segunda-feira, 26 de outubro de 2026

PROVAÇÕES DOS ENTES QUERIDOS


            Não temos pela frente tão-só as nossas dificuldades, mas igualmente as dificuldades das pessoas queridas, pela quais, muitas vezes, sofremos muito mais que por nós próprios.
            Forçoso, porém, anotar que, em nos interessando pelo apoio aos entes queridos, nunca estamos a sós, porquanto Deus, que no-los emprestou ao convívio, permanece velando sem olvidá-los.
            Nos dias de cinza e sombra da provação, doemos aos entes amados o melhor de nossa ternura, mas evitemos insuflar-lhes pessimismo ou desconfiança, ansiedade ou inquietação.
            Se nos pedem conselhos, não descambemos para sugestões pessoais, e sim, ajudemo-los a buscar a Inspiração Divina, através da prece, porque Deus lhes conhece as necessidades e lhes traçará seguro roteiro ao comportamento.
            Se doentes, mais que justo lhes ministremos assistência e carinho; todavia, empenhemo-nos em guiar-lhes o pensamento para o otimismo, convencidos de que Deus lhes resguarda a existência em cada batimento do coração.
            Se empreendem mudanças em seu próprio caminho, abstenhamo-nos de interferir nas decisões que assumam, e sim, em vez disso, diligenciemos abençoar-lhes os planos de renovação e melhoria, compreendendo que a Divina Providência vigia sobre nós, orientando-nos os passos.
            Se resvalam em duras provas, trabalhemos por aliviá-los e libertá-los, que isso é dever nosso, mas sem tortura-los com a nossa inconformidade e aflição, na certeza de que Deus não está ausente do quinhão de lutas regenerativas ou edificantes que nos cabem a todos, em certas faixas de tempo.
            Auxiliemos nossos entes queridos a serem autênticos, como são e como devem ser perante a vida.
            Indiscutivelmente, tanto quanto irrompem problemas em nossa estrada, inúmeros outros problemas aparecem no campo de ação daqueles que mais amamos; no entanto, a fim de ampará-los com eficiência e segurança, atuemos em favor deles, em bases de equilíbrio e de amor, reconhecendo que não estamos sozinhos na empresa socorrista, de vez que, muito antes de nós, Deus estava e continua a estar no caso de cada um.

  


(De “Alma e Coração”. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

domingo, 25 de outubro de 2026

A PALAVRA DA CRUZ

 

“Porque a palavra da cruz é loucura para os

que perecem, mas para nós que somos

salvos é o poder de Deus.”

– Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 1:18)


A mensagem da cruz é dolorosa em todos os tempos.

Do Calvário desceu para o mundo uma voz, a princípio desagradável e incompreensível.

No martirológio do Mestre situavam-se todos os argumentos de negação superficialmente absoluta.

O abandono completo dos mais amados.

A sede angustiosa.

Capitulação irremediável.

Perdão espontâneo que expressava humilhação plena.

Sarcasmo e ridículo entre ladrões.

Derrota sem defensiva.

Morte infamante.

Mas o Cristo usa o fracasso aparente para ensinar o caminho da Ressurreição Eterna, demonstrando que o “eu” nunca se dirigirá para Deus, sem o aprimoramento e sem a sublimação de si próprio.

Ainda hoje, a linguagem da cruz é loucura para os que permanecem interminavelmente no círculo de reencarnações de baixo teor espiritual; semelhantes criaturas não pretendem senão mancomunar-se com a morte, exterminando as mais belas florações do sentimento.

Dominam a muitos, incapazes do próprio domínio, ajuntam tesouros que a imprudência desfaz e tecem fios escuros de paixões obcecantes em que sucumbem, vezes sem conta, à maneira da aranha encarcerada nas próprias teias.

Repitamos a mensagem da cruz ao irmão que se afoga na carne e ele nos classificará à conta de loucos, mas todos nós, que temos sido salvos de maiores quedas pelos avisos da fé renovadora, estamos informados de que, nos supremos testemunhos, segue o discípulo para o Mestre, quanto o Mestre subiu para o Pai, na glória oculta da crucificação.


  

 

Fonte Viva. Francisco C Xavier por Emmanuel

sábado, 24 de outubro de 2026

NÓS E O MUNDO

 

“Dai-vos e ser-vos-á dado” - 

JESUS – LUCAS, 6; 38.

 

“Vós, porém, que vos retirais do mundo,

para lhe evitar as seduções e viver no insulamento,

que utilidade tendes na Terra?

Onde a vossa coragem nas provações,

uma vez que fugis à luta e desertais do combate?

Cap. V, 26”

 

       Muitos religiosos afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas, procurando o deserto para acobertar a pureza, entretanto, mesmo aí, no silencioso retiro em que se entregam a perigoso ócio da alma, por mais humildes se façam, comem os frutos e vestem a estamenha que o mundo lhes oferece.

       Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e discórdia, viciação e delinquência, como quem se vê diante de um serpentário, contudo, é no mundo que recolhemos precioso material em que gravam as próprias ideias e encontram os leitores que lhes compram os livros.

       Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malícia e perversidade, qual se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em piscina de lodo, todavia, é no mundo que adquirem os conhecimentos com que ornam o próprio verbo e acham os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra.

       Muitas pessoas dizem que o mundo é antro de perdição em que as trevas do mal senhoreiam a vida, no entanto, é no mundo que receberam o regaço materno para tomarem o arado da experiência e é no mundo que se nutrem confortavelmente a fim de demandarem mais altos planos evolutivos.

       O mundo, porém, obra-prima da Criação, indiferentes às acusações gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o progresso e sustentando as esperanças da Humanidade.

*

       Fugir de trabalhar e sofrer no mundo, a título de resguardar a virtude, é abraçar o egoísmo mascarado de santidade.

       O aluno diplomado em curso superior não pode criticar a bisonhice das mentes infantis, reunidas nas linhas primárias da escola.

       Os bons são realmente bons se amparam os menos bons.

       Os sábios fazem jus à verdadeira sabedoria se buscam dissipar a névoa da ignorância.

       O Espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e auxiliar.

       Doemos, pois, ao mundo ainda que seja o mínimo do máximo que recebemos dele, compreendendo e servindo aos outros, sem atribuir ao mundo os erros e desajustes que estão em nós.

 

 

 

 

De “Livro da Esperança”

de Francisco Cândido Xavier

pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

MÃOS À OBRA

 

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos

ajuntais, cada um de vós tem doutrina,

tem revelação, tem língua, tem interpretação.

Faça-se tudo para edificação.”

– Paulo (1ª Epístola aos Coríntios, 14:26)

 

 

A igreja de Corinto lutava com certas dificuldades mais fortes, quando Paulo lhe escreveu a observação aqui transcrita.

O conteúdo da carta apreciava diversos problemas espirituais dos companheiros do Peloponeso, mas podemos insular o versículo e aplicá-lo a certas situações dos novos agrupamentos cristãos, formados no ambiente do Espiritismo, na revivescência do Evangelho.

Quase sempre notamos intensa preocupação nos trabalhadores, por novidades em fenomenologia e revelação.

Alguns núcleos costumam paralisar atividades quando não dispõem de médiuns adestrados.

Por quê?

Médium algum solucionará, em definitivo, o problema fundamental da iluminação dos companheiros.

Nossa tarefa espiritual seria absurda se estivesse circunscrita à freqüência mecânica de muitos, a um centro qualquer, simplesmente para assinalarem o esforço de alguns poucos.

Convençam-se os discípulos de que o trabalho e a realização pertencem a todos e que é imprescindível se movimente cada qual no serviço edificante que lhe compete. Ninguém alegue ausência de novidades, quando vultosas concessões da esfera superior aguardam a firme decisão do aprendiz de boa-vontade, no sentido de conhecer a vida e elevar-se.

Quando vos reunirdes, lembrai a doutrina e a revelação, o poder de falar e de interpretar de que já sois detentores e colocai mãos à obra do bem e da luz, no aperfeiçoamento indispensável.

 

  

Pão Nosso. Francisco C. Xavier por Emmanuel

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A MELODIA DO SILÊNCIO


Na fase terminal de nossas tarefas na noite

de 10 de junho de 1954, tivemos a afetuosa

visita de Meimei, a nossa companheira de

sempre, que, utilizando os recursos psicofônicos

do médium, falou-nos sobre os méritos do

silêncio, em nossa construção espiritual.

 

Repara a melodia do silêncio nas criações divinas.

 

No Céu, tudo é harmonia sem ostentação de força.

 

O Sol brilhando sem ruído...

 

Os mundos em movimento sem desordem...

 

As constelações refulgindo sem ofuscar-nos...

 

E, na Terra, tudo assinala a música do silêncio, exaltando o amor infinito de Deus.

 

A semente germinando sem bulício...

 

A árvore ferida preparando sem revolta o fruto que te alimenta...

 

A água que hoje se oculta no coração da fonte, para dessedentar-te amanhã...

 

O metal que se deixa plasmar no fogo vivo, para ser-te mais útil.

 

O vaso que te obedece sem refutar-te as ordens...

 

Que palavras articuladas lhes definiriam a grandeza?

 

É por isso que o Senhor também nos socorre, através das circunstâncias que não falam, por intermédio do tempo, o sábio mudo.

 

Não quebres a melodia do silêncio, onde tua frase soaria em desacordo com a Lei de Amor que nos governa o caminho!

 

Admira cada estrela na luz que lhe é própria...

 

Aproveita cada ribeiro em seu nível...

 

Estende os braços a cada criatura dentro da verdade que lhe corresponda à compreensão...

 

Discute aprendendo, mas, porque desejes aprender, não precisas ferir.

 

Fala auxiliando, mas não te antecipes ao juízo superior, veiculando o verbo à maneira do azorrague inconsciente e impiedoso.

 

«Não saiba tua mão esquerda o que deu a direita» — disse-nos o Senhor.

 

Auxilia sem barulho onde passes.

 

Recorda a ilimitada paciência do Pai Celestial para com as nossas próprias faltas e ajudemos, sem alarde, ao companheiro da romagem terrestre que, muitas vezes, apenas aguarda o socorro de nosso silêncio, a fim de elevar-se à comunhão com Deus.

 


Do livro: Instruções Psicofônicas, Médium: Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

FAZER LUZ



 "Acolhei o que é débil na fé, não, porém,

para discutir opiniões". - Paulo (Romanos, 14:1)

 

    Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.
    Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.
    A Ciência investiga.
    A Religião crê.
    Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a     Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.
    Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.
    Auxiliemo-nos mutuamente.
    Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.
    Diz o Apóstolo Paulo: "Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.


(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Segue-me)

domingo, 18 de outubro de 2026

MAIORAIS


"E ele, assentando-se, chamou os doze e
disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro,
será o último de todos e servo de todos." 
- (MARCOS, 9:35)

 

    Ser dos primeiros na Terra não é problema de solução complicada.

    Há maiorais no mundo em todas as situações.

    A ciência, a filosofia, o sacerdócio, tanto quanto a política, o comércio e as finanças podem exibi-los, facilmente.

    Os homens principais da ciência, com legitimas exceções, costumam ser grandes presunçosos; os da filosofia, argutos sofistas do pensamento; os do sacerdócio, fanáticos sem compreensão da verdadeira fé. Em política, muitos dos maiorais são tiranos; no comércio, inúmeros são exploradores e, nas finanças, muitos deles não passam de associados das sombras contra os interesses coletivos.

    Ser dos primeiros, no entanto, nas esferas de Jesus sobre a Terra, não é questão de fácil acesso à criatura vulgar.

    Nos departamentos do mundo materializado, os principais devem ser os primeiros a serem servidos e contam com a obediência compulsória de todos.

    Em Cristianismo puro, os espíritos dominantes são os últimos na recepção dos benefícios, porquanto são servos reais de quantos lhes procuram a colaboração fraterna.

    É por isto que em todas as escolas cristãs há numerosos pregadores, muitos mordomos, turbas de operários, cooperadores do culto, polemistas valiosos, doutores da letra, intérpretes competentes, reformistas apaixonados, mas raríssimos apóstolos.

    De modo geral, quase todos os crentes se dispõem ao ensino e ao conselho, prontos ao combate espetaculoso e à advertência humilhante ou vaidosa, poucos surgindo com o desejo de servir, em silêncio, convencidos de que toda a glória pertence a Deus.



 (Emmanuel/Francisco Candido Xavier In: Vinha de Luz)

PROVAÇÕES DOS ENTES QUERIDOS

            Não temos pela frente tão-só as nossas dificuldades, mas igualmente as dificuldades das pessoas queridas, pela quais, muitas vez...