quarta-feira, 1 de abril de 2026

PADECER

 
“Nada temas das coisas que hás de
padecer.” (APOCALIPSE, 2: 10)
  

Uma das maiores preocupações do Cristo foi alijar os fantasmas do medo das estradas dos discípulos.

A aquisição da fé não constitui fenômeno comum nas sendas da vida.

Traduz confiança plena.

Afinal, que significará “padecer”?

O sofrimento de muitos homens, na essência, é muito semelhante ao do menino que perdeu seus brinquedos.

Numerosas criaturas sentem-se eminentemente sofredoras, por não lhes ser possível a prática do mal; revoltam-se outras porque Deus não lhes atendeu aos caprichos perniciosos.

A fim de prestar a devida cooperação ao Evangelho, é justo nos incorporemos à caravana fiel que se pôs a caminho do encontro com Jesus, compreendendo que o amigo leal é o que não procura contender e está sempre disposto à execução das boas tarefas.

Participar do espírito de serviço evangélico é partilhar das decisões do Mestre, cumprindo os desígnios divinos do Pai que está nos Céus.

Não temamos, pois, o que possamos vir a sofrer.

Deus é o Pai magnânimo e justo.

Um pai não distribui padecimentos. Dá corrigendas e toda corrigenda aperfeiçoa.

 

 

Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Caminho, Verdade e Vida

terça-feira, 31 de março de 2026

OBTERÁS

 


Estudos e dissertações em torno da substância
religiosa de “O Livro dos Espíritos”, de ALLAN KARDEC,
de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.
Questão Nr. 660
 

Obterás o que pedes.

Não olvides, contudo, que a vida nos responde aos requerimentos, conforme a nossa conduta na petição.

Sedento, se buscas a água do poço, vasculhando-lhe o fundo, recolherás tão-somente nauseante caldo de lodo.

Faminto, se atiras lama ao vaso que te alimenta, engolirás substância corrupta.

Cansado, se procuras o leito, comunicando-lhe fogo à estrutura, deitar-te-ás numa enxerga de cinzas.

Doente, se injurias a medicação que se te aconselha, alterando-lhe as doses, prejudicarás o próprio organismo.

Isso acontece porque a fonte, encravada no solo, é constrangida a guardar os detritos com que lhe poluem o seio; o prato é forçado a reter os resíduos que se lhe imponham à face; o colchão é impelido a desintegrar-se ao calor do incêndio, e o remédio, aplicado com desrespeito, pode exercer ação contrária a seus fins.

Ocorre o mesmo, em plena analogia de circunstâncias, na esfera ilimitada do espírito.

Desesperado ou infeliz, desanimado ou descrente, não te valhas do irmão de que te socorres, tentando convertê-lo em cobaia para teus caprichos, porque toda alma é um espelho para outra alma, e teremos nos outros o reflexo de nós mesmos.

Sombra projetada significa sombra de volta.

Negação cultivada pressagia a colheita de negação.

Se aspiras a desembaraçar-te das trevas, não desajustes a tomada humilde, capaz de trazer-te a força da usina.

Oferece-lhe meios simples para o trabalho certo e a luz se fará correta na lâmpada.

Clareia para que te clareiem.

Auxilia para que te auxiliem.

Estuda, servindo, para que o cérebro hipertrofiado não te resseque o coração distraído.

Indaga, edificando, para que a inércia te não confunda.

Fortaleçamos o bem para que o bem nos encoraje.

Compreendamos a luta do próximo, a fim de que o próximo nos entenda igualmente a luta.

Lembra-te, pois, da eficácia da prece e ora, fazendo o melhor, para que o melhor se te faça, sem te esqueceres jamais de que toda rogativa alcança resposta segundo o nosso justo merecimento.

 


 

De “Religião dos Espíritos”, de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel

domingo, 29 de março de 2026

RAZÕES DA VIDA

 

Indagas, muita vez, alma querida e boa:
- "Meu Deus, por que essa dor que me atormenta o ser?"
E segues, trilha afora, em pranto oculto,
De sonho encarcerado, a lutar e a sofrer.


Anelas outro clima, outro lar e outros rumos,
Entretanto, o dever te algema o coração dorido
Ao campo de trabalho que abraçaste,
Atendendo, na Terra, a divino sentido.


Antes de renascer, os seres responsáveis
Notam as próprias dívidas quais são
E suplicam a Deus lhes conceda no mundo
Caminho que os leve à redenção.


Não recalcitres, pois, contra os próprios encargos
Que te parecerem fardos de problemas,
Encontras-te no encalço da conquista
De bênçãos imortais e alegrias supremas.


A lágrima que vertes padecendo
Longas tribulações  entre lutas e crises
É um remédio da vida  em nossos olhos,
Que nos faculte ver os irmãos infelizes.


O abandono dos seres que mais amas
Criando-te a aflição em que choras e anseias.


É um curso de lições em que aprendemos
Quanto custam na estrada as angústias alheias.
Familiares que te contrariam
Trazem-nos a lembrança os gestos rudes
Com que outrora ferimos entes caros
No fel de nossas próprias atitudes.


Afeição de outras eras que descubras
Querendo-lhe debalde a presença e a união,
É instrumento de amor que te inspira a renúncia
Para o trabalho da sublimação.


A experiência humana é breve aprendizado
E essa tribulação que te fere e domina
É recurso dos Céus, em nosso amparo,
Zelo, defesa e luz da Bondade Divina.


Sofre sem reclamar a prova que te coube,
Mesmo que a dor te espanque  atingindo apogeus... 
E, um dia, exclamarás, ante os sóis de outra vida:
-       "Bendita seja a Terra!... Obrigado  meu Deus!..."

 

 


Francisco Cândido Xavier por Maria Dolores. In: A vida conta

sexta-feira, 27 de março de 2026

PACIÊNCIA E CARIDADE


             Aturdem-te os comentários malsãos que são entretecidos contra a tua pessoa, ferindo-te as mais caras aspirações.

             Sofres o aguilhão das dificuldades e malícias que são postas no teu caminho, atingindo as carnes da tua alma.
             Padeces a incompreensão gratuita de pessoas bem formadas, que se deixam anestesiar pelos vapores da antipatia e voltam a sua animosidade contra ti, não descansando na faina de sensibilizar-te.
             Experimentas angústia, quando te informas dos problemas inconseqüentes que são criados, envolvendo teu nome e tua ação em rudes colocações ou informes pejorativos.
             Gostarias, talvez, de caminhar sem tropeço, desconhecendo impedimentos. Todavia, não te olvides que te encontras na Terra e este é o campo ao qual foste chamado para o serviço.
             Além de auxiliar-te a desenvolver a paciência e exercitar-te a humildade correta, propicia-te o desapego aos transitórios conceitos do mundo.
             Nem mesmo Jesus, impoluto e incorruptível, experimentou uma trajetória de exceção, padecendo azorragues de todo tipo e qualidade, a fim de ensinar-nos coragem e valor.
             Diante das dores que te chegam oriundas das mais variadas gêneses, vive a caridade da paciência.
             Caridade para com aqueles que te não compreendem e paciência ante a prova.
             Desprezado e estigmatizado pela intolerância e insistência dos que preferem perseguir a servir, adestra-te na caridade da paciência.
             Caridade difícil é desculpar o ofensor e tê-lo em conta de enfermo, necessitado da tua amizade e consideração. Ao mesmo tempo, é caminho iluminativo para tuas aspirações, através de paciência com perseverança no dever.
             São caridade a doação de amor, a transferência de recursos e moedas para amenizar provações e dores, os socorros fraternos da sopa e do pão, todavia, a paciência em relação aos que se obstinam em dificultar-nos a marcha no bem, buscando o Pai, constitui a excelente caridade moral de que todos necessitamos, desde que, ontem por certo, tenhamos delinqüido, aprendendo, agora, a reparar, ou estejamos a equivocar-nos necessitando, por nossa vez, da doação da benevolência do nosso próximo.
             A caridade da paciência é das mais expressivas virtudes que o cristão autêntico deve cultivar.

*
             Jesus, esperando-nos e amando-nos sem cansaço, até hoje, oferece-nos o exemplo sublime e sem retoques da caridade pela paciência.



(Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis. In: Alerta)

quinta-feira, 26 de março de 2026

A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO

 
 

        Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se degladiarem indefinidamente.

       Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre e o ódio viveria eternizado, transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer.

       A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo, suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.

       De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.

       O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas interiores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.

       Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência a experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas faltas recíprocas, dia a dia.

       Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.

       Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.

       Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.

       O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.

       Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixa, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.

       Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.

 

 

Emmanuel

(De “Família”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)

quarta-feira, 25 de março de 2026

VOCÊ E OS OUTROS

 

Amigo, atendamos ao apelo da fraternidade.

*

Abra a própria alma às manifestações generosas para com todos os seres, sem trancar-se na torre de falsas situações, à frente do mundo.

*

A pretexto de viver com dignidade, não caminhe indiferente ao passo dos outros.

*

Busque relacionar-se com as pessoas de todos os níveis sociais, erguendo amigos além das fronteiras do lar, da fé religiosa e da profissão.

*

Evite a circunspecção constante e a tristeza sistemática que geram a frieza e sufocam a simpatia.

*

Não menospreze a pessoa mal vestida nem a pessoa bem posta.

*

Não crie exceções na gentileza, para com o companheiro menos experiente ou menos educado, nem humilhe aquele que atenta contra a gramática.

*

Não deixe meses, sem visitar e falar aos irmãos menos favorecidos, como quem lhe ignora os sofrimentos.

*

Não condiciones as relações com os outros ao paletó e à gravata, às unhas esmaltadas ou aos sapatos brilhantes, que possam mostrar.

*

Não se escravize a títulos convencionais nem amplie as exigências da sua posição em sociedade.

*

Dê atenção a quem lha peça, sem criar empecilhos.

*

Trave conhecimento com os vizinhos, sem solenidade e sem propósito de superioridade.

*

Faça amizades desinteressadamente.

*

Aceite o favor espontâneo e preste serviço, também sem pensar em remuneração.

*

Ninguém pode fugir à convivência da Humanidade.

*

Saiba viver com todos, para que o orgulho não lhe solape o equilíbrio.

*

Quem se encastela na própria personalidade é assim como o poço de água parada, que envenena a si mesmo.

*

Seja comunicativo.

*

Sorria à criança.

*

Cumprimente o velhinho.

*

Converse com o doente.

*

Liberte o próprio coração, destruindo as barreiras de conhecimento e fé, título e tradição, vestimenta e classe social, existentes entre você e as criaturas e a felicidade, que você fizer para os outros, será luz da felicidade sempre maior, brilhando em seu caminho.

 

 


Francisco Cândido Xavier por André Luiz. In: Apostilas da Vida

terça-feira, 24 de março de 2026

COM CARIDADE


“Todas as vossas coisas sejam feitas com
caridade.” Paulo (I Coríntios, 16:14)

Ainda existe muita gente que não entende outra caridade, além daquela que se veste de trajes humildes aos sábados ou domingos para repartir algum pão com os desfavorecidos da sorte, que aguarda calamidades públicas para manifestar-se ou que lança apelos comovedores nos cartazes da imprensa.

Não podemos discutir as intenções louváveis desse ou daquele grupo de pessoas; contudo, cabe-nos reconhecer que o dom sublime é de sublime extensão.

Paulo indica que a caridade, expressando amor cristão, deve abranger todas as manifestações de nossa vida.

Estender a mão e distribuir reconforto é iniciar a execução da virtude excelsa. Todas as potências do espírito, no entanto, devem ajustar-se ao preceito divino, porque há caridade em falar e ouvir, impedir e favorecer, esquecer e recordar. Tempo virá em que a boca, os ouvidos e os pés serão aliados das mãos fraternas nos serviços do bem supremo.

Cada pessoa, como cada coisa, necessita da contribuição da bondade, de modo particular.

Homens que dirigem ou que obedecem reclamam-lhe o concurso santo, a fim de que sejam esclarecidos no departamento da Casa de Deus, em que se encontram. Sem amor sublimado, haverá sempre obscuridade, gerando complicações.

Desempenha tuas mínimas tarefas com caridade, desde agora.

Se não encontras retribuição espiritual, no domínio do entendimento, em sentido imediato, sabes que o Pai acompanha todos os filhos devotadamente.

Há pedras e espinheiros? Fixa-te  em Jesus e passa.


 

Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso


PADECER

  “Nada temas das coisas que hás de padecer.” (APOCALIPSE, 2: 10)     Uma das maiores preocupações do Cristo foi alijar os fanta...