quinta-feira, 23 de março de 2023

TEUS ENCARGOS


“... Sede vos perfeito como perfeito é vosso
Pai Celestial”. — Jesus (Mateus, 5:48)

       Cada qual de nós, conforme as leis que nos regem, se encontra hoje no lugar certo, com as criaturas adequadas e nas circunstâncias justas, necessárias ao trabalho que nos compete efetuar, na pauta de nosso próprio merecimento.

       Observa os encargos que te honorificam a existência como sendo, desse modo, atividades de alta significação em teu benefício, porquanto se erigem todos eles em tope de realização a que, por enquanto, te podes consagrar.
       Seja em casa ou na oficina, no grupo de serviço ou na tela social, és uma peça consciente na estrutura da vida, desfrutando a possibilidade de criar, agir, colaborar e fazer, na elevação da própria vida.
       “Sede perfeitos como é perfeito nosso Pai Celestial” — exortou-nos Jesus.
       Pensemos nisso, melhorando-nos sempre.
       Sem dúvida que outros conseguem substituir-te no trabalho a que entrosas; no entanto, em se tratando de ti, é justo recordes que Deus nos fez, a todos, espíritos imortais com o dever de aprimorar-nos até que venhamos a identificar-nos inteiramente com o seu Infinito Amor, conservando embora, em todo tempo e em qualquer parte, a prerrogativa de seres inconfundíveis da Criação.
       Teus encargos — tuas possibilidades de acesso a planos superiores.
       Realmente nós — os espíritos em evolução nas vias terrestres — estamos ainda muito distantes da angelitude; entretanto cada um de nós, onde estiver, poderá, desde agora, começar a ser bom.


(De “SEGUE-ME!...”. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

quarta-feira, 22 de março de 2023

QUEM LÊ, ATENDA


Quem lê, atenda.” - Jesus. (Mateus, 24:15)

Assim como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da Terra em objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica no mundo, com referência aos frutos do pensamento.

Frequentemente as mais santas leituras são tomadas à conta de tempero emotivo, destinado às sensações renovadas que condigam com o recreio pernicioso ou com a indiferença pelas obrigações mais justas.

Raríssimos são os leitores que buscam a realidade da vida.

O próprio Evangelho tem sido para os imprevidentes e levianos vasto campo de observações pouco dignas.

Quantos olhos passam por ele, apressados e inquietos, anotando deficiências da letra ou catalogando possíveis equívocos, a fim de espalharem sensacionalismo e perturbação? Alinham, com avidez, as contradições aparentes e tocam a malbaratar, com enorme desprezo pelo trabalho alheio, as plantas tenras e dadivosas da fé renovadora.

A recomendação de Jesus, no entanto, é infinitamente expressiva.

É razoável que a leitura do homem ignorante e animalizado represente conjunto de ignominiosas brincadeiras, mas o espírito de religiosidade precisa penetrar a leitura séria, com real atitude de elevação.

O problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina Vontade.

  

Livro: Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier por Emmanuel

terça-feira, 21 de março de 2023

ALFAIAS


“Naquele dia, quem estiver no telhado,
tendo as suas alfaias em casa, não desça
a tomá-las.” - Jesus. (Lucas, 17:31)

A palavra do Mestre não deixa margem a hesitações.

Naturalmente, todo aprendiz vive na organização que lhe é própria. Cada qual permanece em casa, isto é, na criação individual ou no campo de testemunho a que o Senhor o conduziu.

Geralmente, porém, jamais está sozinho.

Reduzido ou extenso, há sempre um séquito de afeições a acompanhá-lo. Muita vez, contudo, a companheira, o pai e o filho não conseguem mover-se além das zonas inferiores de compreensão, quando o discípulo, pelos nobres esforços despendidos, se equilibra, vitorioso, na parte mais alta do entendimento. Chegados a semelhante situação, muitos trabalhadores aplicados experimentam dificuldades de vulto.

Não sabem separar as alfaias de adorno dos vasos essenciais, as frivolidades dos deveres justos e sofrem dolorosos abalos no coração.

Indispensável se precatem contra esse perigo comum.

Cumpra-se a obrigação sagrada, atenda-se, antes de tudo, ao programa da Vontade Divina, exemplifique-se a fraternidade e a tolerância, acendendo-se a lâmpada do esforço próprio, mas que se não prejudique o serviço divino da ascensão, por receio aos melindres pessoais e às convenções puramente exteriores.

Um lar não vive simplesmente em razão das alfaias que o povoam, transitoriamente, e sim pelos fundamentos espirituais que lhe construíram as bases. Um homem não será superior porque satisfaça a opiniões passageiras, mas sim porque sabe cumprir, em tudo, os desígnios de Deus.

 

Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

segunda-feira, 20 de março de 2023

PROSSEGUINDO


“Prossigo para o alvo...” – Paulo.
(FILIPENSES, 3:14)

 

Encontras o semblante amargo da solidão no momento em que as circunstâncias te compelem a deixar o conhecido.

Supõe que a construção de toda a existência desaba sobre ti mesmo, como se a ausência da moldura familiar te rasgasse o quadro da própria alma.

Corações amigos, atraídos por outras sendas, abandonaram-te os ideais; pessoas queridas deixaram-te a sós; aposentaram-te a distância do trabalho de muitos anos, ou a morte, de passagem, ceifou o sorriso dos companheiros que te eram mais caros...

Sentes, por vezes, que estás deixando para trás tudo o que te parece mais valioso, entretanto, não mais é verdade.

Basta jornadeies corajosamente adiante e, buscando expressar-te em novas formas, reconhecerás que o amor e o trabalho são mais belos em teu caminho:

Compreenderás, então, que podes adicionar novas parcelas de alegria à felicidade dos que mais amas e que podes servir com mais entendimento às aspirações que te inspiram a marcha.

Se a vida te apresenta a fisionomia triste da solidão, recorda a própria imortalidade e não te detenhas.

O menino deixa a infância para entrar na mocidade, o jovem deixa a mocidade para entrar na madureza, o adulto deixa a madureza para entrar na senectude e o ancião deixa a extrema velhice para entrar no mundo espiritual, não como quem perde os valores adquiridos, mas sim prosseguindo para o alvo que as Leis de Deus nos assinalam a cada um...

 
 
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.
In: Palavras de Vida Eterna)

domingo, 19 de março de 2023

CONTENTAR-SE

 
“Não digo isto como por necessidade,
porque já aprendi a contentar-me com o
que tenho.” Paulo (FILIPENSES, 4, 11)
 

A vertigem da posse avassala a maioria das criaturas na Terra.

A vida simples, condição da felicidade relativa que o planeta pode oferecer, foi esquecida pela generalidade dos homens. Esmagadora percentagem das súplicas terrestres não consegue avançar além do seu acanhado âmbito de origem.

Pedem-se a Deus absurdos estranhos. Raras pessoas se contentam com o material recebido para a solução de suas necessidades, raríssimas pedem apenas o “pão de cada dia”, como símbolo das aquisições indispensáveis.

O homem incoerente não procura saber se possui o menos para a vida eterna, porque está sempre ansioso pelo mais nas possibilidades transitórias.

Geralmente, permanece absorvido pelos interesses perecíveis, insaciado, inquieto, sob o tormento angustioso da desmedida ambição. Na corrida louca para o imediatismo, esquece a oportunidade que lhe pertence, abandona o material que lhe foi concedido para a evolução própria e atira-se a aventuras de consequências imprevisíveis, em face do seu futuro infinito.

Se já compreendes tuas responsabilidades com o Cristo, examina a essência de teus desejos mais íntimos. Lembra-te de que Paulo de Tarso, o apóstolo chamado por Jesus para a disseminação da verdade divina, entre os homens, foi obrigado a aprender a contentar-se com o que possuía, penetrando o caminho de disciplinas acerbas.

Estarás, acaso, esperando que alguém realize semelhante aprendizado por ti?


 

Emmanuel/Chico Xavier

Livro: Caminho, Verdade e Vida

sexta-feira, 17 de março de 2023

QUANDO ORARDES

 


“E, quando estiverdes orando, perdoai.”

– Jesus. (Marcos, 11:25)

  

A sincera atitude da alma na prece não obedece aos movimentos mecânicos vulgares. Nas operações da luta comum, a criatura atende, invariavelmente, aos automatismos da experiência material que se modifica de maneira imperceptível, nos círculos do tempo; todavia, quando se volta a alma aos santuários divinos do plano superior, através da oração, põe-se a consciência em contato com o sentido eterno e criador da vida infinita.

Examine cada aprendiz as sensações que experimenta em se colocando na posição de rogativa ao Alto, compreendendo que se lhe faz indispensável a manutenção da paz interna perante as criaturas e quadros circunstanciais do caminho.

A mente que ora permanece em movimentação na esfera invisível.

As inteligências encarnadas, ainda mesmo quando se não conheçam entre si, na pauta das convenções materiais, comunicam-se através dos tênues fios do desejo manifestado na oração. Em tais instantes, que devemos consagrar exclusivamente à zona mais alta de nossa individualidade, expedimos mensagens, apelos, intenções, projetos e ansiedades que procuram objetivo adequado.

É digno de lástima todo aquele que se utiliza da oportunidade para dilatar a corrente do mal, consciente ou inconscientemente. É por este motivo que Jesus, compreendendo a carência de homens e mulheres isentos de culpa, lançou este expressivo programa de amor, a benefício de cada discípulo do Evangelho: – “E, quando estiverdes orando, perdoai.”

 

 

 

Pão Nosso. Francisco C Xavier por Emmanuel

quinta-feira, 16 de março de 2023

ESCLARECIMENTOS DO CULPADO


          Se você soubesse como eu me encontrava, no momento da agressão, certamente que me não quereria mal, nem pensaria em revide.
          O agressor, em verdade, é mais infeliz, porquanto transfere do seu mundo íntimo agitado toda a perturbação de que se sente possuído e não se pode conter.
          Se você pudesse saber, realmente, como eu me sentia, vencido pela ira que se fez, a seu turno, meu demorado algoz, com segurança me daria um crédito de confiança, desculpando-me.
          Se você pudesse imaginar como eu me encontro neste momento!...
          Eu o agredi, é verdade, e reconheço meu erro.
          Se você revida, mesmo que mentalmente, o mal que lhe fiz, apiedo-me, porque você erra, também, infelicitando-se.
          Considere que o cego, ignorando a luz, não pode avaliar o que perde. Todavia, transita magoado e infeliz quando não se clareia por dentro.
          A minha situação é mais grave, porquanto, embora vendo, preferi não enxergar...
          A vítima é sempre simpática; o agressor faz-se detestável.
          O perseguido inspira simpatia; o algoz estimula a aversão.
          Quem sofre, gera em torno de si, afetividade; ao passo que o promotor dos sofrimentos, faz-se odiado.
          Jesus sensibilizou a História e a Humanidade, todavia, os Seus algozes, ainda hoje são o símbolo da hediondez e da malquerença.
          Se você lograsse compreender as injunções negativas daquela momento, bendiria não haver sido o agressor, antes, porém, a vítima.
          Ajude-me, na tarefa de soerguimento que ora empreendo, você que se encontra em melhores condições do que eu.
          Se você puder, permaneça na posição pacífica, na de vítima, tudo envidando para jamais tornar-se algoz ou agressor de quem quer que seja.
          Assim lhe digo, porque conheço o travo da amargura de sofrer e fingir que tendo razão no mal que lhe fiz, havê-lo feito muito bem...
          Dê-me sua mão, e erga-me, amigo, necessitado como estou de seu auxílio.



De “Terapêutica de emergência”

Divaldo P. Franco por Marcelo Ribeiro

OUVE A CONSCIÊNCIA

  Ouve a consciência que te impele ao dever e não te perturbes. Serve e caminha. Não podemos construir os mínimos tópicos de alegria no ...