quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

PALAVRAS DE ESTÍMULO

 

             A experiência da dor e da soledade, cimentando os compromissos da redenção a benefício nosso, é dádiva de Deus, que nos cumpre valorizar sem qualquer amargura.
             Não são os que fruem, nem os que se utilizam do corpo para o prazer, os que transitam ditosos.
             Houve tempo em que assim pensando — usufruir até a exaustão — utilizamo-nos da vida para os atuais processos de recuperação afligente...
             Hoje, os teus são os compromissos com o amor silencioso e a ação renovadora de espalhar a mensagem espírita quanto te permitam as possibilidades, sem esquecimento das tarefas normais, nas quais tens empenhado a existência.
             Ora e serve, estuda e medita, sem cansaço, para servires sem desfalecimento.
*
             Se a árvore temesse a poda, decretar-se-ia à inutilidade prematura...
             Se os metais evitassem a fornalha, candidatar-se-iam ao aniquilamento pelo desgaste ante a umidade...
             Se o solo se negasse à chuva abundante, terminaria em deserto infeliz...
             É sempre a bigorna da aflição trabalhando hoje em dor, a fim de evitar destruição amanhã pela dor.
*
             Aproveita com sabedoria tuas horas e ganha os teus minutos na ação edificante, sem pessimismo nem receio de qualquer porte.
             Os espinhos do passado, cravados nas carnes da alma, abrir-se-ão em flores de paz, mais tarde.
             Quando a fonte generosa tem  os minadouros esgotados, diz-lhe a nuvem passante: "Espera!"
             Quando o fruto verde estua, fala-lhe o sol amigo: "Espera!"
        Quando o sofrimento domina, canta-lhe a fé: "Espera!"
             Vem a chuva e a fonte se enriquece; o calor chega e o fruto amadurece; a fé arde e o sofrimento pacifica...
             Em nossa área de evolução tudo segue marcha equivalente.
Espera!
             Transfere as tristezas da Terra e confia nas alegrias do reino, desde hoje até mais tarde.
             Não temas nunca!
             A sós se encontra quem se afasta do amor de Deus e nem assim este se detém em abandono.
             Conserva o otimismo e ajuda os corações em agonia maior, tu que sabes das agonias silenciosas do coração.



Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis. In: Alerta

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O HOMEM FLEXÍVEL


    Nada na Terra pode vencer o homem flexível, pois tudo pode conseguir aquele que não oferece resistência. A propósito, a maioria das coisas muito duras tem grande propensão para quebrar. 

    Dizem as tradições orientais que a água é o mais poderoso dos elemen­tos, porque é a excelência no mais alto grau da "não-resistência”.     Ela pode desgastar uma rocha e arrasar tudo à sua frente. Ao mesmo tempo, quando encontra uma pedra pelo caminho, não fica irritadiça, contorna os obstácu­los; e, se pressionada por algum motivo, comprime-se o quanto quer. 
    Não fica lá, parada, censurando, pois não vê nenhuma vantagem em perder tempo e energia por causa de um incidente natural. A água se desvia da pedra e segue normalmente seu curso. Por que se estressaria com a ordem regular das coisas? 
    As águas de um rio vão para o oceano, para o grandioso. É para isso que ela está em andamento. Isso é que importa. Os detritos são entraves característicos do caminho. Se a água combatesse os pedregulhos, as grandes pedras, árvores submersas, terrenos em declive, ela se consumiria desneces­sariamente e, por consequência, retardaria sua chegada ao mar. 
    Assim como o curso natural do rio tem como desígnio levar suas águas para a imensidade do oceano, nós igualmente temos um ministério a cumprir. Se ficarmos inflexíveis, resistindo e nos envolvendo com cada um dos pequenos contratempos do cotidiano, isso só vai redundar em impedi­mento para cumprimos a tarefa evolutiva de nossa existência. 
    Os antigos sábios perceberam que, no fato do bem viver,  o que impera é a flexibilidade, tal como faz a água, o melhor modelo de fluxo da Natureza. 
    Durante as estações do ano, o que percebemos é seu movimento contínuo em todas as suas manifestações: rios, lençóis freáticos, lagos, mares, neve, degelo, nuvens e evaporação. 

    Se a vida é transformação, variação, ciclo e impermanência, o que rege a existência humana também são as oscilações sucessivas e flexíveis que obedecem a uma Ordem Providencial. É bom lembrarmos que as almas mais fortes são as mais maleáveis, abertas a mudanças e a novas informações. 
    Somos membros do Universo em contínua evolução e precisamos aprender a nos adaptar e a nos ajustar a uma visão de mundo passível de transformação, reciclando pensamentos, crenças e ideias, fazendo novas interpretações das circunstâncias e das ocorrências do cotidiano. Não deve­mos ser homens automatizados. Onde não há liberdade para se questionar, não há ética. 
    Nossa alma terá firmeza e vigor diante das intempéries se conseguir­mos manter a mesma flexibilidade do "caniço", prontos a ceder diante das renovações, reformulando planos, admitindo novas opiniões, aderindo a convicções baseadas em provas incontestáveis, fazendo associações prazerosas e estimulantes; angariando, assim, energias que fortalecem e alimentam o próprio espírito. 
    "Fluir" não quer dizer somente "passar por", "deixar-se conduzir", "percorrer distância”, "circular com rapidez". O fluxo ao qual nos referimos é muito mais do que isso. Na verdade, falamos da ritmicidade cósmica que comanda o Universo e que mantém tudo em perfeita ordem. 
    Não existe o caos. Em todas as coisas reina um ciclo, um propósito ou trajetória em completa harmonia. Às vezes, temos a impressão de que a desordem e a confusão mental invadem nosso reino interior, mas, se olharmos num nível mais profundo, perceberemos que tudo está em plena concordância. A dureza, a agitação e o tumulto provêm da postura ególatra da visão humana. 
    De modo geral, as pessoas resistentes, podem estar sendo assaltadas por fortes imagens mentais de situações de inflexibilidade vividas no lar. Quando uma criatura associa um fato recente a uma situação registrada anteriormente (ainda que não se dê conta disso), seus sentimentos agem imediatamente como se ela estivesse vivenciando o próprio fato precedente. 
    Existe uma ponte entre hábitos e generalização. A existência humana nada mais é do que uma textura de hábitos. Hábitos do pretérito somados aos do presente. Evidentemente, nossa forma costumeira de ser, fazer, sen­tir, individual ou coletivamente, é produto de nossas vivências associadas às mais diversas motivações. Elas determinam ao comportamento uma intensidade, uma direção determinada e uma forma de desenvolvimento individual da criatura. 

MORAL DA HISTÓRIA:
                     
    Novas ocorrências requerem novas conclusões. Quando verificamos nossos equívocos ou mesmo mudamos de ideia sobre algo ou alguém e, ainda assim, permanecemos inflexíveis e arrogantes diante de uma tomada de decisão, isso pode ser o caminho certo para atingirmos a infelicidade e as desditas existenciais. 
 
    Não devemos subestimar a voz do coração ou nos julgar frágeis e fracos por mudarmos nossa maneira de sentir, pensar e agir diante das coisas. Sem erro não há conhecimento; sem conhecimento não há evolução: e sem evolução o homem não teria chegado ao estágio em que se encontra. 
 
    Cabe a nós, então, encarar os desacertos como parte integrante do processo evolutivo, como algo a ser repensado. Libertemo-nos das culpas, das eternas queixas, das comoções de irritação, da agressividade e da frustração. 
 
    Tentar parecer forte, enérgico e decidido perante as situações que requerem mudança pode nos levar ao que sucedeu com o carvalho.
    Quebra "a árvore que enfrenta o vento forte e tenta a todo custo manter-se em pé; a cana dobra, inclina a fronte" e permanece ilesa.




Livro: LA FONTAINE E O COMPORTAMENTO HUMANO
Francisco do Espírito Santo Neto
ditado pelo Espírito Hammed)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

MONUMENTOS VIVOS DE FÉ


Amar sem exigir compensação.

Colaborar para o bem nos lugares onde o mal se nos afigure  solidamente instalado.

Aguardar sempre o melhor, ainda mesmo nas piores situações.

Compreender os cooperadores das tarefas em que estejamos, quando se afastam de nós, doando-lhes tranquilidade, com as nossas expressões  de simpatia e entendimento, a fim de que se sintam livres de  quaisquer compromissos.

Sofrer e chorar, quando as provações da existência a isso nos induzam, mas prosseguir trabalhando e servindo sempre.

Desculpar ofensas, com a certeza de que os erros dos outros poderiam ser nossos.

Não nos queixarmos de ninguém.

Respeitar a liberdade alheia.

Abençoar e auxiliar, sem exigências, a todos aqueles que não nos aceitem os princípios e nem pensem por nossa cabeça.

Repetir indefinidamente, esta ou aquela prestação de serviço, com inteiro esquecimento de nossos próprios interesses.

Sabemos que o progresso da ciência, na atualidade da Terra, levanta máquinas e realizações admiráveis que assombram a vida comunitária, mas não podemos esquecer que a fé constrói prodígios, na área dos sentimentos, prodígios que não compramos em supermercados e nem podemos pedir ao mais eficiente computador.

 


Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.

In: Confia e Segue

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

JESUS E VIGILÂNCIA

 

          Poucos são os que dão valor devido à vigilância, possivelmente por imaginarem que ela deva ser uma virtude dos piegas, daqueles que não sabem o que querem ou o que fazem, enfim, para os tolos ou para os frágeis.
          Olvidam-se ou ignoram que o texto do Evangelista Marcos, no seu capítulo 13, versículos 32 a 37, se faz de grande importância e oportunidade para todas as almas, uma vez que a vigilância está no mesmo nível da oração, tendo-se que de nada adiantará o conjunto das orações na vida de quem não se acautela, de quem não guarda cuidados ou não vigia.
          Vigilância no falar... portas abertas para o entendimento.
          Vigilância no olhar... afastamento das sombras do pensamento.
          Vigilância no ouvir... passos firmes contra a maledicência.
          Vigilância no divertimento... vacinação contra o desequilíbrio.
          Vigilância na convivência com próximo ... ajustamento às faixas da fraternidade.
          Importante é que cada pessoa, no seu esforço por ser precavida, atenta aos movimentos da própria rota que empreende, não se acostume ao fato de desmandar-se, de perturbar e ferir, ou de provocar infelicidades, semeando espinhos pelas estradas de todos, impensadamente, vindo a desculpar-se todas as vezes, como se fosse fácil para os outros a virtude do perdão e, para si, difícil fazer-se vigilante com seus gestos e atitudes, falas e desatinos, antes de cometê-los.
          Caber aos amigos de Jesus a manutenção dessa indispensável virtude, acautelando-se em relação aos equívocos e aos males, pois ninguém sabe qual será o momento dos acertos com a consciência, ou quando o Senhor nos virá indagar sobre os nossos cometimentos, “se de tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo ou se no amanhecer”.



(Livro: Vida e Mensagem. J. Raul Teixeira por Francisco de Paula Vítor)

domingo, 11 de fevereiro de 2024

NA INTIMIDADE DO SER

 

“Vós, pois, como eleitos de Deus, santos
e amados, revesti-vos de entranhas de
misericórdia, de benignidade, humildade,
mansidão, longanimidade.”
– Paulo. (Colossenses, 3:12)

Indubitavelmente, não basta apreciar os sentimentos sublimes que o Cristianismo inspira.

É indispensável revestirmo-nos deles.

O apóstolo não se refere a raciocínios.

Fala de profundidades.

O problema não é de pura cerebração.

É de intimidade do ser.

Alguém que possua roteiro certo do caminho a seguir, entre multidões que o desconhecem, é naturalmente eleito para administrar a orientação.

Detendo tão copiosa bagagem de conhecimentos, acerca da eternidade, o cristão legítimo é pessoa indicada a proteger os interesses espirituais de seus irmãos na jornada evolutiva; no entanto, é preciso encarecer o testemunho, que não se limita à fraseologia brilhante.

Imprescindível é que estejamos revestidos de “entranhas de misericórdia” para enfrentarmos, com êxito, os perigos crescentes do caminho.

O mal, para ceder terreno, compreende apenas a linguagem do verdadeiro bem; o orgulho, a fim de renunciar aos seus propósitos infelizes, não entende senão a humildade. Sem espírito fraternal, é impossível quebrar o escuro estilete do egoísmo. É necessário dilatar sempre as reservas de sentimento superior, de modo a avançarmos, vitoriosamente, na senda da ascensão.

Os espiritistas sinceros encontrarão luminoso estímulo nas palavras de Paulo. Alguns companheiros por certo observarão em nossa lembrança mero problema de fé religiosa, segundo o seu modo de entender; todavia, entre fazer psiquismo por alguns dias e solucionar questões para a vida eterna, há sempre considerável diferença.

 


Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

sábado, 10 de fevereiro de 2024

NÓS E JESUS

 


            Fazendo um balanço, através de reflexões, és impelido a renovar conceitos, face à necessidade de colocar o Senhor em muitas das posições que Lhe competem e que Lhe tens negado.
            Não poucas vezes, receoso e desiludido, interrogas, concluindo falsamente, qual registrando resposta infeliz, decorrente da íntima secura que padeces.
            Se ainda não te convenceste da necessidade de sintonizar com Ele, completa os raciocínios, pondo-O presente e notarás diferenças.
            Mencionas cansaço e desequilíbrio como carga que se sobrepõe, esmagadora, quase te conduzindo ao fracasso. Todavia: "O fardo é leve!"
            Referes que a amizade de amigos transitou da tua para províncias estranhas. Em decorrência sofres o vazio que ficou na alma, graças à deserção deles. No entanto: "Aquele que não tomar a sua cruz e seguir-me, não é digno de mim."
            Esclareces que a monotonia das atividades a pouco e pouco mata o ardor do ideal que antes te abrasava. Tens a sensação de que já não é a mesma a chama da fé, que ardia em ti. Apesar disso: "O trabalhador da undécima hora faz jus ao salário daquele da hora primeira."
            Informas que desejarias novos sinais dos Céus, a fim de que se robustecessem as convicções que parecem esvaziadas de conteúdo, na torpe sociedade de consumo. Sem embargo, a lição é simples: "Bem-aventurados os que não viram e creram."
            Minado por enfermidades insistentes que te roubam a vitalidade, inquires: "Onde o auxílio divino, na direção das minhas necessidades?" Não obstante, a resposta está enunciada há quase dois mil anos: "Nem todos foram curados."
            A ronda da fome aumenta cada vez mais, ampliando as dimensões dos seus domínios, e a miséria,  soberana, governa milhões de destinos. Marejam-se os teus olhos, em justa compunção. No íntimo, indagas: "Por que o Senhor não solve a dificuldade?" Entrementes, a elucidação já foi dada: "nem só de pão vive o homem...."
*
            Sim, são horas de balanço interior, momento de colher o resultado da
semeadura.
            Cada um respira emocionalmente o clima da província psíquica em que situa as aspirações.
            O homem alcança o destino que lhe compraz, e o ideal, nele, tem a vitalidade que o suprimento de sacrifício lhe dá, através de quem o sustenta.
            És parte da família que constitui o rebanho do Cristo. O Senhor prossegue o mesmo. Faze um exame racional e honesto, a fim de verificares se a mudança, por acaso, não terá sido de tua parte.
            O rumo que Ele nos aponta continua indicando liberdade. As amarras foram construídas por cada qual, para a própria escravidão espiritual.
            Diante de tais considerações, no báratro dos tormentosos dias, convém
consultar Jesus, sem cessar. E, se tiveres ouvidos capazes de escutar-discernindo, percebê-lo-ás a repetir: "Eu sou o Caminho: Vinde a mim!"



(Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis. In: Celeiro de Bênçãos)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

NUTRIÇÃO ESPIRITUAL

 

“Bom é que o coração se fortifique com
graça e não com manjares, que de
nada aproveitaram aos que a eles se
entregaram.” Paulo (Hebreus, 13:9)

Há vícios de nutrição da alma, tanto quanto existem na alimentação do corpo.

Muitas pessoas trocam a água pura pelas bebidas excitantes, qual ocorre a muita gente que prefere lidar com a ilusão perniciosa, em se tratando dos problemas espirituais.

O alimento do coração, para ser efetivo na vida eterna, há de basear-se nas realidades simples do caminho evolutivo.

É imprescindível estejamos fortificados com os valores iluminativos, sem atender aos deslumbramentos da fantasia que procede do exterior. E justamente na estrada religiosa é que semelhante esforço exige mais amplo aprimoramento.

O crente, de maneira geral, está sempre sequioso de situações que lhe atendam aos caprichos nocivos, quanto o gastrônomo anseia pelos pratos exóticos; entretanto, da mesma sorte que os prazeres da mesa em nada aproveitam nas atividades essenciais, as sensações empolgantes da zona fenomênica se tornam inúteis ao espírito, quando este não possui recursos interiores suficientes para compreender as finalidades.

Inúmeros aprendizes guardam a experiência religiosa, que lhes diz respeito, por questão puramente intelectual. Imperioso, porém, é reconhecer que o alimento da alma para fixar-se, em definitivo, reclama o coração sinceramente interessado nas verdades divinas.

Quando um homem se coloca nessa posição íntima, fortifica-se realmente para a sublimação, porque reconhece tanto material de trabalho digno, em torno dos próprios passos, que qualquer sensação transitória, para ele, passa a localizar-se nos últimos degraus do caminho.

 


Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

PODANDO IRRITAÇÕES

  Se ainda trazes, porventura, o hábito de encolerizar-te, se já consegues reconhecer-lhe os prejuízos, podes claramente erradicá-lo, aten...