sábado, 25 de abril de 2026

LIBERDADE

  

“Não useis, porém, da liberdade para dar ocasião

à carne, mas servi-vos uns aos outros

pela caridade.” - Paulo. (Gálatas, 5:13)

 

 

Em todos os tempos, a liberdade foi utilizada pelos dominadores da Terra. Em variados setores da evolução humana, os mordomos do mundo aproveitam-na para o exercício da tirania, usam-na os servos em explosões de revolta e descontentamento.

Quase todos os habitantes do Planeta pretendem a exoneração de toda e qualquer responsabilidade, para se mergulharem na escravidão aos delitos de toda sorte.

Ninguém, contudo, deveria recorrer ao Evangelho para aviltar o sublime princípio.

A palavra do apóstolo aos gentios é bastante expressiva. O maior valor da independência relativa de que desfrutamos reside na possibilidade de nos servirmos uns aos outros, glorificando o bem.

O homem gozará sempre da liberdade condicional e, dentro dela, pode alterar o curso da própria existência, pelo bom ou mau uso de semelhante faculdade nas relações comuns.

É forçoso reconhecer, porém, que são muito raros os que se decidem à aplicação dignificante dessa virtude superior.

Em quase todas as ocasiões, o perseguido, com oportunidade de desculpar, mentaliza represálias violentas; o caluniado, com ensejo de perdão divino, recorre à vingança; o incompreendido, no instante azado de revelar fraternidade e benevolência, reclama reparações.

Onde se acham aqueles que se valem do sofrimento, para intensificar o aprendizado com Jesus-Cristo? Onde os que se sentem suficientemente livres para converter espinhos em bênçãos? No entanto, o Pai concede relativa liberdade a todos os filhos, observando-lhes a conduta.

Raríssimas são as criaturas que sabem elevar o sentido da independência a expressões de voo espiritual para o Infinito. A maioria dos homens cai, desastradamente, na primeira e nova concessão do Céu, transformando, às vezes, elos de veludo em algemas de bronze.

 


Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

sexta-feira, 24 de abril de 2026

NA ESFERA DO REAJUSTE


 
“Não te admires de eu te dizer: importa-vos
nascer de novo” – Jesus (JOÃO, 3:7)
 

Empeços e provações serão talvez os marcos que te assinalem a estrada hoje.

Diligenciemos, porém, com a reencarnação a retificar os erros e a ressarcir os débitos de ontem, para que a luz da verdade e o apoio da harmonia nos felicitem o caminho, amanhã...

A questão intrincada que te apoquenta agora, quase sempre, é o problema que abandonaste sem solução entre os amigos que, em outro tempo, se rendiam, confiantes, ao teu arbítrio.

O parente complicado que julgas carregar, por espírito de heroísmo, via de regra, é a mesma criatura que, em outra época, arrojaste ao desespero e à perturbação.

Ideais nobilitantes pelos quais toleras agressões e zombarias, considerando-te incompreendido seareiro do progresso, em muitas ocasiões, são aqueles mesmos princípios que outrora espezinhaste, insultando a sinceridade dos companheiros que a eles se associavam.

Calúnias que arrostas, crendo-te guindado aos píncaros da virtude pela paciência que evidencias, habitualmente nada mais são que o retorno das injúrias que assacaste, noutras eras, contra irmãos indefesos.

Falhas do passado procuram-te responsável, no corpo, na família, na sociedade ou na profissão, pedindo-te reajuste.

“Necessário vos é nascer de novo” – disse-nos Jesus.

Bendizendo, pois, a reencarnação, empenhemo-nos a trabalhar e aprender, de novo, com atenção e sinceridade, para que venhamos a construir e acertar em definitivo.

  

 

Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.

In: Palavras de Vida Eterna

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O PERFUME DO TRABALHO


É comum ouvir de certos encarnados a expressão pela ânsia de férias, de descanso, na pauta da vida. Como se enganam esses companheiros, quando querem somente livrar-se do labor!

É necessário que se compreenda que o trabalho é a base da vida; é, por assim dizer, a essência de tudo, é o princípio do progresso, na expansão das belezas imortais.

Deus nos mostra o valor do trabalho pelas coisas que observamos no universo... Quem foi que fez os sóis? Quem fez as estrelas? Quem organizou a natureza? E, enfim, quem fez as coisas observáveis? Foi o Senhor, pelos fios do que chamamos trabalho.

Se queres crescer para Deus, dá demãos ao trabalho, em qualquer parte a que fores chamado a realizá-lo, seja ele qual for.

Trabalha na vigilância da oficina da mente, trabalha na lavoura do verbo, trabalha nas regiões da própria vida.

Trabalha, meu irmão, no pequeno, para que possas ser grande na grandeza da vida, procurando no sentimento do coração os valores da vida, do amor, da caridade, da fraternidade e do perdão.

O trabalho pode aparecer em qualquer lugar, mesmo em se conduzindo graves enfermidades, pois o enfermo pode mostrar, como trabalhador, como ter paciência, compreendendo as lições. Nas profissões, pode-se dar exemplo de trabalho digno com honestidade, onde se pode evidenciar o Cristo atuante, como exemplo de luz.

Aquele que consegue a urdidura do amor no trabalho, dele sente o aroma, lembrando Jesus, porque o trabalho na caridade perfuma, cura, eleva e dignifica a fé, mostrando que Deus é Pai, Jesus é o Guia. A humanidade se unifica pelo labor em uma só fé e em um só amor, procurando salvar-se pelas forças da caridade, que é um trabalho divino, sob a égide de Deus, nas bênçãos de Cristo, pela expressão da benevolência.



De “Páginas Esparsas 3”, de João Nunes Maia, pelos Espíritos Scheilla e José Grosso

quarta-feira, 22 de abril de 2026

PRATICAS A CARIDADE?

 

            Por meio de uma linha de pensamentos de enternecedora sensibilidade, nas páginas de luz de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o notável Adolfo, bispo de Argel, trabalha eloquente reflexão sobre a prática da beneficência.
            Enaltecendo os valores que estão enraizados na realização beneficente, o nobre religioso desencarnado faz pensar todo aquele que passa pelo mundo, muitas vezes sem atinar para a importância da sua atuação junto às dores e às dificuldades outras, que aturdem incontáveis filhos de Deus.
            Não são poucos os que afirmam que se as pessoas sofrem é porque fizeram por merecer. Que não deveríamos intervir para que não as impeçamos de cumprir o seu resgate com as leis do Sempiterno.
            Não caberia duvidar do fato de que os padecimentos de quaisquer ordens estão alicerçados sobre necessidades provacionais ou expiatórias. Conviria, porém, cada um refletisse nas razões que levaram o Criador a situar esses necessitados exatamente próximos a nós.
            Sabemos que Deus não se equivoca, e, por não se equivocar, aproxima os que necessitam receber daqueles que necessitam aprender a dar.
            É imprescindível que cada alma reencarnada no planeta desenvolva a sensibilidade diante dos problemas alheios, tanto quanto gostaria de contar com a sensibilidade dos outros em suas quadras de sofrimentos morais ou de carências materiais.
            Nessas atitudes de elaborar o bem do próximo é que a caridade opera os milagres do amor, propiciando inabordáveis estesias aos corações que a operam.
            E tu que avanças na busca de Deus, pelos caminhos do mundo, praticas a caridade?
            Sabes que numa sociedade complexa como a em que vives, são infinitas as chances de realizares a caridade, pois não é só de pão, roupa ou medicação que se constituem as necessidades humanas.
            A caridade da boa palavra chega sempre em boa hora, para alguém aflito, sem nobres perspectivas para os caminhos.
            A caridade do silêncio será auxílio eficaz na hora do tumulto, quando alguém necessita de espaço mental para pensar e meditar por si mesmo.
            A caridade da mensagem de esperança, para quem não vê senão desalento e caos na própria estrada.
            A caridade de dizer não a quem se apresta para mergulhar em pântanos de alucinações contando com o seu aval.
            A caridade da presença cooperadora, que permita aos irmãos saberem que podem contar conosco em tempos de abandono e indiferença.
            A caridade da oferta de um livro espírita a alguém que procura caminhos, enovelado nos cipoais de concepções intelectuais desses tempos.
            Pára e pensa em tudo isso, e inicia ou prossegue o teu esforço por praticar a caridade, porque é por meio dela que, consoante o bispo de Argel, o mundo encontrará a felicidade.



(Livro: Revelações da Luz.  J. Raul Teixeira por Camilo)

terça-feira, 21 de abril de 2026

PERANTE JESUS

  

“Porventura sou eu, Senhor?”
(MATEUS, 26:22)

Diante da palavra do Mestre, reportando-se ao espírito de leviandade e defecção que o cercava, os discípulos perguntaram afoitos :

– “Porventura sou eu, Senhor?”

E quase todos nós, analisando o gesto de Judas, incriminamo-la em pensamento.

Por que teria tido a coragem de vender o Divino Amigo por trinta moedas?

Entretanto, bastará um exame mais profundo em nós mesmos, a fim de que vejamos nossa própria negação à frente do Cristo.

Judas teria cedido à paixão política dominante, enganado pelas insinuações de grupos famintos de libertação do jugo romano... Teria imaginado que Jesus, no Sinédrio, avocaria a posição de emancipador da sua terra e da sua gente, exibindo incontestável triunfo humano...

E, apenas depois da desilusão dolorosa e terrível, teria assimilado toda a verdade!...

Mas nós?

Em quantas existências e situações tê-lo-emos vendido no altar do próprio coração, ao preço mesquinho de nosso desvairamento individual?

Nos prélios da vaidade e do orgulho...

Nas exigências do prazer egoísta...

Na tirania da opinião...

Na crueldade confessa...

Na caça da fortuna material...

Na rebeldia destruidora...

No olvido de nossos deveres...

No aviltamento de nosso próprio trabalho...

Na edificação íntima do Reino de Deus, meditemos nossos erros conscientes ou não, definindo nossas responsabilidades e débitos para com a vida, para com a Natureza e para com os semelhantes e, em todos os assuntos que se refiram à deserção perante o Cristo, teremos bastante força para desculpar as faltas do próximo, perguntando, com sinceridade, no âmago do coração:

– “Porventura existirá alguém mais ingrato para contigo do que eu, Senhor?”

 

 

Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.
In: Palavras de Vida Eterna

domingo, 19 de abril de 2026

SIGAMOS A PAZ

 

“Busque a paz e siga-a.”

– Pedro (1ª Epístola de Pedro, 3:11)

 

Há muita gente que busca a paz; raras pessoas, porém, tentam segui-la.

Companheiros existem que desejam a tranquilidade por todos os meios e suspiram por ela, situando-a em diversas posições da vida; contudo, expulsam-na de si mesmos, tão logo lhes confere o Senhor as dádivas solicitadas.

Esse pede a fortuna material, acreditando seja a portadora da paz ambicionada, todavia, com o aparecimento do dinheiro farto, tortura-se em mil problemas, por não saber distribuir, ajudar, administrar e gastar com simplicidade.

Outro roga a bênção do casamento, mas, quando o Céu lha concede, não sabe ser irmão da companheira que o Pai lhe confiou, perdendo-se através das exasperações de toda sorte.

Outro, ainda, reclama títulos especiais de confiança em expressivas tarefas de utilidade pública, mas, em se vendo honrado com a popularidade e com a expectativa de muitos, repele as bênçãos do trabalho e recua espavorido.

Paz não é indolência do corpo. É saúde e alegria do espírito.

Se é verdade que toda criatura a busca, a seu modo, é imperioso reconhecer, no entanto, que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.

Recebido o trabalho que a Confiança Celeste nos permite efetuar, é imprescindível saibamos usar a oportunidade em favor de nossa elevação e aprimoramento.

Disse Pedro – “Busque a paz e siga-a.”

Todavia, não existe tranquilidade real sem Cristo em nós, dentro de qualquer situação em que estejamos situados, e a fórmula de integração da nossa alma com Jesus é invariável:

“Negue cada um a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” Sem essa adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do Mestre Divino, ao invés de paz, teremos sempre renovada guerra, dentro do coração.


 

(De “Fonte Viva”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O IRMÃO

 

“A caridade é sofredora, é benigna;
a caridade não é invejosa, não trata com
leviandade, não se ensoberbece.”
– Paulo. (I Coríntios, 13:4)

Quem dá para mostrar-se é vaidoso.

Quem dá para torcer o pensamento dos outros, dobrando-o aos pontos de vista que lhe são peculiares, é tirano.

Quem dá para livrar-se do sofredor é displicente.

Quem dá para exibir títulos efêmeros é tolo.

Quem dá para receber com vantagens é ambicioso.

Quem dá para humilhar é companheiro das obras malignas.

Quem dá para sondar a extensão do mal é desconfiado.

Quem dá para afrontar a posição dos outros é soberbo.

Quem dá para situar o nome na galeria dos benfeitores e dos santos é invejoso.

Quem dá para prender o próximo e explorá-lo é delinqüente potencial.

Em todas essas situações, na maioria dos casos, quem dá se revela um tanto melhor que todo aquele que não dá, de mente cristalizada na indiferença ou na secura; todavia, para aquele que dá, irradiando o amor silencioso, sem propósitos de recompensa e sem mescla de personalismo inferior, reserva o Plano Maior o título de Irmão.

 

 

Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

 

LIBERDADE

    “Não useis, porém, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade.” - Paulo. (Gálatas, 5:13) ...