segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

CONVITE À FRATERNIDADE


“Ninguém acende uma candeia e a

coloca debaixo do médio, mas no velador.”

(Mateus: capítulo 5º, versículo 15.)

 

Abençoado pela oportunidade de progredir em regime de liberdade relativa, no corpo que te serve de esteio para a evolução, considera a situação dos que foram colhidos pelas malhas da criminalidade e expungem em regime carcerário os erros, à margem da sociedade, a benefício deles mesmos e da comunidade.

Visitá-los constitui dever impostergável.

Não é necessário que sindiques as razões que os retêm entre as grades ou no campo aberto das colônias agrícolas correcionais ou que te inquietes em face aos dramas que os sobrecarregam.

Há sim, alguns que são criminosos impenitentes, reincidentes, sem coração... Doentes, portanto, psicopatas infelizes ou obsidiados atormentados, sem dúvida...

Outros, no entanto...

Mães que não suportaram os incessantes maus-tratos de companheiros degenerados;

Irmãos avassalados pelo que consideravam injustiças terríveis e não tiveram energias para superar o momento crítico;

Operários espezinhados que não dispunham de forças para vencer a crise;

Patrões ludibriados que tomaram a justiça nas mãos;

Jovens viciados por este ou aquele fator desequilibrante, que agiram atados sob a constrição de drogas ou paixões;

Homens e mulheres probos que foram surpreendidos pela infelicidade num momento de fraqueza;

Adolescentes ou anciãos que foram levados ao furto pela fome.

Quantas crianças, também, em Reformatórios, Escolas corretivas, porque não tiveram um pouco de carinho e desde cedo somente receberam reproche e desprezo social!

Podes fazer algo.

Tens muito para dar, especialmente no que diz respeito a valores morais e espirituais.

Confraterniza com eles e acende nas suas almas a flama do ideal imortalista, para que encontrem mesmo aí onde sofrem um norte que lhes constitua bússola e rota na imensa noite do desespero que sempre irrompe nas celas em que se demoram enjaulados por fora ou encarcerados por dentro.

Constatarás que ajudá-los é ajudar-se e ser fraterno para com eles é libertar-se de várias constrições que te inquietam, pondo a luz da tua fé no velador da fraternidade.

 

 

FRANCO, Divaldo Pereira. Convites da Vida.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O MELHOR

 

Muitos sonhos nutriste

Que não se realizaram.

 

Pediste aos Céus a paz

E tiveste mais lutas.

 

Rogavas a abastança

E a carência te segue.

 

Achaste o Grande Amor

Em rude desencontro.

 

Seja qual for a prova,

Não chores. Agradece.

 

Não duvides da Lei,

Deus faz sempre o melhor.

 



De “O Essencial”, de Francisco Cândido Xavier

pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

CARIDADE ESSENCIAL


“E a caridade é esta: que andemos segundo os

seus mandamentos. Este é o mandamento,

como já desde o principio ouvistes; que

andeis nele.” - João. (II João, 6)

 

Em todos os lugares e situações da vida, a caridade será sempre a fonte divina das bênçãos do Senhor.

Quem dá o pão ao faminto e água ao sedento, remédio ao enfermo e luz ao ignorante, está colaborando na edificação do Reino Divino, em qualquer setor da existência ou da fé religiosa a que foi chamado.

A voz compassiva e fraternal que ilumina o espírito é irmã das mãos que alimentam o corpo.

Assistência, medicação e ensinamento constituem modalidades santas da caridade generosa que executa os programas do bem. São vestiduras diferentes de uma virtude única. Conjugam-se e completam-se num todo nobre e digno.

Ninguém pode assistir a outrem, com eficiência, se não procurou a edificação de si mesmo; ninguém medicará, com proveito, se não adquiriu o espírito de boa-vontade para com os que necessitam, e ninguém ensinará, com segurança, se não possui a seu favor os atos de amor ao próximo, no que se refira à compreensão e ao auxílio fraternais.

Em razão disso, as menores manifestações de caridade, nascidas da sincera disposição de servir com Jesus, são atividades sagradas e indiscutíveis. Em todos os lugares, serão sempre sublimes luzes da fraternidade, disseminando alegria, esperança, gratidão, conforto e intercessões benditas.

Antes, porém, da caridade que se manifesta exteriormente nos variados setores da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não poderemos efetuar a edificação e a redenção de nós mesmos. Trata-se da caridade de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos do Divino Mestre, no Evangelho. É a caridade de vivermos verdadeiramente nEle para que Ele viva em nós. Sem esta, poderemos levar a efeito grandes serviços externos, alcançar intercessões valiosas em nosso benefício, espalhar notáveis obras de pedra, mas, dentro de nós mesmos, nos instantes de supremo testemunho na fé, estaremos vazios e desolados, na condição de mendigos de luz.

                                                      

 

 

Vinha de Luz. Francisco C Xavier por Emmanuel

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

VOLTARÁS AMANHÃ


Não repouses na gleba de possibilidades que o Divino Amor te confiou no coração da Terra.

 

Voltarás amanhã para colher o que hoje semeias.

 

Ninguém te pede milagres de santidade num dia.

 

-o-

 

A árvore vigorosa não cresceu de improviso.

 

A cidade em que renasceste não se levantou de repente.

 

Tudo se desenvolve, minuto a minuto...

 

-o-

 

A vida impõe-te “agora” as conseqüências do “antes”.

 

Somos hoje no espaço e no tempo, a projeção do que fomos...

 

-o-

 

Se a dor é a tua mestra constante, agradece-lhe o serviço e aprende a lição. 
Ela é o recurso invisível com que a Bondade do Senhor te arrebata ao labirinto das sombras de ti mesmo.

 

Se recebeste alguma facilidade para atravessar, com êxito, a escura região terrestre, 
não te confies à preguiça ou à vaidade, para que o sofrimento não seja convidado 
a desintegrar a gelada neblina em que te sepultarás sem perceber.

 

-o-

 

Não te esqueças.

 

A oportunidade passa, mas a luta adiada volta sempre.

 

Amanhã reencontrar-te-ás contigo mesmo, na paisagem que o mundo te oferece, 
nos ideais que esposas, nos trabalhos confiados à tua mão 
ou na pessoa do próximo que honras ou menosprezas...

 

-o-

 

Cumpramos, agora, os nossos iluminados deveres à face da Lei. 
Convertamos nossa experiência pessoal em serviço a todos, transformando as horas, 
que Deus nos empresta, em bênçãos de utilidade, beleza, graça e harmonia 
e o futuro constituir-se-á para nossa alma em abençoado e celeste caminho de ascensão.

 

-o-

 

Não critiques destruindo.

 

Não julgues o mal por mal.

 

Não firas a ninguém.

 

Não revides os golpes da sombra para que te não demores nas malhas da treva.

 

Não retribuas ofensa por ofensa, amargura por amargura, incompreensão por incompreensão.

 

Ama, auxilia e passa, e, quando regressares à Terra, amanhã, o mundo receberá teus pés, em chuva de bênçãos.

 


 

Francisco Cândido Xavier/Emmanuel.
In: Instrumentos do Tempo

domingo, 7 de dezembro de 2025

O EVANGELHO E A MULHER


“Assim devem os maridos amar a suas
próprias mulheres, como a seus próprios
corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se
a si mesmo.” Paulo (Efésios, 5:28)

 

Muita vez, o apóstolo dos gentios tem sido acusado de excessiva severidade para com o elemento feminino. Em alguns trechos das cartas que dirigiu às igrejas, Paulo propôs medidas austeras que, de certo modo, chocaram inúmeros aprendizes.

Poucos discípulos repararam, na energia das palavras dele, a mobilização dos recursos do Cristo, para que se fortalecesse a defesa da mulher e dos patrimônios de elevação que lhe dizem respeito.

Com Jesus, começou o legítimo feminismo. Não aquele que enche as mãos de suas expositoras com estandartes coloridos das ideologias políticas do mundo, mas que lhes traça nos corações diretrizes superiores e santificantes.

Nos ambientes mais rigoristas em matéria de fé religiosa, quais o do Judaísmo, antes do Mestre, a mulher não passava de mercadoria condenada ao cativeiro. Vultos eminentes, quais Davi e Salomão, não conseguiram fugir aos abusos de sua época, nesse particular.

O Evangelho, porém, inaugura nova era para as esperanças femininas. Nele vemos a consagração da Mãe Santíssima, a sublime conversão de Madalena, a dedicação das irmãs de Lázaro, o espírito abnegado das senhoras de Jerusalém que acompanham o Senhor até o instante extremo. Desde Jesus, observamos crescente respeito na Terra pela missão feminil. Paulo de Tarso foi o consolidador desse movimento regenerativo. Apesar da energia áspera que lhe assinala as palavras, procurava levantar a mulher da condição de aviltada, confiando-a  ao homem, na qualidade de mãe, irmã, esposa ou filha, associada aos seus destinos e, como criatura de Deus, igual a ele.

 


Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O NECESSÁRIO À VIDA


Diógenes (400-325 a.C.), filósofo grego, era famoso por seu comportamento excêntrico e comentários mordazes. Dizia-se que tinha grande desprezo pela Humanidade. Caminhava pelas ruas de Atenas com uma lanterna, a proclamar:

 

– Procuro um homem honesto.

 

Era algo para ele tão difícil quanto iluminar um palheiro em busca de agulha perdida. Observação bem atual, ante a desavergonhada corrupção que se institucionaliza na sociedade humana.

 

***

Diógenes não era nenhum misantropo ranheta e excêntrico. Havia em suas atitudes um humor irônico, que popularmente chamaríamos hoje de gozação, com o qual procurava instigar as pessoas à apreciação de suas idéias. Ensinava que o supremo recurso de felicidade é o total desprezo pelas convenções humanas, em obediência plena às leis da Natureza. O caminho para essa realização está na simplificação da existência, superando a superficialidade e os modismos.

 

Andava descalço…

Vestia uma única túnica…

Dormia num tonel…

 

Certa feita, viu um menino a usar o côncavo das mãos para tomar água.

Admirou-se:

 

– Acabo de aprender que ainda tenho objetos supérfluos.

 

Jogou fora a caneca que usava e passou a imitar o menino.

                                                                     ***                        

 

Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), quis conhecê-lo e testar seu proverbial desprendimento dos bens materiais. Foi encontrar o filósofo, em fria manhã de inverno, aquecendo-se ao sol. Após serem apresentados e conversarem, Alexandre disse-lhe estar disposto a atender qualquer pedido seu. O capricho mais sofisticado, o objeto mais precioso…

 

Diógenes sorriu e respondeu:

 

– Quero apenas que não me tires o que não me podes dar. Estás diante do Sol que me aquece. Afasta-te, pois...

***

 

Certamente seria complicado tomar Diógenes ao pé da letra. Acabaríamos internados num hospício. Os tempos são outros. Além do mais, estamos longe do desprendimento total. Não obstante, seria interessante observar a tônica de suas idéias:

 

Simplicidade.

É preciso que nos libertemos de condicionamentos e modismos, do supérfluo e do artificial, contentando-nos com o necessário à vida.

 

Teremos, então, melhores chances de viver bem.

 

Jesus deixa isso bem claro no Sermão da Montanha, quando recomenda que não nos preocupemos demasiadamente com nossa vida, nem acerca do que devemos comer ou vestir…

 

É preciso centralizar nossas ações em torno do Reino de Deus, que se realiza no empenho do Bem.

 

Tudo o mais, explica Jesus, virá por acréscimo.

 

A Doutrina Espírita oferece marcante contribuição em favor da simplificação de nossa existência, abrindo-nos as portas do mundo espiritual para nos mostrar algo que não devemos esquecer jamais:

 

Levaremos para o Além somente os valores incorporados à nossa alma, nos domínios da virtude e do conhecimento.

 

O resto ficará por aqui mesmo.

 

Imperioso, pois, simplificar sempre, como destaca Guilherme de Almeida (1890-1969):

 

Simplicidade… Simplicidade…

Ser como as rosas, o céu sem fim,

a árvore, o rio… Por que não há de

ser toda gente também assim?

 

Ser como as rosas: bocas vermelhas

que não disseram nunca a ninguém

que tem perfumes… mas as abelhas

e os homens sabem o que elas têm!

 

Ser como o espaço, que é azul de longe,

de perto é nada… Mas quem o vê

– árvores, aves, olhos de monge… –

busca-o sem mesmo saber porque.

 

Ser como o rio cheio de graça,

que move o moinho, dá vida ao lar,

fecunda as terras… E, rindo passa,

despretensioso, sempre a cantar.

 

Ou ser como a árvore: aos lavradores

dá lenha e fruto, dá sombra e paz;

da ninho às aves, ao inseto, flores…

Mas nada sabe do bem que faz.

 

                                            Felicidade – sonho sombrio!                    

Feliz é o simples que sabe ser

como o ar, as rosas, as árvores, o rio:

simples, mas simples sem o saber!

 


 

Do livro Luzes no Caminho

Richard Simonetti

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

CONVITE À SOLIDARIEDADE

 

“Trata-o, e quanto gastares de mais, na volta
eu te pagarei.” (Lucas: capítulo 15º, versículo 35)
  

São muitos os necessitados que desfilam aflições, aguardando entendimento e socorro.

Uns estão assinalados rudemente por deformidades visíveis que constituem a cruel recidiva de que precisam para aprender conduta e dever.

Outros se encontram sitiados por limitações coercitivas que funcionam como presídio correcional, a fim de os habilitarem para futura convivência social.

Alguns se apresentam com dificuldades no raciocínio e na lucidez, embora a aparência harmoniosa, como se fossem estetas da forma emparedando misérias mentais que os ensinam a valorizar oportunidade e bênção.

Diversos conduzem feridas expostas, abertas em chagas purulentas, com que drenam antigas mazelas e corrigem paixões impressas nos painéis do perispírito, submetido a terapêutica renovadora...

Vários estão estigmatizados a ferro e fogo, padecendo dores morais quase superlativas, em regime de economia de felicidade, exercitando as experiências da esperança.

Um sem número de atados à fome e à discriminação racial sob acicates poderosos, estão treinando humildade para o futuro.

Todos aguardando piedade, ensejo para conjugarem os verbos servir e amar.

Há outros, porém, esperando solidariedade.

São os construtores do ideal edificante, os servidores desinteressados, os promotores da alegria pura, os trabalhadores da fraternidade, os governantes honestos, os capitães da indústria forjados no aço da honradez, os pais laboriosos, os mestres e educadores fiéis ao programa do bem...

Sim, não apenas os que pagam o pretérito culposo, mas, sobretudo, os que estão levantando o Mundo Novo dos escombros que jazem no chão da Humanidade. Nobre e fácil chorar a dor ao lado de quem sofre.

Felizes, também, os que podem oferecer-se, solidários, aos que servem e amam ao Senhor, não obstante os diversos nomes e caminhos pelos quais se desvelam, operários da Era Melhor do amanhã ditoso.

Solidariedade, também, para com os que obram no bem.


 

Convites da Vida
Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis

A ORAÇÃO DO JUSTO

“A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” – (Tiago, 5:16)   Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, tod...