Abel Gomes
Francisco Cândido Xavier
Autores espirituais diversos
Abel Gomes
Terminada que
foi a alocução, pronunciada com a mais sagrada das eloquências e que, de
modo geral, imperfeitamente reproduzo, com os meus olhos nublados de pranto,
ouvi o soluço de muitos dos circunstantes, que choravam sob o império da mais
forte emoção.
Então oramos,
acompanhando os inspirados impulsos daquele enviado celeste, que procurava
incutir-nos a fé, a esperança e a resignação, através das suas palavras
compassivas e piedosas.
Um luar
indescritível, projetando-se na tribuna que lhe guardava ainda a luminosa
figura, banhou as nossas frontes, e pude observar que a atmosfera se impregnava
de capitoso perfume. Percebi ainda que, sobre as naves encantadas do templo,
profusamente caíram flores iguais às rosas terrenas, mas que se desfaziam ao
tocar em nossas cabeças como taças fluidas de luminosidade e de aroma.
Ah, como chorei
naquele dia! Minh’alma frágil se comovia sob indômita emotividade; mas, desde
aquele instante, incorporei-me à grande falange dos espíritos benignos que
mourejavam em suas tarefas ao lado da Terra, trabalhando pelo bem dos seus semelhantes,
beneficiando-se simultaneamente no mais útil dos aprendizados.
Pensamento sombrio?
Alguns instantes de
prece.
Irritação?
Silêncio de meia
hora pelo menos.
Tristeza?
Ampliação voluntária
da quota de trabalho habitual.
Impulso à crítica
destrutiva?
Observemos as nossas
próprias fraquezas.
Desejo de censurar o
próximo?
Um olhar para dentro
de nós mesmos.
Solidão?
Auxiliar a alguém
que, em relação a nós, talvez se encontre mais próximo.
Tédio?
Visita a um hospital
para que se possa medir as próprias vantagens.
Ofensa?
Perdoar e servir
mais amplamente.
Ressentimento?
Olvido de todo mal.
Fracasso?
Voltar às boas obras
e começar outra vez.
O versículo de Lucas, aqui
anotado, refere-se ao pai de família que cerrou a porta aos filhos ingratos.
O quadro reflete a situação dos
religiosos de todos os matizes que apenas falaram, em demasia, reportando-se ao
nome de Jesus. No dia da análise minuciosa, quando a morte abre, de novo, a
porta espiritual, eis que dirão haver comido e bebido” na presença do Mestre,
cujos ensinamentos conheceram e disseminaram nas ruas.
Comeram e beberam apenas.
Aproveitaram-se dos recursos egoisticamente.
Comeram e acreditaram com a fé
intelectual. Beberam e transmitiram o que haviam aprendido de outrem. Assimilar
a lição na existência própria não lhes interessava a mente inconstante.
Conheceram o Mestre, é verdade,
mas não o revelaram em seus corações.
Também Jesus conhecia Deus; no
entanto, não se limitou a afirmar a realidade dessas relações. Viveu o amor ao
Pai, junto dos homens.
Ensinando a verdade,
entregou-se à redenção humana, sem cogitar de recompensa. Entendeu as criaturas
antes que essas o entendessem, concedeu-nos supremo favor com a sua vinda,
deu-se em holocausto para que aprendêssemos a ciência do bem.
Não bastará crer
intelectualmente em Jesus. É necessário aplicá-lo a nós próprios.
O homem deve cultivar a
meditação no círculo dos problemas que o preocupam cada dia. Os irracionais
também comem e bebem. Contudo, os filhos das nações nascem na Terra para uma
vida mais alta.
Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Caminho, Verdade e Vida
“E a caridade é esta: que andemos segundo os
seus mandamentos. Este é o mandamento,
como já desde o principio ouvistes; que
andeis nele.” - João. (II João, 6)
Em todos os lugares e situações da vida, a caridade será
sempre a fonte divina das bênçãos do Senhor.
Quem dá o pão ao faminto e água ao sedento, remédio ao
enfermo e luz ao ignorante, está colaborando na edificação do Reino Divino, em
qualquer setor da existência ou da fé religiosa a que foi chamado.
A voz compassiva e fraternal que ilumina o espírito é irmã
das mãos que alimentam o corpo.
Assistência, medicação e ensinamento constituem
modalidades santas da caridade generosa que executa os programas do bem. São
vestiduras diferentes de uma virtude única. Conjugam-se e completam-se num todo
nobre e digno.
Ninguém pode assistir a outrem, com eficiência, se não
procurou a edificação de si mesmo; ninguém medicará, com proveito, se não
adquiriu o espírito de boa-vontade para com os que necessitam, e ninguém
ensinará, com segurança, se não possui a seu favor os atos de amor ao próximo,
no que se refira à compreensão e ao auxílio fraternais.
Em razão disso, as menores manifestações de caridade,
nascidas da sincera disposição de servir com Jesus, são atividades sagradas e
indiscutíveis. Em todos os lugares, serão sempre sublimes luzes da
fraternidade, disseminando alegria, esperança, gratidão, conforto e
intercessões benditas.
Antes, porém, da caridade que se manifesta exteriormente
nos variados setores da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não
poderemos efetuar a edificação e a redenção de nós mesmos. Trata-se da caridade
de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos do Divino Mestre, no
Evangelho. É a caridade de vivermos verdadeiramente nEle para que Ele viva em
nós. Sem esta, poderemos levar a efeito grandes serviços externos, alcançar
intercessões valiosas em nosso benefício, espalhar notáveis obras de pedra,
mas, dentro de nós mesmos, nos instantes de supremo testemunho na fé, estaremos
vazios e desolados, na condição de mendigos de luz.
Vinha de Luz. Francisco C Xavier por Emmanuel
“Recebestes o
Espírito Santo quando
crestes?” –
(Atos, 19:2)
O católico
recolhe o sacramento do batismo e ganha um selo para identificação pessoal na
estatística da Igreja a que pertence.
O reformista das
letras evangélicas entra no mesmo cerimonial e conquista um número no cadastro
religioso do templo a que se filia.
O espiritista
incorpora-se a essa ou àquela entidade consagrada à nossa Doutrina Consoladora
e participa verbalmente do trabalho renovador.
Todos esses
aprendizes da escola cristã se reconfortam e se rejubilam.
Uns partilham o
contentamento da mesa eucarística que lhes aviva a esperança no Céu; outros
cantam, em conjunto, exaltando a Divina Bondade, aliciando largo material de
estímulo na jornada santificante; outros, ainda, se reúnem, ao redor da prece
ardente, e recebem mensagens luminosas e reveladoras de emissários celestiais,
que lhes consolidam a convicção na imortalidade, além...
Todas essas
posições, contudo, são de proveito, consolação e vantagem.
É imperioso reconhecer,
porém, que se a semente é auxiliada pela adubação, pela água e pelo sol, é
obrigada a trabalhar, dentro de si mesma, a fim de produzir.
Medita, pois, na
sublimidade da indagação apostólica: “Recebeste o Espírito Santo quando
creste?”
Vale-te da revelação
com que a fé te beneficia e santifica o teu caminho, espalhando o bem.
Tua vida pode
converter-se num manancial de bênçãos para os outros e para tua alma, se te
aplicares, em verdade, ao Mestre do Amor. Lembra-te de que não és tu quem
espera pela Divina Luz. É a Divina Luz, força do Céu ao teu lado, que permanece
esperando por ti.
Francisco Cândido Xavier
por Emmanuel. In: Fonte Viva
Aceita os instrumentos
Das provas que te apuram.
Toda renovação
Traz a dor onde surja.
Que seria da pedra
Sem toques de martelo?
Sem massacres do trigo,
Não teríamos pão.
Nos teus dias de crise,
Sofre com paciência.
Tolerância nas provas
É degrau para Deus.
De “O Essencial”
Francisco Cândido Xavier
Espírito Emmanuel
Ouve a consciência que te impele ao dever e não te perturbes. Serve e caminha. Não podemos construir os mínimos tópicos de alegria no ...