sexta-feira, 17 de julho de 2026

SEMEIA E SEMEIA

 

          Ei-los, em esfuziante alegria, permutando sorrisos num festival de juventude, que lhes parece não ter fim. Folgazões, transitam de cidade em cidade espairecendo, caçando prazeres, renovando emoções. Quase esvoaçantes, coloridos, recordam bandos de aves arrulhando nas florestas da vida.

        Embriagados pelo licor da frivolidade passam gárrulos e ligeiros, sem pousos certos, alongando-se pelas estradas vastas das férias intermináveis.
        Ao lado deles trabalham aqueloutros que os invejam e lhes exploram a loucura, quais formigas diligentes que acumulam para si, ceifando a plantação alheia, receosas da escassez hibernal. São gentis a preço de ouro e vendem cortesia,  detestando-os quase, em silêncio, reprochando-lhes o comportamento leviano, sentindo-se magoados por não poderem fazer o mesmo.
        Aqueles vêm para cá buscando o sol e estes saem daqui procurando as temperaturas brandas. Uns sobem as montanhas e outros as descem, agitados, todos, a buscarem nada.
        Perderam a paz íntima e não sabem, talvez não desejem saber.
        Anestesiam-se com a ilusão e fogem da realidade, enlouquecendo paulatina, irreversivelmente.
***
        Dizes que conheces as nascentes da água lustral do bem e da harmonia. Gostaria de ofertá-las, a cântaros cheios, ou abrindo, com as mãos da ternura, sulcos profundos por onde jorrassem filetes a se transformarem em rios de abundância a benefício de todos.
        Eles, porém, os sorridentes e os corteses que defrontas, recusam a tua oferenda.
        Falas sobre o amor e zombam.
        Cantas a verdade e promovem balbúrdia.
        Emocionas-te ante a dor e os irritas.
        Apresentas Jesus e desertam, ansiosos, tentando novas expressões de fuga, desinteressados e belicosos contra ti.
        Não te entristeças ante os panoramas sombrios do momento. Logo mais, na estação própria, haverá luz e cor, reverdecendo a paisagem cinza, florindo-a, perfumando-a.
        Possivelmente, já transitaste em rotas semelhantes e por essa razão sentes o amargor tisnar teus lábios, vendo-os e ouvindo-os, sabendo que este ludíbrio não dura indefinidamente. Eles despertarão sim, como já despertaste para outra realidade que agora te abrasa a vida e dá-te forças para avançar.
***
        Hoje, todos estes estão fugindo de si mesmos. Ontem, porém, quando estavas com eles, fugias também, conduzindo as armas da guerra e do crime, que alguns já têm nas mãos e que outros irão tomá-las com avidez.
        Considera, então, o quanto macerou ao imensurável Rabi, vê-los, assim, sanguinários e irresponsáveis, tendo-O ao lado sem O desejarem, ouvindo-O sem O quererem entender... Longa para o Mestre foi a via dolorosa, enquanto com eles e com nós todos, até hoje, que ainda não O sabemos amar  nem servi-Lo.
        Afeiçoa-te, por tua vez, à lavoura do amor e semeia, conquanto escasseiem ouvidos abertos e mentes acessíveis à semente de luz.
        O Colégio Galileu reuniu apenas doze, ao chamado de Jesus, e não obstante a deserção de um discípulo equivocado, outro foi eleito para o seu lugar, ao tempo em que a palavra de vida eterna se espalhava como pólen fecundo penetrando, desde então, milhões de vidas que se felicitaram com a Verdade, alargando as avenidas da esperança para a Humanidade inteira.
        Assim, semeia e semeia.



(De “Sol de Esperança”. Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O LIVRO LIVRA

 


        Cada livro edificante é porta libertadora.
*
       O livro espírita, entretanto, emancipa a alma, nos fundamentos da vida.
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       O livro científico livra da incultura, mas o livro espírita livra da crueldade, para que os louros intelectuais são se desregrem na delinquência.
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       O livro filosófico livra do preconceito, no entanto, o livro espírita livra da divagação delirante, a fim de que a elucidação não se converta em palavras inúteis.
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       O livro piedoso livra do desespero, mas o livro espírita livra da superstição, para que a fé não se abastarde em fanatismo.
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       O livro jurídico livra do desespero, mas o livro espírita livra da parcialidade, a fim de que o direito não se faça instrumento de opressão.
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       O livro técnico livra da insipiência, mas o livro espírita livra da vaidade, para que a especialização não seja manejada em prejuízo dos outros.
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       O livro de agricultura livra do primitivismo, no entanto, o livro espírita livra da ambição desvairada, a fim de que o trabalho da gleba não se envileça.
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       O livro de regras sociais livra da rudeza de trato, mas o livro espírita livra da irresponsabilidade que, muitas vezes, transfigura o lar em atormentado reduto de sofrimento.
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       O livro de consolo livra da aflição, no entanto, o livro espírita livra do êxtase inoperante, para que o reconforto não se acomode em preguiça.
*
       O livro de informações livra do atraso, mas o livro espírita livra do tempo perdido, a fim de que a hora vazia não nos arraste à queda em dívidas escabrosas.
*
       Amparemos o livro respeitável que é luz de hoje, no entanto, auxiliemos e divulguemos, quanto nos seja possível, o livro espírita, que é luz de hoje, amanhã e sempre.
*
       O livro nobre livra da ignorância, mas o livro espírita livra da ignorância e livra do mal.


 

(Livro: Mentores e seareiros. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

VIVAMOS CALMAMENTE



 “Que procureis viver sossegados.”
– Paulo. (I Tessalonicenses, 4:11)
 

         Viver sossegado não é apodrecer na preguiça.
        Há pessoas, cujo corpo permanece em decúbito dorsal,  agasalhadas, contra o frio da dificuldade,
por excelentes cobertores da facilidade econômica, mas torturadas mentalmente por indefiníveis aflições.
        Viver calmamente, pois, não é dormir na estagnação.
        A paz decorre da quitação de nossa consciência para com a vida,
e o trabalho reside na base de semelhante equilíbrio.
        Se desejamos saúde, é necessário lutar pela harmonia do corpo.
        Se esperamos colheita farta, é indispensável plantar com esforço
e defender a lavoura com perseverança e carinho.
        Para garantir a fortaleza do nosso coração, contra o assédio do mal,
é imprescindível saibamos viver dentro da serenidade do trabalho
fiel aos compromissos assumidos com a ordem e com o bem.
        O progresso dos ímpios e o descanso dos delinqüentes são paradas de introdução
à porta do inferno criado por eles mesmos.
        Não queiras, assim, estar sossegado, sem esforço, sem luta, sem trabalho, sem problemas...
        Todavia, consoante a advertência do apóstolo, vivamos calmamente,
cumprindo com valor, boa-vontade e espírito de sacrifício, as obrigações edificantes
 que o mundo nos impõe cada dia, em favor de nós mesmos.



Emmanuel/Francisco Cândido Xavier. In: Fonte Viva

terça-feira, 14 de julho de 2026

SOCORRE A TI MESMO

 

“Pregando o Evangelho do reino e curando
todas as enfermidades.” (Mateus, 9:35)

 

Cura a catarata e a conjuntivite, mas corrige a visão espiritual de teus olhos.

Defende-te contra a surdez, entretanto, retifica o teu modo de registrar as vozes e solicitações variadas que te procuram.

Medica a arritmia e a dispnéia, contudo, não entregues o coração à impulsividade arrasadora.

Combate a neurastenia e o esgotamento, no entanto, cuida de reajustar as emoções e tendências.

Persegue a gastralgia, mas educa teus apetites à mesa.

Melhora as condições do sangue, todavia, não o sobrecarregues com os resíduos de prazeres inferiores.

Guerreia a hepatite, entretanto, livra o fígado dos excessos em que te comprazes.

Remove os perigos da uremia, contudo, não sufoques os rins com os venenos de taças brilhantes.

Desloca o reumatismo dos membros, reparando, porém, o que fazes com teus pés, braços e mãos.

Sana os desacertos cerebrais que te ameaçam, todavia, aprende a guardar a mente no idealismo superior e nos atos nobres.

Consagra-te à própria cura, mas não esqueças a pregação do Reino Divino aos teus órgãos.

Eles são vivos e educáveis. Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito  para a inutilidade.

 

 

Livro: Pão Nosso

Francisco C. Xavier

segunda-feira, 13 de julho de 2026

PACIFICAÇÃO


— “Bem-aventurados os pacificadores, porque, serão chamados filhos de Deus.” JESUS – MATEUS, 5:9.

— “Mas que queria Jesus dizer por estas palavras: “Bem-aventurados os que são brandos porque possuirão a Terra” tendo recomendado aos homens que renunciassem aos bens deste mundo e havendo-lhes prometido os do Céu?

Enquanto aguarda os bens do Céu, tem o homem necessidade dos da Terra para viver. Apenas, o que Ele lhe recomenda é que não ligue a estes últimos mais importância que nos primeiros. ” — Cap. IX, 5 de O Evangelho segundo o Espiritismo.

 

Escutaste interrogações condenatórias, em torno do amigo ausente.

Informaste algo, com discrição e bondade, salientando a parte boa que o distingue, e, sem colocar o assunto no prato da intriga, edificaste em silêncio, a harmonia possível.

*

Surpreendeste pequeninos deveres a cumprir, na esfera de obrigações que te não competem.

Sem qualquer impulso de reprimenda, atendeste a semelhantes tarefas, por ti mesmo, na certeza de que todos temos distrações lamentáveis.

*

Anotaste a falta do companheiro.

Esqueceste toda preocupação de censura, diligenciando substitui-lo em serviço, sem alardear superioridade.

Assinalaste o erro do vizinho.

Foges de divulgar-lhe a infelicidade e dispões-te a auxiliá-lo no momento preciso, sem exibição de virtude.

*

Recebeste queixas amargas a te ferirem injustamente.

Sabes ouvi-las com paciência, abstendo-te de impelir os irmãos do caminho às telas da sombra, trabalhando sinceramente por desfazê-las.

*

Caluniaram-te abertamente, incendiando-te  vida.

Toleras serenamente todos os golpes, sem animosidade ou revide e, respondendo com mais ampla abnegação, no exercício das boas obras, dissipas a conceituação infeliz dos teus detratores.

*

Descobriste a existência de companheiros iludidos ou obsidiados que se fazem motivos de perturbação ou de escândalo, no plantio do bem ou na seara da luz.

Decerto não lhe aplaudes a inconsciência, mas não lhe agravas o desequilíbrio, através do sarcasmo, e oras por eles, amparando-lhes o reajuste, pelo pensamento renovador.

*

Se assim procedes, classificas-te, em verdade, entre os pacificadores abençoados pelo Divino Mestre, compreendendo, afinal, que a criatura humana, isoladamente, não consegue garantir a paz do mundo, no entanto, cada um de nós pode e deve manter a paz dentro de si.


 

De “Livro da Esperança”, de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel

 

domingo, 12 de julho de 2026

SACUDIR O PÓ



“E se ninguém vos receber, nem escutar

as vossas palavras, saindo daquela

casa ou cidade, sacudi o pó de

vossos pés.” – Jesus. (Mateus, 10:14)

 


Os próprios discípulos materializaram o ensinamento de Jesus, sacudindo a poeira das sandálias, em se retirando desse ou daquele lugar de rebeldia ou impenitência. Todavia, se o símbolo que transparece da lição do Mestre estivesse destinado apenas a gesto mecânico, não teríamos nele senão um conjunto de palavras vazias.

O ensinamento, porém, é mais profundo. Recomenda a extinção do fermento doentio.

Sacudir o pó dos pés é não conservar qualquer mágoa ou qualquer detrito nas bases da vida, em face da ignorância e da perversidade que se manifestam no caminho de nossas experiências comuns.

Natural é o desejo de confiar a outrem as sementes da verdade e do bem; entretanto, se somos recebidos pela hostilidade do meio a que nos dirigimos, não é razoável nos mantenhamos em longas observações e apontamentos, que, ao invés de conduzir-nos a tarefa a êxito oportuno, estabelecem sombras e dificuldades em torno de nós.

Se alguém te não recebeu a boa-vontade, nem te percebeu a boa intenção, por que a perda de tempo em sentenças acusatórias? Tal atitude não soluciona os problemas espirituais. Ignoras, acaso, que o negador e o indiferente serão igualmente chamados pela morte do corpo à nossa pátria de origem? Encomenda-os a Jesus com amor e prossegue, em linha reta, buscando os teus sagrados objetivos. Há muito por fazer na edificação espiritual do mundo e de ti mesmo. Sacode, pois, as más impressões e marcha alegremente.

 


 

Livro: Pão Nosso. Francisco C. Xavier por Emmanuel

sexta-feira, 10 de julho de 2026

ORAR E AGIR

 

Ore pelo próximo, mas também:

 

       providencie-lhe ajuda;

       atenda-lhe a rogativa;

       pacifique-lhe o coração;

       oferte-lhe o agasalho;

       socorra-lhe o estômago;

       ofereça-lhe o remédio;

       desculpe-lhe a frase infeliz;

       sustente-lhe a coragem;

       fortaleça-lhe a esperança;

       estenda-lhe o perdão;

       reerga-lhe o ânimo;

       esqueça-lhe as ofensas;

       responda-lhe ao cumprimento;

       ampare-lhe a família em necessidade;

       forneça-lhe orientação segura.

*

       Oremos a Deus em benefício dos semelhantes, mas também auxiliemo-lo através da ação eficaz.

       Jesus orou várias vezes no decorrer de sua missão, entretanto, sempre trabalhou efetivamente em favor do próximo.

 


De “Decisão”, de Antônio Baduy Filho, pelo Espírito André Luiz

SEMEIA E SEMEIA

             Ei-los, em esfuziante alegria, permutando sorrisos num festival de juventude, que lhes parece não ter fim. Folgazões, transitam...