem ouvidos abertos e mentes acessíveis à semente de luz.
        O Colégio Galileu reuniu apenas doze, ao chamado de Jesus, e não obstante a deserção de um discípulo equivocado, outro foi eleito para o seu lugar, ao tempo em que a palavra de vida eterna se espalhava como pólen fecundo penetrando, desde então, milhões de vidas que se felicitaram com a Verdade, alargando as avenidas da esperança para a Humanidade inteira.
        Assim, semeia e semeia.



(De “Sol de Esperança”. Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O LIVRO LIVRA

 


        Cada livro edificante é porta libertadora.
*
       O livro espírita, entretanto, emancipa a alma, nos fundamentos da vida.
*
       O livro científico livra da incultura, mas o livro espírita livra da crueldade, para que os louros intelectuais são se desregrem na delinquência.
*
       O livro filosófico livra do preconceito, no entanto, o livro espírita livra da divagação delirante, a fim de que a elucidação não se converta em palavras inúteis.
*
       O livro piedoso livra do desespero, mas o livro espírita livra da superstição, para que a fé não se abastarde em fanatismo.
*
       O livro jurídico livra do desespero, mas o livro espírita livra da parcialidade, a fim de que o direito não se faça instrumento de opressão.
*
       O livro técnico livra da insipiência, mas o livro espírita livra da vaidade, para que a especialização não seja manejada em prejuízo dos outros.
*
       O livro de agricultura livra do primitivismo, no entanto, o livro espírita livra da ambição desvairada, a fim de que o trabalho da gleba não se envileça.
*
       O livro de regras sociais livra da rudeza de trato, mas o livro espírita livra da irresponsabilidade que, muitas vezes, transfigura o lar em atormentado reduto de sofrimento.
*
       O livro de consolo livra da aflição, no entanto, o livro espírita livra do êxtase inoperante, para que o reconforto não se acomode em preguiça.
*
       O livro de informações livra do atraso, mas o livro espírita livra do tempo perdido, a fim de que a hora vazia não nos arraste à queda em dívidas escabrosas.
*
       Amparemos o livro respeitável que é luz de hoje, no entanto, auxiliemos e divulguemos, quanto nos seja possível, o livro espírita, que é luz de hoje, amanhã e sempre.
*
       O livro nobre livra da ignorância, mas o livro espírita livra da ignorância e livra do mal.


 

(Livro: Mentores e seareiros. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

VIVAMOS CALMAMENTE



 “Que procureis viver sossegados.”
– Paulo. (I Tessalonicenses, 4:11)
 

         Viver sossegado não é apodrecer na preguiça.
        Há pessoas, cujo corpo permanece em decúbito dorsal,  agasalhadas, contra o frio da dificuldade,
por excelentes cobertores da facilidade econômica, mas torturadas mentalmente por indefiníveis aflições.
        Viver calmamente, pois, não é dormir na estagnação.
        A paz decorre da quitação de nossa consciência para com a vida,
e o trabalho reside na base de semelhante equilíbrio.
        Se desejamos saúde, é necessário lutar pela harmonia do corpo.
        Se esperamos colheita farta, é indispensável plantar com esforço
e defender a lavoura com perseverança e carinho.
        Para garantir a fortaleza do nosso coração, contra o assédio do mal,
é imprescindível saibamos viver dentro da serenidade do trabalho
fiel aos compromissos assumidos com a ordem e com o bem.
        O progresso dos ímpios e o descanso dos delinqüentes são paradas de introdução
à porta do inferno criado por eles mesmos.
        Não queiras, assim, estar sossegado, sem esforço, sem luta, sem trabalho, sem problemas...
        Todavia, consoante a advertência do apóstolo, vivamos calmamente,
cumprindo com valor, boa-vontade e espírito de sacrifício, as obrigações edificantes
 que o mundo nos impõe cada dia, em favor de nós mesmos.



Emmanuel/Francisco Cândido Xavier. In: Fonte Viva

terça-feira, 14 de julho de 2026

SOCORRE A TI MESMO

 

“Pregando o Evangelho do reino e curando
todas as enfermidades.” (Mateus, 9:35)

 

Cura a catarata e a conjuntivite, mas corrige a visão espiritual de teus olhos.

Defende-te contra a surdez, entretanto, retifica o teu modo de registrar as vozes e solicitações variadas que te procuram.

Medica a arritmia e a dispnéia, contudo, não entregues o coração à impulsividade arrasadora.

Combate a neurastenia e o esgotamento, no entanto, cuida de reajustar as emoções e tendências.

Persegue a gastralgia, mas educa teus apetites à mesa.

Melhora as condições do sangue, todavia, não o sobrecarregues com os resíduos de prazeres inferiores.

Guerreia a hepatite, entretanto, livra o fígado dos excessos em que te comprazes.

Remove os perigos da uremia, contudo, não sufoques os rins com os venenos de taças brilhantes.

Desloca o reumatismo dos membros, reparando, porém, o que fazes com teus pés, braços e mãos.

Sana os desacertos cerebrais que te ameaçam, todavia, aprende a guardar a mente no idealismo superior e nos atos nobres.

Consagra-te à própria cura, mas não esqueças a pregação do Reino Divino aos teus órgãos.

Eles são vivos e educáveis. Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito  para a inutilidade.

 

 

Livro: Pão Nosso

Francisco C. Xavier

A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO

          Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orie...