sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PERANTE A MULTIDÃO

 

“E outros, zombando, diziam: Estão cheios
de mosto.” - (Atos, 2:13)

A lição colhida pelos discípulos de Jesus, no Pentecostes, ainda é um símbolo vivo para todos os aprendizes do Evangelho, diante da multidão.

A revelação da vida eterna continua em todas as direções.

Aquele “som como de um vento veemente e impetuoso” e aquelas “línguas de fogo” a que se refere a descrição apostólica, descem até hoje sobre os continuadores do Cristo, entre os filhos de todas as nações.

As expressões do Pentecostes dilatam-se, em todos os países, embora as vibrações antagônicas das trevas.

Todavia, para milhares de ouvintes e observadores apenas funcionam alguns raros apóstolos, encarregados de preservarem a divina luz.

Realmente, são inumeráveis aqueles que, consciente ou inconscientemente, recebem os benefícios da celeste revelação; entretanto, não são poucos os zombadores de todos os tempos, dispostos à irreverência e à ironia, diante da verdade.

Para esses, os leais seguidores do Mestre estão embriagados e loucos. Não compreendem a humildade que se consagra ao bem, a fraternidade que dá sem exigências descabidas e a fé que confia sempre, não obstante as tempestades.

É indispensável não estranhar o assédio desses pobres inconscientes, se te dispões, efetivamente, a servir ao Senhor da Vida. Cercar-te-ão o trabalho, acusando-te de bêbado; criticar-te-ão as atitudes, chamando-te covarde; escutar-te-ão as palavras de amor, conservando a ironia na boca. Para eles, a tua abnegação será envilecimento, a tua renúncia significará incapacidade, a tua fé será interpretada à conta de loucura.

Não hesites, porém, no espírito de serviço. Permaneces, como os primeiros apóstolos, nas grandes praças, onde se acotovelam homens e mulheres, ignorantes e sábios, velhos e crianças...

Aperfeiçoa tuas qualidades de recepção, onde estiveres, porque o Senhor te chamou para intérprete de Sua Voz, ainda que os maus zombem de ti.

 

 

Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

terça-feira, 11 de agosto de 2026

PARÁBOLA DO FERMENTO


 
“O Reino dos Céus é semelhante ao fermento,
que uma mulher tomou e escondeu em
três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.”
(Mateus, XIII, 33 – Lucas, XIII, 20-21.)

 
          Não há quem ignore o processo da panificação. Lança-se um tanto de fermento na massa de farinha, mistura-se e espera-se que fique toda levedada, para o que muito concorre o calor.
        Aparentemente, quem vê a massa não diz que tem fermento; entretanto, depois de algumas horas, a própria massa levedada acusa a presença do mesmo.
        Assim é o Reino dos Céus: o homem não se pode transformar, de simples e ignorante, em elevado e sábio de um momento para outro, como o levedo não transforma a farinha na mesma hora em que nela é posto.
        Aos poucos, à medida que ouve a voz dos profetas, a palavra dos emissários do Alto, a inteligência do homem se vai esclarecendo e o seu Espírito se transforma: ele assimila o Reino dos Céus, que à prima facie lhe pareceu um enigma, mas depois se lhe apresentou positivo, racional, lógico.
        Quem diria que uma só medida de fermento, em três medidas de farinha, leveda a mesma? É preciso, porém, lembrar que o calor, não só na farinha para o pão, como também no homem, para a transformação de Espíritos, é indispensável. E este calor pode traduzir-se na atividade que empregamos para o progresso que somos chamados a conquistar.

 

 


(Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel)

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PODANDO IRRITAÇÕES

 

Se ainda trazes, porventura, o hábito de encolerizar-te, se já consegues reconhecer-lhe os prejuízos, podes claramente erradicá-lo, atendendo à própria renovação.

-x-

Inicia as atividades diárias, pensando em Deus e agradecendo as tuas possibilidades de fazer o bem.

-x-

Medita, raciocinadamente, ante o clima de conhecimento superior que já possuis, na certeza de que te encontras na ocasião de expressar o melhor de ti mesmo.

-x-

Pensa nos companheiros até agora capazes de induzir-te ao azedume, por irmãos nossos com qualidades, por enquanto, imperfeitas tanto quanto as nossas.

-x-

Se algum traço de amargura se te fixa no coração relativamente ao comportamento infeliz de alguém, através de ações que consideres lesivas aos teus sentimentos, desculpa a esse alguém, procurando esquecer-lhe a falta naturalmente impensada.

-x-

Pondera que se os outros erram, também nós erramos, bastas vezes, na condição de espíritos, ainda ligados às múltiplas faixas da evolução terrestre.

-x-

Não te aceites por infalível, a fim de entenderes com indulgência aqueles que, acaso, te faltem à confiança.

-x-

Reflete na intimidade do coração que ninguém consegue algo realizar sem o concurso de alguém, para que aproveites os valores maduros dos colaboradores que a Divina Providência te confiou, sem estragar-lhes os valores ainda verdes.

-x-

Abstém-te de lastimar fracassos e dificuldades que já passaram e entrega-te à reconstrução da própria paz, em bases de serviço e discernimento.

-x-

Não nos esqueçamos de que, nas mais complicadas circunstâncias, a vida nos requisita a prática do bem e que, por isso mesmo, qualquer ocasião, para cada um de nós, é tempo de compreender e abençoar, auxiliar e servir.


 

(De “Calma”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sábado, 8 de agosto de 2026

A LÍNGUA


Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas. 

Ponderada - favorece o juízo. 
Leviana - descortina a imprudência. 
Alegre - espalha otimismo. 
Triste - semeia desânimo. 
Generosa - abre caminho à elevação. 
Maledicente - cava despenhadeiros. 
Gentil - provoca reconhecimento. 
Atrevida - traz a perturbação. 
Serena - produz calma. 
Fervorosa - impõe a confiança. 
Descrente - invoca a frieza.



Autor: André Luiz
Psicografia de Francisco Xavier

Do livro Preces e Mensagens Espirituais

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

RESPONDER

 

“A vossa palavra seja sempre agradável,

temperada com sal, para que saibais

como responder a cada um.”

– Paulo. (Colossenses, 4:6)

 

 

O ato de responder proveitosamente a inteligências heterogêneas exige qualidades superiores que o homem deve esforçar-se por adquirir.

Nem todos os argumentos podem ser endereçados, indistintamente, à coletividade dos companheiros que lutam entre si, nas tarefas evolutivas e redentoras. Necessário redarguir, com acerto, a cada um. Ao que lida no campo, não devemos retrucar mencionando espetáculos da cidade; ao que comenta dificuldades ásperas do caminho individualista, não se replicará com informações científicas de alta envergadura.

Primeiramente, é imprescindível não desagradar a quem ouve, temperando a atitude verbal com a legítima compreensão dos problemas da vida, constituindo-nos um dever contribuir para que os desviados da simplicidade e da utilidade se reajustem.

Toda resposta em assunto importante é remédio. É indispensável saber dosá-lo, com vista aos efeitos. Cada criatura tolerará, com benefício, determinada dinamização. As próprias soluções da verdade e do amor não devem ser administradas sem esse critério. Aplicada em porções inadequadas, a verdade poderá destruir, tanto quanto o amor costuma perder...

Ainda que sejas interpelado pelo maior malfeitor do mundo, deves guardar uma atitude agradável e digna para informar ou esclarecer. Saber responder é virtude do quadro da sabedoria celestial. Em favor de ti mesmo, não olvides o melhor modo de atender a cada um.


 

Livro: Pão Nosso. Francisco C. Xavier por Emmanuel

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A PRECE DE ISMÁLIA

 

“Senhor! dignai-vos assim os nossos humildes tutelados, enviando-nos a luz de vossas bênçãos santificantes, nós estamos, prontos para executar vossa vontade, sinceramente, de secundar vossos altos desígnios convosco, Pai, reúnem-se os irmãos que ainda dormem, anestesiados pela negação espiritual a que se entregaram no mundo.

Desperta Senhor, se é de vossos desígnios sábios e misericordiosos, despertai-os do sono doloroso e infeliz.

Acordai-os para a responsabilidade, para a noção dos deveres justos!...

Magnânimo Rei, apiedai-vos de vossos filhos sofredores; Criador compassivo, levantai as vossas criaturas; Pai Justo, desculpai vossos filhos desventurados! Permiti caia o orvalho do vosso amor infinito sobre o nosso modesto Posto de Socorro!...

Seja feita a vossa vontade acima da nossa, mas se for possível Senhor, deixai que os nossos doentes recebam um raio vivificante da vossa bondade! A voz

“Temos, ao nosso lado, Senhor, infortunadas mães que não souberam descobrir o sentido sublime da fé, resvalando, imprudentemente, nos despenhadeiros da indiferença criminosa; pais que não conseguiram ultrapassar a materialidade no curso da existência humana, incapazes de ver a formosa missão que lhes confiastes; cônjuges desventurados pela incompreensão de vossas leis augustas e generosas; jovens que se entregaram, de corpo e alma aos alvitres da ilusão!...

Muitos deles, atolaram-se no pantanal do crime, agravando destinos dolorosos! Agora dormem, Pai, à espera de vossos desígnios santos.

Sabemos, contudo, Senhor, que este sono não traduz repouso do pensamento.

Quase todos os nossos asilados são vítimas de terríveis pesadelos, por terem olvidado, no mundo material, os vossos mandamentos de amor e sabedoria.

Sob a imobilidade aparente, movimenta-se-lhes o Espírito, entre aflições angustiosas que, por vezes, não podemos sondar.

Perdoe-os, Pai, vossos filhos transviados e nossos companheiros de luta, necessitados de vossa mão paternal para o caminho! Quase todos se desviaram da senda reta, pelas sugestões da ignorância que, como aranha gigantesca, tece os fios da miséria, enredando destinos e corações! Deprecando vossa misericórdia para eles, rogamos, para nós, a verdadeira noção da fraternidade universal! Ensinai-nos a transpor as fronteiras de separação para que vejamos em cada enfermo o irmão necessitado do nosso entendimento! Ajudai-nos a com preensão, a fim de que venhamos a perder todo impulso de acusação nas estradas da vida! Ensinai-nos a amar como Senhor nos amou? Também nós, Senhor, que aqui vos rogamos, fomos leprosos espirituais, cegos do entendimento, paralíticos da vontade, filhos pródigos do vosso amor!...

Também nós dormimos, em tempos idos, nos Postos de Socorro da vossa misericórdia!...

Somos simples devedores, ansiosos de resgatar imensos débitos! Sabemos que vossa bondade nunca falha e esperamos contemplar a bênção de vida e luz!..

 

 

livro: Os Mensageiros – André Luiz- Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

NÃO TE CANSES


 

“Não nos desanimemos de fazer o bem, pois,

a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos”.

– Paulo. (Gálatas, 6:9)

 

Quando o buril começou a ferir o bloco de mármore embrutecido, a pedra, em desespero, clamou contra o próprio destino, mas depois, ao se perceber admirada, encarnando uma das mais belas concepções artísticas do mundo, louvou o cinzel que a dilacerara.

A lagarta arrastava-se com extrema dificuldade e, vendo as flores tocadas de beleza e perfume, revoltava-se contra o corpo disforme; contudo, um dia, a massa viscosa em que se amargurava converteu-se nas asas de graciosa e ágil borboleta e, então, enalteceu o feio corpo com que a Natureza lhe preparara o voo feliz.

O ferro rubro, colocado na bigorna, espantou-se e sofreu, inconformado; todavia, quando se viu desempenhando importantes funções nas máquinas do progresso, sorriu reconhecidamente para o fogo que o purificara e engrandecera.

A semente lançada à cova escura chorou, atormentada, e indagou por que motivo era confiada, assim, ao extremo abandono; entretanto, em se vendo transformada em arbusto, avançou para o Sol e fez-se árvore respeitada e generosa, abençoando a terra que a isolara no seu seio.

Não te canses de fazer o bem.

Quem hoje te não compreende a boa-vontade, amanhã te louvará o devotamento e o esforço.

Jamais te desesperes, e auxilia sempre.

A perseverança é a base da vitória.

Não olvides que ceifarás, mais tarde, em tua lavoura de amor e luz, mas só alcançarás a divina colheita se caminhares para diante, entre o suor e a confiança, sem nunca desfaleceres.


 

 

Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

PERANTE A MULTIDÃO

  “E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.” - (Atos, 2:13) A lição colhida pelos discípulos de Jesus, no Pentecostes, ainda é u...