quinta-feira, 9 de outubro de 2025

CAMINHOS DO CORAÇÃO

 

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que se faz no invólucro carnal.

Há caminhos atapetados de facilidades, que conduzem a profundos abismos do sentimento.

Apresentam-se caminhos ásperos, coalhados de pedrouços que ferem, na forma de vícios e derrocadas morais escravizadores.

Abrem-se, atraentes, caminhos de vaidade, levando a situações vexatórias, cujo recuo se torna difícil.

Repontam caminhos de angústia, marcados por desencantos e aflições desnecessárias, que se percorrem com loucura irrefreável.

Desdobram-se caminhos de volúpias culturais, que intoxicam a alma de soberba, exilando-a para as regiões da indiferença pelas dores alheias.

Aparecem caminhos de irresponsabilidade, repletos de soluções fáceis para os problemas gerados ao longo do tempo.

Caminhos e caminhantes!

Existem caminhos de boa aparência, que disfarçam dificuldades de acesso e encobrem feridas graves no percurso.

Caminhos curtos e longos, retos e curvos, de ascensão e descida estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos.

Todos eles conduzem a algum lugar, ou se interrompem, ou não levam a parte alguma... São, apenas, caminhos: começados, interrompidos, concluídos...

*

Tens o direito de escolher o teu caminho, aquele que deves seguir.

Ao fazê-lo, repassa pela mente os objetivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima, assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir.

Se possível, opta pelos caminhos do coração.

Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente, esperando por ti.

*

O homem estremunha-se entre os condicionamentos do medo, da ambição, da prepotência e da segurança que raramente discerne com correção.

O medo domina-lhe as paisagens íntimas, impedindo-lhe o crescimento, o avanço, retendo-o em situação lamentável, embora todas as possibilidades que lhe sorriem esperança.

A ambição alucina-o, impulsionando-o para assumir compromissos perturbadores que o intoxicam de vapores venenosos, decorrentes da exagerada ganância.

A prepotência anestesia-lhe os sentimentos, enquanto lhe exacerba as paixões inferiores, tornando-o infeliz, na desenfreada situação a que se entrega.

A liberdade a que aspira, propõe-lhe licenças que se permite sem respeito aos direitos alheios nem observância dos deveres para com o próximo e a vida, destruindo qualquer possibilidade de segurança, que, aliás, é sempre relativa enquanto se transita na veste física.

Os caminhos do coração se encontram, porém, enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade e satisfaz-se com os dons do espírito — ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundária importância — os serviços enobrecedores e a paz, que são a verdadeira segurança em relação às metas a conquistar.

Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso.

*

Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao Reino dos Céus. Francisco de Assis seguiu-Lhe o exemplo e tornou-se o herói da humildade.

Vicente de Paulo optou pelos mesmos e fez-se o campeão da caridade.

Gandhi redescobriu-os e comoveu o mundo, revelando-se como o apóstolo da não-violência.

Incontáveis criaturas, nos mais diversos períodos da Humanidade e mesmo hoje, identificaram esses caminhos do coração e avançam com alegria na direção da plenitude espiritual.

Diante dos variados caminhos que se desdobram convidativos, escolhe os caminhos do coração, qual ovelha mansa, e deixa que o Bom Pastor te conduza ao aprisco pelo qual anelas.

 

 

 

 

 

FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Felicidade

Pelo Espírito Joanna de Ângelis

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

JESUS PARA O HOMEM


 “E achado em forma como homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente
até à morte de cruz”.
- PAULO (Fillipenses, 2:8)


    O Mestre desceu para servir.
    Do esplendor à escuridão...
    Da alvorada eterna à noite plena...
    Das estrelas à manjedoura...
    Do infinito à limitação...
    Da glória à carpintaria...
    Da grandeza à abnegação...
    Da divindade dos anjos à miséria dos homens...
    Da companhia de gênios sublimes à convivência dos pecadores...
    De governador do mundo a servo de todos...
    De credor magnânimo a escravo...
    De benfeitor a perseguido...
    De salvador a desamparado...
    De emissário do amor à vítima do ódio...
    De redentor dos séculos a prisioneiro das sombras...
    De celeste pastor à ovelha oprimida...
    De poderoso trono à cruz do martírio...
    Do verbo santificante ao angustiado silêncio...
    De advogado das criaturas a réu sem defesa...
    Dos braços dos amigos ao contacto de ladrões...
    De doador da vida eterna a sentenciado no vale da morte...
    Humilhou-se e apagou-se para que o homem se eleve e brilhe para sempre!
    Oh! Senhor, que não fizeste por nós, a fim de aprendermos o caminho da Gloriosa
    Ressurreição no Reino?


 

(Livro: ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL –  Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

terça-feira, 7 de outubro de 2025

SEMEADORES

 

“Eis que o semeador saiu a semear.”
– Jesus. (Mateus, 13:3)

Todo ensinamento do Divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a parábola do semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.

Não nos fala que o semeador deva agir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.

Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa-vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.

É necessário desintegrar o velho cárcere do “ponto de vista” para nos devotarmos ao serviço do próximo.

Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do “eu”, excursionaremos através do grande continente denominado “interesse geral”. E, na infinita extensão dele, encontraremos a “terra das almas”, sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.

Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças.

Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento.

Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.

Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a “sair para semear”.

 


XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

APRENDAMOS COM JESUS

 

“Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos

uns aos outros, se algum tiver queixa;

assim como o Cristo vos perdoou, assim fazei

vós também.” Paulo. (Colossenses, 3:13)

 

 

É impossível qualquer ação de conjunto, sem base na tolerância.

Aprendamos com o Cristo.

O Homem identifica no próprio corpo a lei da cooperação, sem a qual não permaneceria na Terra.

Se o estômago não suportasse as extravagâncias da boca, se as mãos não obedecessem aos impulsos da mente, se os pés não tolerassem o peso da máquina orgânica, a harmonia física resultaria de todo impraticável.

A queixa desfigura a dignidade do trabalho, retardando-lhe a execução.

Indispensável cultivar a renúncia aos pequenos desejos que nos são peculiares, a fim de conquistarmos a capacidade de sacrifício, que nos estruturará a sublimação em mais altos níveis.

Para que o trabalho nos eleve, precisamos elevá-lo.

Para que a tarefa nos ajude, é imprescindível nos disponhamos a ajudá-la.

Recordemos que o supremo orientador das equipes de serviço cristão é sempre Jesus. Dentro delas, a nossa oportunidade de algo fazer constitui só por si valioso prêmio.

Esqueçamo-nos, assim, de todo o mal, para construirmos todo o bem ao nosso alcance.

E, para que possamos agir nessas normas, é imperioso suportar-nos como irmãos, aprendendo com o Senhor, que nos tem tolerado infinitamente.

 



Livro: Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

domingo, 5 de outubro de 2025

HERANÇA

 

Porque as riquezas não duram sempre; e duraria

a coroa de geração em geração?

Pv. 27:24

 

As riquezas não duram para sempre, essa é a verdade. Os patrimônios são de Deus, nós somos apenas herdeiros temporários. Se és rico, te cabe o dever de zelar pela riqueza, sem contudo, esquecer de fazê-la circular em benefício da coletividade.

+*+*+

Não fiques esperando herança dos teus progenitores, para que possas firmar na vida. Trabalha sem pensar em tal preocupação porque o que recebes sem esforço próprio pode te confundir a existência.

Quando Deus achar conveniente, Ele colocará os recursos nas mãos certas.

+*+*+

O interesse ainda vigente no coração da criatura é herdar bens materiais. Por que não pensar no legado moral dos seus pais?

O ouro do Espírito dura eternamente, e é sempre luz no caminho.

+*+*+

A posição é passageira, mas a honra é duradoura.

+*+*+

Todos nós temos um quinhão na vida par cuidar. Se nos faltarem os cuidados poderá surgir a perda, antecipando os sofrimentos para nos corrigirmos. A grande vinha de Deus pertence igualmente a todos por justiça, porém, às vezes, é dado mais a quem tem muito, por faltar disposição e fé em quem nada possui.

+*+*+

Os homens lutam pela independência socioeconômica, entretanto, poucos se interessam em livrar-se da ignorância, por lhes faltarem o ânimo para duras corrigendas. Parece ser o “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”, caminho estreito e pouco convidativo.

+*+*+

O patrimônio legítimo assenta raízes no amor. Quem renuncia aos bens materiais na hora em que deve tomar posse deles, tem medo da sua influência e não cumpre o seu dever diante de Deus. Quem conhece a verdade, nada teme.

+*+*+

O apego é que escraviza, e não a posse; a usura é que distorce a verdade, e não o cuidado; o egoísmo é que perturba a consciência, e não o zelo.

+*+*+

Todos somos herdeiros das belezas imortais da criação e da felicidade dos filhos de Deus. Elas moram igualmente dentro de nós em formas variáveis, nos atendendo na dimensão em que os nossos entendimentos alcançam.

 

 

 

De “GOTAS DE AMOR”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Carlos

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

NOS CAMINHOS DO SEMPRE

 


    Nem sempre se te fará necessário fitar a retaguarda para reconhecer as vantagens da própria situação.
    Basta recordar os obstáculos que já venceste.
    Impossível não te lembres de certas ocasiões difíceis, no grupo doméstico, nas quais, sem esperar, conseguiste manter o próprio equilíbrio, a fim de auxiliar aos que se te ligam à existência.
    Fácil rememorar os momentos de azedume, dos quais a passagem do tempo te desligou para o retorno à tranqüilidade.
    Perigos que te ameaçaram, desapareceram, sem que os visses, no instante em que se te entrecruzavam na estrada.
    Ocorrências infelizes que atravessaste foram muito mais advertências da vida ao teu senso de ponderação e serenidade que calamidades irreparáveis, conquanto, em alguns casos, provações inevitáveis se te emplacassem no contexto das próprias experiências.
    Preterições sofridas geraram várias conquistas de melhoria que atualmente desfrutas.
   Mudanças desagradáveis e compulsórias transformaram-se em degraus de acesso a facilidades que desconhecias, até então.
    Pessoas queridas, cujas tribulações lamentavas com ênfase, descartaram-se das sombras em que se envolviam, usufruindo agora alegrias com que talvez não contassem.
    Desgostos que tiveste, no curso dos quais guardavas a idéia de carregar pesados fardos de infortúnio, converteram-se em oportunidades de paz e renovação que presentemente bendizes.
    Pensa nos empecilhos que já deixaste à distância e concluirás que isso aconteceu porque não desertaste das próprias obrigações.
    Reflete nisso e reconhecerás que Deus, o Infinito Amor, que te sustentou ontem, de igual modo te sustentará nos caminhos do sempre.

 

 

(Francisco Cândido Xavier/Emmanuel. In: Paz)

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

JESUS E PACIÊNCIA

 
            Recordemos a paciência do Cristo para exercer no próprio caminho a compreensão e a serenidade.
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            Retornando, depois do túmulo, aos companheiros assustadiços, não perde tempo com qualquer observação aflitiva ou desnecessária.
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            Não rememora os sucessos amargos que lhe precederam a flagelação no madeiro.
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            Não se reporta a leviandade do discípulo invigilante que O entregara à prisão, osculando-Lhe a face.
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            Não comenta as vacilações de Pedro na extrema hora.
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            Não solicita os nomes de quantos acordaram em Judas a febre da cobiça e a fome de poder.
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            Não faz qualquer alusão aos beneficiários sem memória que Lhe desconheceram o apostolado, ante a hora da cruz.
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            Não recorda os impropérios que Lhe foram atirados em rosto.
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            Não se refere aos caluniadores que Lhe escarneceram o amor e o sacrifício.
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            Não reclama reconsiderações da justiça.
*
            Não busca identificar que Lhe impusera às mãos uma cana à guisa de cetro.
*
            Não se lembra da turba que Lhe ofertara vinagre à boca sedenta e pancadas à fronte que os espinhos dilaceraram.
*
            Ressurgindo, da sombra, afirma apenas, valoroso e sem mágoa: —
            — “Eis que estarei convosco até o fim dos séculos...”
            E prosseguiu trabalhando...
            Esse foi o gesto do Cristo de Deus que transitou na Terra, sem dívidas e sem máculas.
*
            Relembremos o próprio dever, à frente das pedradas que no firam a rota, a fim de que a paciência nos ensine a esperar a passagem das horas, porquanto cada dia, nos traz, a cada um, diferentes lições.




(Livro: Abrigo. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

OUVE A CONSCIÊNCIA

  Ouve a consciência que te impele ao dever e não te perturbes. Serve e caminha. Não podemos construir os mínimos tópicos de alegria no ...