terça-feira, 22 de julho de 2025

CALMA E AUXÍLIO

 

Trabalha sempre, mas não desprezes a calma em que te retomes a fim de pensar com acerto.

 

Isso é da própria natureza.

 

O rio para mover a usina do progresso exige a represa em que as águas estacionam no impacto de forças tecnicamente organizadas.

 

Conserva a entrada do coração acessível a todos os companheiros que te cerquem, tantos deles agoniados, a te rogarem concurso e consolação.

 

Que o teu sorriso seja o porteiro dos teus sentimentos, encorajando-lhes as energias.

 

Em torno de ti, enxameiam os tristes, os torturados, os infelizes, os desorientados e todos aqueles que, por falta de fé, se transviaram no torvelinho do desespero.

 

Repontam de tua própria casa do teu grupo de serviço, do bairro em que reside e da cidade em que te situas.

 

Sê para eles um refúgio de paz e de esperança.

 

Aprende a ouvir com paciência para que possas esclarecer com discernimento e serenidade.

 

Se te afliges com o problema que te trazem, entrega a questão a Deus e mantém-te disponível, para que não te prives da oportunidade de auxiliar.

 

Guarda a diligência sem pressa e oferece a todos os que te busquem o reconforto de que necessitem, a fim de seguirem adiante.

 

Assim compreenderás, com a bênção da calma em ti mesmo, que prosseguirás com o ensejo de construir incessantemente no bem dos semelhantes, reconhecendo que o tempo, na vida de cada um de nós, é uma doação preciosa de Deus.

 

Se aceitaste Jesus por mestre da vida, trazes contigo a chama capaz de acender a fé nos companheiros que vagueiam no mundo, à maneira de lágrimas apagadas.

 

Prossegue amando.

 

 

 

 

Francisco Candido Xavier por Meimei. Livro: Palavras do Coração

segunda-feira, 21 de julho de 2025

CANSAÇO


            Estás fatigado. O cansaço, qual fluido deletério, vence tuas resistências, assenhoreando-se do aparelho físico-mental que acionas com dificuldade.
            Tantas têm sido as aflições, as lutas que, desencorajado, te entregas à indiferença quanto ao futuro sob tormentos que te dominaram a capacidade de lutar.
            Tens a impressão de que o entusiasmo calou a voz da sua emoção no teu sentimento encarcerado na dor, e sentes o coração como se fosse um diamante bruto a esfacelar-se dentro do peito, golpeado por vigorosas tenazes que o despedaçam...
            Tudo se te afigura sombrio e a luz, que se emboscava na gota d’água aprisionada diante dos teus olhos, agora a vês transformada em lama, no pó, qual a tua antemanhã de sonhos convertida em noite tempestuosa de pavor.
            Lutaste, é certo.
            Reuniste as energias, qual comandante afervorado a batalhas violentas, colocando-as em defensivas até a exaustão. Mas tantas foram as agressões e tão continuado o cerco que desejarias bater em retirada, deixando livre o campo para que se multiplicassem os maus.
            No íntimo conservas um travo de fel que o sofrimento deixou e como miasma em crescimento sentes o espírito envenenado, com a amargura em todas as horas.
            Uns companheiros fitam teu sorriso e crêem que o caráter não é um dos teus dotes mais representativos.
            Outros contemplam tua tristeza e comentam que é débil a tua fé.
            Alguns falam contigo e identificam expressões que deprimem teus sentimentos.
            Amigos discretamente afirmam que foste vencido por “forças negativas” do Mundo Espiritual.
            Confrades rigorosos negam-te o concurso da amizade deles.
            Irmãos acendem a chama da idiossincrasia e separam aqueles que o teu esforço infatigável reuniu.
            Colaboradores fendem as bases do serviço que desdobras, abnegado, desejando amesquinhar-te.
            Assim crês, assim vês, assim é... Porque estás cansado.
           *
            Quem observa dificuldades somente encontra obstáculos.
            Aquele que se prepara para um dia de calor tem pretexto para a canícula inexistente.
            Olhos acostumados aos detalhes negativos descobrem insignificâncias que enfeiam qualquer paisagem feliz.
            As estrelas que fulgem além da névoa são ignoradas por quantos se contentam com sombras.
            As mãos que preferem espinhos perdem a sensibilidade para as débeis violetas.
            No entanto, além do que registras, há beleza, harmonia, vida.
            O veneno que o ofídio injeta e com o qual mata, o homem consegue transformar em medicamento salvador.
            A ofensa de que se utilizam os infelizes para ultrajar, ajuda na ascensão os que sabem transformar vinditas em bênçãos.
            A pedra que fere também adorna.
            O lodo pestilento devidamente atendido converte-se em perfume delicado na intimidade da flor.
            Transforma cansaço e tristeza em seiva de vida eterna.
            Renasceste, na Terra, para elaborar a felicidade própria e intransferível.
            Rogaste a dádiva do resgate com as moedas do testemunho e do silêncio.
            Esquece-te, desse modo, de ti mesmo e persevera.
            Perdoa, enquanto podes.
            O perdão é luz que arremessas na direção da vida e que voltará à fonte donde procede.
            O conceito que os outros fazem a teu respeito vale o que valorizas.
            As dificuldades que te impõem obstaculam quanto supões.
            O sarcasmo e a perseguição representam o que consideras.
            A dor é o que se deseja que valha.
            Levanta o espírito e combate.
            Não deixes que os braços das sombras apaguem com mãos de trevas os painéis da tela das tuas aspirações.
            Aprofunda a mente na pesquisa da verdade e detém-te a examinar a história dos homens fortes. Não nasceram fortes: fortificaram-se na luta.
            O vento enrija a fibra da sequóia e a tormenta lhe dá vigor.
            A chuva que chafurda o regato aumenta-lhe o volume d’água.
            Deixa-te conduzir pelos testemunhos naturais da experiência carnal e experimenta perseverar, insistir, continuar...
***
            A grandeza de Jesus afirmada no atroz sacrifício da Cruz teve o seu início na escolha de singelo berço para continuar nas aparentes mil nonadas da carpintaria humilde, dos contatos com as gentes simples e pouco esclarecidas, com os enfermos exigentes, os amigos ingratos, os legisladores e religiosos desonestos, para culminar na cobardia de alguns discípulos obsidiados com intermitências que O atraiçoaram, esquecendo o Seu amor para fugirem.
            No entanto, uma vez única deixou-se Ele vencer pelo cansaço e, por isso, não reclamou, não desistiu, não censurou, não se deteve a examinar o lado infeliz de ninguém, dedicando-se incansavelmente à construção do bem excelso em favor de todos, a todos amando e perdoando, apesar de tudo.

 



Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis.

In: Dimensões da Verdade

domingo, 20 de julho de 2025

SERVICINHOS


“Antes sede uns para com os outros benignos.”

Paulo. (Efésios, 4:32)

 

Grande massa de aprendizes queixa-se, por vezes, da ausência de grandes oportunidades nos serviços do mundo.

Aqui, é alguém desgostoso por não haver obtido um cargo de alta relevância; além, é um irmão inquieto porque ainda não conseguiu situar o nome na grande imprensa.

A maioria anda esquecida do valor dos pequenos trabalhos que se traduzem, habitualmente, num gesto de boas maneiras, num sorriso fraterno e consolador... Um copo de água pura, o silêncio ante o mal que não comporta esclarecimentos imediatos, um livro santificante que se dá com amor, uma sentença carinhosa, o transporte de um fardo pequenino, a sugestão do bem, a tolerância em face de uma conversação fastidiosa, os favores gratuitos de alguns vinténs, a dádiva espontânea ainda que humilde, a gentileza natural, constituem serviços de grande valor que raras pessoas tomam à justa consideração.

Que importa a cegueira de quem recebe? que poderá significar a malevolência das criaturas ingratas, diante do impulso afetivo dos bons corações? Quantas vezes, em outro tempo, fomos igualmente cegos e perversos para com o Cristo, que nos tem dispensado todos os obséquios, grandes e pequenos?

Não te mortifiques pela obtenção do ensejo de aparecer nos cartazes enormes do mundo. Isso pode traduzir muita dificuldade e perturbação para teu espírito, agora ou depois.

Sê benevolente para com aqueles que te rodeiam.

Não menosprezes os servicinhos úteis.

Neles repousa o bem-estar do caminho diário para quantos se congregam na experiência humana.



 

Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

APRENDIZADO

 


Estudas ciências e filosofias, artes e idiomas.

 

Para isso, gastas forças e tempo.

 

Escuta.

 

O amor que Jesus nos traçou por estrada de redenção pode ser igualmente adquirido em exercício disciplinar.

 

Esforcemo-nos por alcançá-lo.

 

Os instrutores são os nossos próprios semelhantes.

 

Alguns te procuram. São aqueles que te desconsideravam ou te agridem, por vezes inconscientemente, junto dos quais é possível aprender compreensão e tolerância, desprendimento e perdão.

 

Alguns outros precisas buscar.

 

São aqueles companheiros a quem devemos amparo, habitualmente domiciliados na enfermidade ou na penúria, no regaço frio da noite ou em ruínas abandonas.

 

Vai ao encontro desses, dá-lhes algo da posse ou da migalha que te servem de apoio à existência, mas deixa-lhes a tua dádiva, iluminada com o teu próprio amor, à maneira do Sol, cuja luz te assegura a vida sem te pedir reconhecimento.

 

Não delongues o aprendizado.

 

Entretanto, existe uma condição para o êxito.

 

Auxilia e perdoa sem falar disso a ninguém.

 

O silêncio é a base na didática do amor, porque em todas as aulas, embora, por vezes, diante de muita gente, estarás profundamente em ti e dialogando contigo na presença de Deus.

 

Cede um minuto do tempo de que disponhas ou algo do que possuis para diminuir o frio da penúria e a febre da aflição.

 

Nessa imensa vereda, descobrirás pequeninos abandonados, aos quais estenderás o agasalho da esperança.

 

 

Espírito: Meimei, livro: Palavras do Coração

Francisco Candido Xavier)

quarta-feira, 16 de julho de 2025

DESCULPISMO


 “E todos a uma vez começaram a escusar-se.
Disse lhe o primeiro: comprei um campo
e importa ir vê-lo; rogo-te que haja escusado.”
Jesus – ( LUCAS, 14:18)




Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.
Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na delinquência costumam justificar-se com vigoroso poder de persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate preciso.
Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve, entretanto, acabam suportando em si mesmos as consequências das responsabilidades a que se afeiçoam.
E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra, surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:
- Estou muito jovem ainda...
- Sou velho demais...
- Assumi compromissos de monta e não posso atender...
- Minhas atribulações são enormes...
- Obrigações de família estão crescendo...
- Os negócios não me permitem qualquer atividade espiritual...
- Empenhei-me a débitos que me afligem...
- Os filhos tomam tempo...
- Problemas são muitos...
Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram à frente de grande sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga.
Os convidados para a lavoura de luz, no entanto, engodados por si próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, não encontram outra providência restauradora senão a de esperarem por outras reencarnações.




(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna)

terça-feira, 15 de julho de 2025

APRIMORAMENTO ÍNTIMO


        Muito justo e mesmo recomendável que se recorra à cooperação fraternal do próximo, quando o sofrimento e a dificuldade nos visitem as paisagens íntimas.

        O auxílio desinteressado que recebemos é bênção inestimável de que se constitui a vida nas relações humanas.

        No mundo, tudo são intercâmbios, permutas que se consubstanciam em força e resistência para colimarem os objetivos a que se destinam.

        Não obstante, há tarefas que compete a cada um realizar, integrados no processo evolutivo como nos encontramos.

        Igualmente, não é lícito transferir-se deveres e responsabilidades pessoais, que fazem parte do esquema de iluminação que devemos conseguir, mesmo sob as penosas cargas de aflição e renúncia.

        Dentre os desafios que a vida nos oferece, o que diz respeito ao aprimoramento íntimo ganha prioridade.

        Aprendizes da vida, somos defrontados pelas lições necessárias que nos propiciam o conhecimento e a libertação das peias da ignorância geradora de mil males, e do egoísmo, que é um câncer de alto poder destrutivo.

*

        Ninguém te acompanhará nesse afã de renovação e aprimoramento íntimo.

        Poucos perceberão a luta que travas no campo ignoto dessa batalha importante.

        Alguns criarão dificuldades para o teu cometimento, talvez franqueando-te recursos e meios para a fuga ou a queda.

        Tentarás e repetirás o esforço, não poucas vezes, receando o fracasso ou crendo não alcançar a meta.

        Prossegue, porém, trabalhando o caráter e o sentimento.

        Não te deixes turbar pelas vanglórias, nem te anestesies pelos vapores da violência que infelicita multidões...

        Dulcifica-te e não revides ao mal, não resistas ao mal com o mal, não te negues à bondade, nem à beneficência, à esperança, nem à humildade.

        Essas virtudes a cultivar serão as tuas resistências, e, quando os testemunhos parecerem apresentar-te à noite mais densa e temerosa, elas brilharão no teu céu em sombras, apontando-te o rumo...

*

        Por conhecer a destinação que nos aguarda, no futuro, Jesus nos veio convocar pelo exemplo e pela palavra ao aprimoramento íntimo e à vitória sobre qualquer expressão do mal através da ação correta do bem.

 


(Livro: Alerta. Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis)

segunda-feira, 14 de julho de 2025

ESTA NOITE !...


“Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma;

e o que tens preparado, para quem será?”

Jesus (Lucas, 12:20)

 

       Não basta ajuntar valores materiais para a garantia da felicidade.

       A supercultura consegue atualmente na Terra feitos prodigiosos em todos os reinos da Natureza física, desde o controle das forças atômicas às realizações da astronáutica. No entanto, entre os povos mais adiantados do Planeta avançam duas calamidades morais do materialismo corrompendo-lhe as forças: o suicídio e a loucura, ou, mais propriamente, a angústia e a obsessão.

       É que o homem não se aprovisiona de reservas espirituais à custa de máquinas. Para suportar os átrios necessários à evolução e aos conflitos resultantes da luta regenerativa, precisa alimentar-se com recursos da alma e apoiar-se neles.

       Nesse sentido, vale recordar o sensato comentário de Allan Kardec no item 14 do Capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, sob a epígrafe “O Suicídio e a Loucura”:

       “A calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Com efeito, é certo que a maioria dos casos de loucura se deve à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem a coragem de suportar. Ora, se encarando as coisas deste mundo da maneira por que o Espiritismo faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a razão, os quais, se não fora isso, a conturbariam”.

       Espíritas, amigos! Atendamos à caridade que suprime a penúria do corpo, mas não menosprezemos o socorro às necessidades da alma! Divulguemos as luzes da Doutrina Espírita! Auxiliemos o próximo a discernir e pensar.

 


De “Segue-me!...”, de Francisco Cândido Xavier

pelo Espírito Emmanuel


A GRANDE LUTA

  “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas...