quarta-feira, 18 de outubro de 2023

COMPAIXÃO EM FAMÍLIA


"Mas se alguém não tem cuidado dos seus e,
principalmente dos da sua família,
negou a fé ..." Paulo. {I Timóteo, 5:8}

    São muitos assim,

    Descarregam primorosa mensagem nas assembléias, exortando o povo  à compaixão; bordam conceitos e citações, a fim de que a brandura seja  lembrada; entretanto, no instituto doméstico, são carrascos de sorriso na  boca.

    Traçam páginas de subido valor, em honra da virtude, comovendo  multidões; mas não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam  entre as paredes familiares.

    Promovem subscrições de auxílio público, em socorro das vítimas  de calamidades ocorridas em outros continentes, transformando-se em  titulares da grande benemerência; contudo, negam simples olhar de carinho ao  servidor que lhes pões a mesa.

    Incitam a comunidade aos rasgos de heroísmo econômico, no  levantamento de albergues e hospitais, disputando créditos publicitários em  torno do próprio nome; entretanto, não hesitam exportar, no rumo do asilo, o  avô menos feliz que a provação expõe à caducidade.

    Não seremos nós quem lhes vá censurar semelhante procedimento.

    Toda migalha de amor está registrada na lei, em favor de quem a emite.

    Mais vale fazer bem aos que vivem longe, que não fazer bem  algum.

    Ajudemos, sim, ajudemos aos outros, quanto nos seja possível;  entretanto, sejamos igualmente bons para com aqueles que respiram em nosso  hálito. Devedores de muitos séculos, temos em casa, no trabalho, no caminho,  no ideal ou na parentela, as nossas principais testemunhas de quitação.


(Emmanuel/Francisco Cândido, em:
Palavras de vida eterna)

terça-feira, 17 de outubro de 2023

O VERBO É CRIADOR

 

“Mas o que sai da boca procede do
coração, e isso contamina o homem.”
– Jesus. (Mateus, 15:18)

O ensinamento do Mestre, sob o véu da letra, consubstancia profunda advertência.

Indispensável cuidar do coração, como fonte emissora do verbo, para que não percamos a harmonia necessária à própria felicidade.

O que sai do coração e da mente, pela boca, é força viva e palpitante, envolvendo a criatura para o bem ou para o mal, conforme a natureza da emissão.

Do íntimo dos tiranos, por esse processo, origina-se o movimento inicial da guerra, movimento destruidor que torna à fonte em que nasceu, lançando ruína e aniquilamento.

Da alma dos caluniadores, partem os venenos que atormentam espíritos generosos, mas que voltam a eles mesmos, escurecendo-lhes os horizontes mentais.

Do coração dos maus, dos perversos e dos inconscientes, surgem, através do poder verbalista, os primórdios das quedas, dos crimes e das injustiças; todavia, tais elementos perturbadores não se articulam debalde para os próprios autores, porque dia chegará em que colherão os frutos amargos da atividade infeliz a que deram impulso.

Assim também, a alegria semeada, por intermédio das palavras salutares e construtivas, cresce e dá os seus resultados.

O auxílio fraterno espalha benefícios infinitos, e o perfume do bem, ainda quando derramado sobre os ingratos, volta em ondas invisíveis a reconfortar a fronte que o emite.

O ato de bondade é invariável força benéfica, em derredor de quem o mobiliza. Há imponderáveis energias edificantes, em torno daqueles que mantêm viva a chama dos bons pensamentos a iluminar o caminho alheio, por intermédio da conversação estimulante e sadia.

Os elementos psíquicos que exteriorizamos pela boca são potências atuantes em nosso nome, fatores ativos que agem sob nossa responsabilidade, em plano próximo ou remoto, de acordo com as nossas intenções mais secretas.

É imprescindível vigiar a boca, porque o verbo cria, insinua, inclina, modifica, renova ou destrói, por dilatação viva de nossa personalidade.

Em todos os dias e acontecimentos da vida, recordemos com o Divino Mestre de que a palavra procede do coração e, por isso mesmo, contamina o homem.

 

 Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

FAZER LUZ


 "Acolhei o que é débil na fé, não, porém,
para discutir opiniões". - Paulo (Romanos, 14:1)

    Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.
    Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.
    A Ciência investiga.
    A Religião crê.
    Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a     Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.
    Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.
    Auxiliemo-nos mutuamente.
    Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.
    Diz o Apóstolo Paulo: "Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.


(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Segue-me)

domingo, 15 de outubro de 2023

DIA-A-DIA


            Nas curtas viagens do dia-a-dia, todos nós encontramos o próximo, para                cuja dificuldade somos o próximo mais próximo.

            Imaginemo-nos, assim, numa excursão de cem passos que nos transporte do lar à rua. Não longe, passa um homem que não conseguimos, de imediato, reconhecer.
            “Quem será?” — perguntamos em pensamento.
            E a Lei de Amor no-lo aponta como alguém que precisa de algo:
            se vive em penúria, espera socorro;
            se abastado, solicita assistência moral, de maneira a empregar, com justiça, as sobras de que dispõe;
            se aflito, pede consolo;
            se alegre, reclama apreço fraterno, para manter-se ajustado à ponderação;
            se é companheiro, aguarda concurso amigo;
            se é adversário, exige respeito;
            se benfeitor, requer cooperação;
            se malfeitor, demanda piedade;
            se doente, requisita remédio;
            se é dono de razoável saúde, precisa de apoio a fim de que a preserve;
            se ignorante, roga amparo educativo;
            se culto, reivindica estímulo ao trabalho, para desentranhar, a benefício dos semelhantes, os tesouros que acumula na inteligência;
            se é bom, não prescinde de auxílio para fazer-se melhor;
            se é menos bom, espera compaixão, que o integre na divindade da vida.
            Ante o ensino de Jesus, pelo samaritano da caridade, poderemos facilmente entender que os outros necessitam de nós, tanto quanto necessitamos dos outros. E, para atender às nossas obrigações, no socorro mútuo, comecemos, à frente de qualquer um, pelo exercício espontâneo da compreensão e da simpatia.


(Livro: Caminho Espírita. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

sábado, 14 de outubro de 2023

NA CULTURA DA PAZ


 “Bem-aventurados os pacificadores
porque serão chamados filhos de Deus”.
– Jesus. (Mateus, 5:9).


Na cultura da paz, saibamos sempre:
respeitar as opiniões alheias como desejamos seja mantido o respeito dos outros para com as nossas;
colocar-nos na posição dos companheiros em dificuldades, a fim de que lhes saibamos ser úteis;
calar referências impróprias ou destrutivas;
reconhecer que as nossas dores e provações não são diferentes daquelas que visitam o coração do próximo;
consagrar-nos ao cumprimento das próprias obrigações;
fazer de cada ocasião a melhor oportunidade de cooperar a benefício dos semelhantes;
melhorar-nos, através do trabalho e do estudo, seja onde for;
cultivar o prazer de servir;
semear o amor, por toda parte, entre amigos e inimigos;
jamais duvidar da vitória do bem;
Buscando a consideração de pacificadores, guardemos a certeza de que a paz verdadeira não surge, espontânea, de vez que é e será sempre fruto do esforço de cada um.


(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Ceifa de Luz)

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

A SEMENTE


“E, quando semeias, não semeias o corpo
que há de nascer, mas o simples grão
de trigo ou de outra qualquer semente.”
Paulo (I Coríntios, 15:37)

 

Nos serviços da Natureza, a semente reveste-se, aos nossos olhos, do sagrado papel de sacerdotisa do Criador e da Vida.

Gloriosa herdeira do poder divino, coopera na evolução do mundo e transmite silenciosa e sublime lição, tocada de valores infinitos, à criatura.

Exemplifica sabiamente a necessidade dos pontos de partida, as requisições justas de trabalho, os lugares próprios, os tempos adequados.

Há homens inquietos e insaciados que ainda não conseguiram compreendê-la.

Exigem as grandes obras de um dia para outro, impõem medidas tirânicas pela força das ordenações ou das armas ou pretendem trair as leis profundas da Natureza; aceleram os processos da ambição, estabelecem domínio transitório, alardeiam mentirosas conquistas, incham-se e caem, sem nenhuma edificação santificadora para si ou para outrem.

Não souberam aprender com a semente minúscula que lhes dá trigo ao pão de cada dia e lhes garante a vida, em todas as regiões de luta planetária.

Saber começar constitui serviço muito importante.

No esforço redentor, é indispensável que não se percam de vista as possibilidades pequeninas: um gesto, uma palestra, uma hora, uma frase pode representar sementes gloriosas para edificações imortais. Imprescindível, pois, jamais desprezá-las.

 

Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

terça-feira, 10 de outubro de 2023

A ORAÇÃO DO JUSTO

 

“A oração feita por um justo pode muito

em seus efeitos.” – (Tiago, 5:16)


Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, todo impulso e todo anseio constituem também orações que partem da Natureza.

O verme que se arrasta com dificuldade, no fundo está rogando recursos de locomoção mais fácil.

A loba, cariciando o filhotinho, no imo do ser permanece implorando lições de amor que lhe modifiquem a expressão selvagem.

O homem primitivo, adorando o trovão, nos recessos d'alma pede explicações da Divindade, de maneira a educar os impulsos de fé.

Todas as necessidades do mundo, traduzidas no esforço dos seres viventes, valem por súplicas das criaturas ao Criador e Pai.

Por isso mesmo, se o desejo do homem bom é uma prece, o propósito do homem mau ou desequilibrado é também uma rogativa.

Ainda aqui, porém, temos a lei da densidade específica.

Atira uma pedra ao vizinho e o projétil será imediatamente atraído para baixo.

Deixa cair algumas gotas de perfume sobre a fronte de teu irmão e o aroma se espalhará na atmosfera.

Liberta uma serpente e ela procurará uma toca.

Solta uma andorinha e ela buscará a altura.

Minerais, vegetais, animais e almas humanas estão pedindo habitualmente, e a Providência Divina, através da Natureza, vive sempre respondendo.

Há processos de solução demorada e respostas que levam séculos para descerem dos Céus à Terra.

Mas de todas as orações que se elevam para o alto, o apóstolo destaca a do homem justo como sendo revestida de intenso poder.

É que a consciência reta, no ajustamento à Lei, já conquistou amizades e intercessões numerosas.

Quem ajunta amigos, amontoa amor. Quem amontoa amor, acumula poder.

Aprende, assim, agir com justiça e bondade e teus rogos subirão sem entraves, amparados pelos veículos da simpatia e da gratidão, porque o justo, em verdade, onde estiver, é sempre um cooperador de Deus.


 

Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

A GRANDE LUTA

  “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas...