terça-feira, 25 de agosto de 2026

RESISTÊNCIA ESPIRITUAL

 

"Era perto da meia-noite; Paulo e Silas oravam e

cantavam hinos a Deus e os outros presos

os escutavam". (Atos, 16:25)

 

 

Reveste-se de profundo simbolismo aquela atitude de Paulo e Silas nas trevas da prisão. Quando numerosos encarcerados ali permaneciam sem esperança, eis que os herdeiros de Jesus, embora dilacerados de açoites, começam a orar, entoando hinos de confiança.

O mundo atual, na esteira de transições angustiosas e amargas, não parece mergulhado nas sombras que precedem a meia-noite?

Conhecimentos generosos permanecem eclipsados. Noções de justiça e direito, programas de paz e tratados de assistência mútua são relegados a pianos de esquecimento. Animais furiosos aproveitam a treva para se evadirem dos recônditos escaninhos da alma humana, onde permaneciam guardados pela cobertura da civilização, e tentam dominar as criaturas empregando o terror, a perseguição, a violência. Quantos jovens jazem no cárcere das desilusões, da amargura, do remorso, do crime? Através de caminhos desolados ao longo de campos que as bombas devastaram, dentro de sombras frias, ha mães que choram, velhos desalentados, crianças perdidas. Quem poderá contar as angústias da noite dolorosa? Os aprendizes do Evangelho, igualmente, sofrem perseguições e calúnias e, em quase toda parte, são conduzidos a testemunhos ásperos. Muitos envolveram-se nas nuvens pesadas, outros esconderam-se fugindo a hora de sofrimentos; mas, os discípulos fieis, esses suportam ainda acoites e pedradas e, não obstante as trevas insondáveis da meia noite da civilização, oram nos santuários do espírito eterno e cantam cânticos de esperança, alentando os companheiros.

Enquanto raras almas sabem perceber os primeiros rubores da alvorada, em virtude da sombra extensa, recordemos os devotados obreiros do Mestre e busquemos na prece ativa o refugio consolador. Se o mundo experimenta a tempestade, procuremos a oração e o trabalho, a fé e o otimismo, porque outro dia glorioso esta a nascer, e em Jesus Cristo repousa nossa resistência espiritual.

 


 

Francisco Cândido Xavier/Emmanuel. In: Segue-me

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

VITÓRIA DO AMOR


    Enquanto vicejarem os sentimentos controvertidos da atual personalidade humana estereotipada nos clichês do imediatismo devorador; enquanto os impulsos sobrepujarem a razão nos choques dos interesses do gozo insensato; enquanto houver a predominância da natureza animal sobre a espiritual; enquanto as buscas humanas se restringirem aos limites estreitos do hoje e do agora, sem compreensão das conseqüências do amanhã e do depois, o ser humano arrastará a canga do sofrimento, estorcegando-se nas rudes amarras do desespero.
    Assim mesmo, nesse ser primário que rugia na Terra em convulsão enquanto olhava sem entender os círios luminíferos que brilhavam no firmamento, o amor despontava. Esse lucilar que o impulsionou à saída da caverna, à conquista das terras pantanosas e das florestas, levando-o à construção das urbes, é o influxo divino nele existente, propelindo-o sempre para a frente e para o infinito.
    Daquele ser grotesco, impulsivo, instintivo, ao homem moderno, tecnológico, paranormal, da atualidade, separa um grande pego.
    Não obstante esse desenvolvimento expressivo, o rugir das paixões ainda o leva à agressão injustificável, tornando-o, não poucas vezes, belicoso e perverso, ou empurra-o para a insensatez dos gozos exacerbados dos sentidos mais grosseiros, nos quais se exaure e mais se perturba, dando curso a patologias físicas e emocionais variadas.
    A marcha da evolução é lenta e eivada de escolhos.
    Avança-se e recua-se, de forma que as novas conquistas se sedimentem, criando condicionamentos que transformem os atavismos vigentes em necessidades futuras, substituindo os impulsos automáticos por aspirações conscientes, para que tenha lugar o florescer da harmonia que passará a predominar em todos os movimentos humanos.
    A insatisfação que existe em cada indivíduo é síndrome do nascimento de novos anseios que o conduzirão à plenitude, qual madrugada que vence de forma suave e quase imperceptivelmente a noite em predomínio...
    Esse amanhecer psicológico é proporcionado pelo amor, que é fonte inexaurível de energias capazes de modificar todas as estruturas comportamentais do ser humano.
    Sentimento existente em germe em todos os impulsos da vida, adquire sentido e expande-se no campo da emotividade humana, quando a razão alcança a dimensão cósmica, tornando-se fulcro de vida que se irradia em todas as direções.
    Presente nos instintos, embora de forma automatista, exterioriza-se na posse e defesa dos descendentes, crescendo no rumo dos interesses básicos, para tornar-se indimensional nas aspirações do belo, do nobre, do bem.
    Variando de expressão e de dimensão em todos os seres, é sempre o mesmo impulso divino que brota e se agiganta, necessitando do direcionamento que a razão oferece, a fim de superar as barreiras do ego e tornar-se humanista, humanitarista, plenificador, sem particularismo, sem paixão, livre como o pensamento e poderoso quanto à força da própria vida.




(De “Amor, imbatível amor”, de Divaldo Pereira Franco
pelo Espírito Joanna de Ângelis)

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

PERSEVERANÇA


        Perseverança é a capacidade de esforço sustentador.
        É a confirmação do “querer é poder”.
        Sem perseverança tudo tende a se desmoronar, a cair de nossas mãos.
        Quando temos um ideal, o primeiro passo é materializá-lo.
        Começar já é meio caminho andado.
Obstáculos, dificuldades, críticas, isto certamente encontraremos pelo frente. Para o verdadeiro idealista, esses empecilhos são desafios que ele se dispõe a vencer, e lhe servem até de estímulo e convite à luta.
        O idealista é um desbravador por excelência; nunca espera que a situação o favoreça, pois ele mesmo faz a situação surgir, não esperando que ela venha ao seu encontro.
        O entusiasmo dos idealistas lhes confere as nobre liderança dos espíritos que vieram para abrir caminho e marchar à frente dos menos ousados e dos ainda incapazes de perceber a necessidade das transformações e inovações necessárias.
        No entanto, cada um de nós traz uma incumbência que terá de ser executada pelo próprio. Ninguém poderá realizar a tarefa de ninguém. Somos responsáveis por todos os nossos atos, que se tornam o resultado natural das nossas ações; e por estas responderemos, queiramos ou não.
        O líder tem a incumbência de mostrar o caminho, mas quanto aos esforços de abri-lo, é tarefa que compete a todos, bem como a energia para percorrê-lo.
        A perseverança em conseguir deverá nascer em cada viajor. Aquele que parar será esquecido, e cairá em aflição, enquanto os demais avançam e se adiantam em qualidades, mantendo a paz de espírito dos que cumpriram bem os seus deveres. Os negligentes não podem acusar ninguém pelos seus infortúnios.
        Se o cansaço se apossar de nós, se nos faltarem as forças, apelemos para Deus, rogando-lhe ajuda, e um cirineu surgirá, ajudando a erguer-nos e nos incentivando a prosseguir.
        Se permanecermos inertes, lamentando-nos, as oportunidades ficarão perdidas, e só nos restará, com pesar, assistir a vitória dos que perseveraram.
        Quereríamos, acaso, tornarmo-nos vítimas, fazendo dos nossos problemas uma carga para outros carregarem sobre os ombros? E o nosso mérito, onde entraria?
        Perseveremos, caros companheiros, em nossa boa disposição de alcançarmos a meta para que viemos, e a paz será conosco.




(Livro: A VERDADE E A VIDA, de Cenyra Pinto)

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

RAZÃO DOS APELOS


“Pelo que, sendo chamado, vim sem contradizer.
Pergunto pois: por que razão mandastes chamar-me?”
Pedro (Atos, 10:29)

A pergunta de Pedro ao centurião Cornélio é traço de grande significação nos atos apostólicos.

O funcionário romano era conhecido por suas tradições de homem caridoso e reto, invocava a presença do discípulo de Jesus atendendo a elevadas razões de ordem moral, após generoso alvitre de um emissário do Céu e, contudo, atingindo-lhe o círculo doméstico, o ex-pescador de Cafarnaum interroga, sensato:

– “Por que razão mandastes chamar-me?”

Simão precisava conhecer as finalidades de semelhante exigência, tanto quanto o servidor vigilante necessita saber onde pisa e com que fim é convocado aos campos alheios.

Esse quadro expressivo sugere muitas considerações aos novos aprendizes do Evangelho.

Muita gente, por ouvir referências a esse ou àquele Espírito elevado costuma invocar-lhe a presença nas reuniões doutrinárias.

A resolução, porém, é intempestiva e desarrazoada.

Por que reclamar a companhia que não merecemos?

Não se pode afirmar que o impulso se filie à leviandade, entretanto, precisamos encarecer a importância das finalidades em jogo.

Imaginai-vos chamando Simão Pedro a determinado círculo de oração e figuremos a aquiescência do venerável apóstolo ao apelo. Naturalmente, sereis obrigados a expor ao grande emissário celestial os motivos da requisição. E, pautando no bom senso as nossas atitudes mentais, indaguemos de nós mesmos se possuímos bastante elevação para ver, ouvir e compreender-lhe o espírito glorioso.

Quem de nós responderá afirmativamente? Teremos, assim, suficiente audácia de invocar o sublime Cefas, tão somente para ouvi-lo falar?


Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PERANTE A MULTIDÃO

 

“E outros, zombando, diziam: Estão cheios
de mosto.” - (Atos, 2:13)

A lição colhida pelos discípulos de Jesus, no Pentecostes, ainda é um símbolo vivo para todos os aprendizes do Evangelho, diante da multidão.

A revelação da vida eterna continua em todas as direções.

Aquele “som como de um vento veemente e impetuoso” e aquelas “línguas de fogo” a que se refere a descrição apostólica, descem até hoje sobre os continuadores do Cristo, entre os filhos de todas as nações.

As expressões do Pentecostes dilatam-se, em todos os países, embora as vibrações antagônicas das trevas.

Todavia, para milhares de ouvintes e observadores apenas funcionam alguns raros apóstolos, encarregados de preservarem a divina luz.

Realmente, são inumeráveis aqueles que, consciente ou inconscientemente, recebem os benefícios da celeste revelação; entretanto, não são poucos os zombadores de todos os tempos, dispostos à irreverência e à ironia, diante da verdade.

Para esses, os leais seguidores do Mestre estão embriagados e loucos. Não compreendem a humildade que se consagra ao bem, a fraternidade que dá sem exigências descabidas e a fé que confia sempre, não obstante as tempestades.

É indispensável não estranhar o assédio desses pobres inconscientes, se te dispões, efetivamente, a servir ao Senhor da Vida. Cercar-te-ão o trabalho, acusando-te de bêbado; criticar-te-ão as atitudes, chamando-te covarde; escutar-te-ão as palavras de amor, conservando a ironia na boca. Para eles, a tua abnegação será envilecimento, a tua renúncia significará incapacidade, a tua fé será interpretada à conta de loucura.

Não hesites, porém, no espírito de serviço. Permaneces, como os primeiros apóstolos, nas grandes praças, onde se acotovelam homens e mulheres, ignorantes e sábios, velhos e crianças...

Aperfeiçoa tuas qualidades de recepção, onde estiveres, porque o Senhor te chamou para intérprete de Sua Voz, ainda que os maus zombem de ti.

 

 

Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

terça-feira, 11 de agosto de 2026

PARÁBOLA DO FERMENTO


 
“O Reino dos Céus é semelhante ao fermento,
que uma mulher tomou e escondeu em
três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.”
(Mateus, XIII, 33 – Lucas, XIII, 20-21.)

 
          Não há quem ignore o processo da panificação. Lança-se um tanto de fermento na massa de farinha, mistura-se e espera-se que fique toda levedada, para o que muito concorre o calor.
        Aparentemente, quem vê a massa não diz que tem fermento; entretanto, depois de algumas horas, a própria massa levedada acusa a presença do mesmo.
        Assim é o Reino dos Céus: o homem não se pode transformar, de simples e ignorante, em elevado e sábio de um momento para outro, como o levedo não transforma a farinha na mesma hora em que nela é posto.
        Aos poucos, à medida que ouve a voz dos profetas, a palavra dos emissários do Alto, a inteligência do homem se vai esclarecendo e o seu Espírito se transforma: ele assimila o Reino dos Céus, que à prima facie lhe pareceu um enigma, mas depois se lhe apresentou positivo, racional, lógico.
        Quem diria que uma só medida de fermento, em três medidas de farinha, leveda a mesma? É preciso, porém, lembrar que o calor, não só na farinha para o pão, como também no homem, para a transformação de Espíritos, é indispensável. E este calor pode traduzir-se na atividade que empregamos para o progresso que somos chamados a conquistar.

 

 


(Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel)

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PODANDO IRRITAÇÕES

 

Se ainda trazes, porventura, o hábito de encolerizar-te, se já consegues reconhecer-lhe os prejuízos, podes claramente erradicá-lo, atendendo à própria renovação.

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Inicia as atividades diárias, pensando em Deus e agradecendo as tuas possibilidades de fazer o bem.

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Medita, raciocinadamente, ante o clima de conhecimento superior que já possuis, na certeza de que te encontras na ocasião de expressar o melhor de ti mesmo.

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Pensa nos companheiros até agora capazes de induzir-te ao azedume, por irmãos nossos com qualidades, por enquanto, imperfeitas tanto quanto as nossas.

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Se algum traço de amargura se te fixa no coração relativamente ao comportamento infeliz de alguém, através de ações que consideres lesivas aos teus sentimentos, desculpa a esse alguém, procurando esquecer-lhe a falta naturalmente impensada.

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Pondera que se os outros erram, também nós erramos, bastas vezes, na condição de espíritos, ainda ligados às múltiplas faixas da evolução terrestre.

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Não te aceites por infalível, a fim de entenderes com indulgência aqueles que, acaso, te faltem à confiança.

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Reflete na intimidade do coração que ninguém consegue algo realizar sem o concurso de alguém, para que aproveites os valores maduros dos colaboradores que a Divina Providência te confiou, sem estragar-lhes os valores ainda verdes.

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Abstém-te de lastimar fracassos e dificuldades que já passaram e entrega-te à reconstrução da própria paz, em bases de serviço e discernimento.

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Não nos esqueçamos de que, nas mais complicadas circunstâncias, a vida nos requisita a prática do bem e que, por isso mesmo, qualquer ocasião, para cada um de nós, é tempo de compreender e abençoar, auxiliar e servir.


 

(De “Calma”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

RESISTÊNCIA ESPIRITUAL

  "Era perto da meia-noite; Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus e os outros presos os escutavam". (Atos, 16:25)  ...