terça-feira, 7 de julho de 2026

TEMPO E NÓS


        Você diz que não tem dinheiro para socorrer aos necessitados,
        mas dispõe de tempo para auxiliar de algum modo.
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        Você afirma que não pode escrever longa carta ao amigo que lhe pede conforto,
        Mas dispõe de tempo para fazer um bilhete.
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        Você diz que não possui elementos para clarear o caminho dos que jazem no erro,
        mas dispõe de tempo a fim de articular algumas palavras, em benefício dos que se demoram na ignorância.
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        Você afirma que lhe falta competência, diante das tribunas edificantes,
        mas dispõe de tempo para essa ou aquela frase de esperança e consolo.
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        Você diz que não detém qualquer dom mediúnico que lhe garanta as atividades na sementeira do bem,
        mas dispõe de tempo, a fim de colaborar na assistência aos irmãos em obstáculos muito maiores que os seus.
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        Você afirma que não retém bastante saúde para alentar essa ou aquela tarefa no bem dos outros,
        mas dispõe de tempo que lhe faculta ofertar migalha de gentileza no amparo aos semelhantes.
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        Você diz que caiu moralmente e não mais pode estender a luz da fé,
        mas dispõe de tempo para levantar e seguir adiante.
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        Você afirma que o companheiro é difícil de suportar,
        mas dispõe de tempo para renovar-lhe a maneira de ser, através do seu próprio serviço.
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        Você diz que a dificuldade é insuperável,
        mas dispõe de tempo a fim de contorná-la, atingindo a realização do melhor.
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        Você afirma que a sua felicidade acabou e estira-se na estrada, como se a sua aflição fosse mal sem remédio...
        Meu amigo, observe o tempo, pense no tempo, aceite o tempo e agradeça ao tempo, de vez que o tempo recomeça cada ano e todos nós, com a Bênção de Deus, tudo podemos recomeçar.

 

 


(Francisco Cândido Xavier por André Luiz. In: Aulas da vida)


segunda-feira, 6 de julho de 2026

O QUE IMPORTA


            Não importa:
            que a ventania da incompreensão nos zurza o caminho;
            que a ignorância nos apedreje;
            que a injúria nos aponte ao descrédito;
            que a maledicência nos receba a jarros de lama;
            que a intriga nos envolva em sombra;
            que a perseguição nos golpeie;
            que a crítica arme inquisições para condenar-nos;
            que os obstáculos se multipliquem, complicando-nos a jornada;
            que a mudança de outrem nos relegue ao abandono;
            ou que as trevas conspirem incessantemente, no objetivo de perder-nos.
            Importa nos agasalhemos na paciência; que nos apliquemos à desculpa incondicional; que nos resguardemos na humildade, observando que só temos e conseguimos aquilo que a Divina Providência nos empreste ou nos permita realizar; que nos cabe responder ao mal com o bem, sejam como sejam as circunstâncias; e que devemos aceitar a verdade de que cada coração permanece no lugar em que se coloca e que, por isso mesmo, devemos, acima de tudo, conservar a consciência tranqüila, trabalhar sempre e abençoar a todos, procurando reconhecer que todos somos de Deus e todos estamos em Deus, cujas leis nos julgarão a todos, amanhã e sempre, segundo as nossas próprias obras.

 


Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Coragem

quinta-feira, 2 de julho de 2026

ADORAÇÃO E FRATERNIDADE



“Ora, temos da parte dele este mandamento,
que aquele que ama a Deus, ame também
a seu irmão.” – João: I JOÃO, 4:21

Construirás santuários primorosos no culto ao Senhor da Vida...

Pronunciarás orações sublimes, exaltando-Lhe a glória excelsa...

Tecerás com cintilações divinas a palavra comovente e bela com que Lhe definirás a grandeza...

Combinarás com mestria os textos da Escritura Divina para provar-Lhe a existência...

Exibirás dons mediúnicos dos mais excelentes de modo a falares d¢Ele, com eficiência e segurança, às criaturas irmãs...

Escreverás livros admiráveis, comentando-Lhe a sabedoria...

Comporás poemas preciosos, tentando ornamentar-Lhe a magnificência...

Clamarás por Ele, em súplicas ardentes, revelando confiança e fidelidade...

Adora-Lo-ás com a tua prece, com a tua arte, com o teu carinho e com a tua inteligência...

Contudo, se não amas a teu irmão, por amor a Ele, Pai Amoroso e Justo, de que te vale o culto filial, estéril e egoísta?

Um simples pai de família, no campo da Humanidade imperfeita, alegra-se e dilata-se nos filhos que, em lhe compreendendo a dedicação, se empenham no engrandecimento da própria casa, através do amparo constante aos irmãos menos felizes.

Incontestavelmente, a lealdade de tua fé representa o perfume de alegria nas tuas relações com o Eterno Senhor, mas não olvides que o teu incessante serviço, na plantação e extensão do bem, é a única maneira pela qual podes realmente servi- Lo.

Seja qual for a igreja em que externas a tua reverência à Majestade Divina, guarda, pois, a oração por lâmpada acesa em tua luta de cada dia, mas não te esqueças de que somente amparando os nossos irmãos inexperientes e frágeis, caídos e desditosos, é que, de fato, honraremos a Bênção de Nosso Pai.

 

Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.
In: Palavras de Vida Eterna

quarta-feira, 1 de julho de 2026

PESSOALMENTE

 

Estudos e dissertações de “O céu e o inferno”,

1ª Parte, Cap VII, Parag. 13,

de Allan Kardec, pelo Espírito Emmanuel

 

       Toda produção tem alicerces na unidade.

       As máquinas que se padronizam para esse ou aquele gênero de trabalho, mesmo que se pareçam entre si, são aparelhos que se individuam distintamente.

       As árvores, embora revelem as características da espécie a que se filiam, possuem existência própria.

       Os alunos de um estabelecimento de ensino partilham lições iguais, na classe a que se ajustam; no entanto, reagem de modo particular, diante do estudo, e classificam-se com notas diferentes.

       Catalogam-se enfermos num hospital, segundo os sintomas que apresentam; contudo, cada um exige ficha determinada e tem o seu problema resolvido no momento exato.

       Surgem máquinas e constrói-se a oficina.

       Repontam árvores e alteia-se a floresta.

       Congregam aprendizes e levanta-se a escola.

       Alinham-se doentes e a casa de saúde aparece.

       Recorremos, porém, a semelhantes imagens para destacar que o inferno, considerado por localidade inferior ou estância de suplício, depois da morte, começa de cada um e comunica-se, pessoalmente, de espírito desvairado a espírito desvairado.

       Não haveria penitenciária se não houvesse delinquente.

       Notemos, ainda, que se a ciência médica no mundo ergue caridosamente o manicômio, para socorrer a loucura, a Providência Divina permite a colonização dos seres bestializados, além do túmulo, em regiões específicas do Espaço, para limitação e tratamento das calamidades mentais em que se projetaram ou que fizeram por merecer.

       Desse modo, que nenhum de nós se esqueça da lei de ação e reação.

       Isso porque a falta, que depende de nós, chega antes, e o sanatório que a corrige chega depois.

 

 

De “Justiça Divina”, de Francisco Cândido Xavier

pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 25 de junho de 2026

SACUDIR O PÓ

 

“E se ninguém vos receber, nem escutar

as vossas palavras, saindo daquela

casa ou cidade, sacudi o pó de

vossos pés.” – Jesus. (Mateus, 10:14)

 

Os próprios discípulos materializaram o ensinamento de Jesus, sacudindo a poeira das sandálias, em se retirando desse ou daquele lugar de rebeldia ou impenitência. Todavia, se o símbolo que transparece da lição do Mestre estivesse destinado apenas a gesto mecânico, não teríamos nele senão um conjunto de palavras vazias.

O ensinamento, porém, é mais profundo. Recomenda a extinção do fermento doentio.

Sacudir o pó dos pés é não conservar qualquer mágoa ou qualquer detrito nas bases da vida, em face da ignorância e da perversidade que se manifestam no caminho de nossas experiências comuns.

Natural é o desejo de confiar a outrem as sementes da verdade e do bem; entretanto, se somos recebidos pela hostilidade do meio a que nos dirigimos, não é razoável nos mantenhamos em longas observações e apontamentos, que, ao invés de conduzir-nos a tarefa a êxito oportuno, estabelecem sombras e dificuldades em torno de nós.

Se alguém te não recebeu a boa-vontade, nem te percebeu a boa intenção, por que a perda de tempo em sentenças acusatórias? Tal atitude não soluciona os problemas espirituais. Ignoras, acaso, que o negador e o indiferente serão igualmente chamados pela morte do corpo à nossa pátria de origem? Encomenda-os a Jesus com amor e prossegue, em linha reta, buscando os teus sagrados objetivos. Há muito por fazer na edificação espiritual do mundo e de ti mesmo. Sacode, pois, as más impressões e marcha alegremente.

 


 

Livro: Pão Nosso. Francisco C. Xavier por Emmanuel

quarta-feira, 24 de junho de 2026

VONTADE DIVINA


“E não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação do
vosso entendimento para que experimenteis
qual seja a boa, agradável e perfeita vontade
de Deus”.
– Paulo (Romanos, 12:2.)


Expressa-se a Vontade de Deus pelas circunstâncias da existência; todavia, devemos apreendê-la na essência e no rumo, o que nos será claramente possível.

Não só pelos avisos religiosos que nos ajudam a procurá-la.

Nem pelos constrangimentos da Terra, que nos impelem a compromissos determinados.

Nem pelos preceitos sociais que nos resguardam em disciplina.

Nem pela voz dos amigos que nos apoiam a caminhada.

Nem pelos acicates da prova que nos corrigem os sentimentos.

A fé ilumina, o trabalho conquista, a regra aconselha, a afeição reconforta e o sofrimento reajusta; no entanto, para entender os Desígnios Divinos a nosso respeito, é imperioso renovar-nos em espírito, largando a hera do conformismo que se nos arraia no íntimo, alentada pelo adubo do hábito, em repetidas experiências no plano material.

Recebamos o auxílio edificante que o mundo nos ofereça, mas fujamos de contemporizar com os enganos do mundo, diligenciando burilar-nos cada vez mais, porque educação conosco é clarão no âmago da própria alma e por muito brilhemos por fora, no jogo das ocorrências temporárias da estância física, nada entenderemos da luz de Deus que nos sustenta a vida, sem luz em nós.

 


Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna

terça-feira, 23 de junho de 2026

PALAVRAS DE ESPERANÇA

 

Estudos e dissertações, 1ª Parte, Cap. XI,
item 8, de “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec

  

        Se não admites a sobrevivência, depois de morte, interroga aqueles que viram partir os entes mais caros.

       Inquire os que afagaram as mãos geladas de pais afetuosos, nos últimos instantes do corpo físico; sonda a opinião das viúvas que abraçaram os esposos, na longa despedida, derramando as agonias do coração, no silêncio das lágrimas; informa-te com os homens sensíveis que sustentaram nos braços as companheiras emudecidas, tentando, em vão, renovar-lhes o hálito na hora extrema; procura  palavra das mães que fecharam os olhos dos próprios filhos, tombados inertes nas primaveras da juventude ou nos brincos da infância... Pergunta aos que carregaram um esquife como quem sepulta sonhos e aspirações no gelo do desalento, e indaga dos que choram sozinhos, junto às cinzas de um túmulo, perguntando por quê...

       Eles sabem, por intuição, que os mortos vivem, e reconhecem que, apenas por amor deles, continuam igualmente a viver.

       Sentem-lhes a presença, no caminho solitário em que jornadeiam, escutam-lhes a voz inarticulada com os ouvidos do pensamento e prosseguem lutando e trabalhando, simplesmente por esperarem os supremos regozijos do reencontro.

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       Se um dia tiveres fome de maior esperança, não temas, assim, rogar a inspiração e a assistência dos corações amados que te precederam na grande viagem. Estarão contigo, a sustentarem-te as energias, nas tarefas humanas, quais estrelas no céu noturno da saudade, a fim de que saibas aguardar, pacientemente, as luzes da alva.

       Busca-lhes o clarão de amor, nas asas da prece, e, se nos templos veneráveis do Cristianismo, alguém te fala de Moisés, reprimindo as invocações abusivas de um povo desesperado, lembra-te de Jesus, ao regressar do sepulcro para a intimidade dos amigos desfalecentes, exclamando, em transportes de júbilo: "A paz seja convosco.”

 

 

 

(De “Justiça Divina”, de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel)

TEMPO E NÓS

        Você diz que não tem dinheiro para socorrer aos necessitados,         mas dispõe de tempo para auxiliar de algum modo. *        ...