segunda-feira, 18 de setembro de 2023

A CORTINA DO “EU”

 

“Porque todos buscam o que é seu e não

o que é do Cristo Jesus.” – Paulo. (Filipenses, 2:21)


Em verdade, estudamos com o Cristo a ciência divina de ligação com o Pai, mas ainda nos achamos muito distantes da genuína comunhão com os interesses divinos.

Por trás da cortina do “eu”, conservamos lamentável cegueira diante da vida.

Examinemos imparcialmente as atitudes que nos são peculiares nos próprios serviços do bem, de que somos cooperadores iniciantes, e observaremos que, mesmo aí, em assuntos da virtude, a nossa percentagem de capricho individual é invariavelmente enorme.

A antiga lenda de Narciso permanece viva, em nossos mínimos gestos, em maior ou menor porção.

Em tudo e em toda parte, apaixonamo-nos pela nossa própria imagem.

Nos seres mais queridos, habitualmente amamos a nós mesmos, porque, se demonstram pontos de vista diferentes dos nossos, ainda mesmo quando superiores aos princípios que esposamos, instintivamente enfraquecemos a afeição que lhes consagrávamos.

Nas obras do bem a que nos devotamos, estimamos, acima de tudo, os métodos e processos que se exteriorizam do nosso modo de ser e de entender, porquanto, se o serviço evolui ou se aperfeiçoa, refletindo o pensamento de outras personalidades acima da nossa, operamos, quase sem perceber, a diminuição do nosso interesse para com os trabalhos iniciados.

Aceitamos a colaboração alheia, mas sentimos dificuldade para oferecer o concurso que nos compete.

Se nos achamos em posição superior, doamos com alegria uma fortuna ao irmão necessitado que segue conosco em condição de subalternidade, a fim de contemplarmos com volúpia as nossas qualidades nobres no reconhecimento de longo curso a que se sente constrangido, mas raramente concedemos um sorriso de boa-vontade ao companheiro mais abastado ou mais forte, posto pelos Desígnios Divinos à nossa frente.

Em todos os passos da luta humana, encontramos a virtude rodeada de vícios e o conhecimento dignificante quase sufocado pelos espinhos da ignorância, porque, infelizmente, cada um de nós, de modo geral, vive à procura do “eu mesmo”.

Entretanto, graças à Bondade de Deus, o sofrimento e a morte nos surpreendem, na experiência do corpo e além dela, arrebatando-nos aos vastos continentes da meditação e da humildade, onde aprenderemos, pouco a pouco, a buscar o que pertence a Jesus-Cristo, em favor da nossa verdadeira felicidade, dentro da glória de viver.


 

Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

QUEM SABE...


        Não se atribua a posse exclusiva da verdade.

        Quem sabe discernir descobre fragmentos e expressões da sua legitimidade em toda parte.
*
        Faça-se sincero aprendiz onde esteja, ante quem se encontre disposto a ensinar-lhe algo.
        Quem sabe ouvir para compreender, aprimora os conhecimentos e dilata a percepção em torno das pessoas, das coisas e da ocorrências.
*
        Poupe-se parecer mais do que é.
        Quem sabe conhecer-se, também está informado de que há pessoas mais e menos dotadas, portanto, melhores e piores do que ele próprio.
*
        Nunca se suponha indispensável.
        Quem sabe servir não ignora que está produzindo sempre a benefício de si mesmo.
*
        Aceite a cooperação de outrem.
        Quem sabe ser individualista, possui visão moral defeituosa a respeito da sua tarefa na Terra.
*
        Elabore seus programas com antecipação.
        Quem sabe ser prudente está preparado para o êxito como para o insucesso, mantendo-se tranquilo em qualquer circunstância.
*
        Não se faculte perder uma oportunidade de proveito superior.
        Quem sabe utilizar o momento, adquire vasto patrimônio de tempo, que não se repete.
*
        Não ocorrendo suceder o seu trabalho, conforme esperava, conserve a serenidade.
        Quem sabe manter-se calmo ante o imprevisto, supera o problema e domina a situação.
*
        Ante alguém que acusa outrem que lhe é antipático, não adicione os resíduos da sua mágoa.
        Quem sabe silenciar falhas, poupa-se a muitos arrependimentos.
*
        Controle suas emoções antes que elas o desgovernem.
        Quem sabe conduzir-se com equilíbrio, raramente repete com aflição as experiências.
*
        Você abraça uma filosofia existencial que lhe fala da sobrevivência à morte, portanto, de que o homem, na Terra, se está preparando 
para prosseguir, embora noutro estado vibratório, uma vida que não cessa, não se interrompe.
        Quem sabe disso deve estar preparado a todo o momento, porquanto, vivendo hoje, com elevação, amanhã prosseguirá com felicidade.



(Divaldo Pereira Franco por Marco Prisco. In: Sementes de Vida Eterna)

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

USE SEUS DIREITOS


       Realmente, você dispõe do direito de :

       de amealhar, em seu benefício, os frutos da experiência;

       de guardar em silêncio a lição que lhe cabe em cada circunstância;

       de reprimir os próprios gastos para atender ao culto do amor ao próximo;

       de acumular os valores morais do caminho por onde passa;

       de aperfeiçoar primeiramente o seu coração, antes de intentar o burilamento de outras almas:

       de socorrer as vidas menos felizes que a sua própria;

       de agasalhar indistintamente os desnudos do corpo e da alma;

       de espalhar a sua influência na preservação da paz e da alegria;

       de mostrar diretrizes superiores ao irmão de luta, colocando-se, antes de tudo, dentro delas;

       de libertar-se dos preconceitos injustos sem alarmar as mentes alheias;

       e de convocar aqueles, com quem convive, ao campo do trabalho edificante, sem exigir nem gritar, mas sim com a mensagem silenciosa de seu exemplo na sustentação do bem, com a certeza de que o dever respeitado e cumprido, é o caminho justo para o direito de crescer com Jesus no serviço da felicidade geral.

 

 

André Luiz (Waldo Vieira)

De “Estude e Viva”

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

MOCIDADE E VELHICE


"O jovem de hoje, pelas determinações biológicas
do Planeta, será o velho de amanhã; e o ancião
de agora, pela lei sublime da reencarnação, será
o moço do futuro." - André Luiz

Infância, juventude, madureza e velhice são simples fases da experiência material.

A vida é essência divina e a juventude é seiva eterna do espírito imperecível.

Mocidade da alma é condição de todas as criaturas que receberam com a existência o aprendizado sublime, em favor da iluminação de si mesmas e que acolheram no trabalho incessante do bem o melhor programa de engrandecimento e ascensão da personalidade.

A velhice, pois, como índice de senilidade improdutiva ou enfermiça, constitui, portanto, apenas um estado provisório da mente que desistiu de aprender e de progredir nos quadros de luta redentora e santificante que o mundo nos oferece.

Nesse sentido, há jovens no corpo físico que revelam avançadas características de senectude, pela ociosidade e rebeldia a que se confinam, e velhos na indumentária carnal que ressurgem sempre à maneira de moços invulneráveis, clareando as tarefas de todos pelo entusiasmo e bondade, valor e alegria com que sabem fortalecer os semelhantes na jornada para a frente.

Se a individualidade e o caráter não dependem da roupa com que o homem se apresenta na vida social, a varonilidade juvenil e o bom ânimo não se acham escravizados à roupagem transitória.

O jovem de hoje, pelas determinações biológicas do Planeta, será o velho de amanhã; e o ancião de agora, pela lei sublime da reencarnação, será o moço do futuro.

Lembramo-nos, porém, de que a Vida é imortal, de que o Espiritismo é escola ascendente de progresso e sublimação, de que o Evangelho é luz eterna, em torno da qual nos cabe dever de estruturar as nossas asas de Sabedoria e de Amor e, num abraço compreensivo de verdadeira fraternidade, no círculo das esperanças, dificuldades e aspirações que nos identificam uns com os outros, continuemos trabalhando.

 

 Do livro "Correio Fraterno", André Luiz/Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 12 de setembro de 2023

SEXO


“Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus,
que nenhuma coisa é de si mesma imunda a
não ser para aquele que a tem por
imunda.” Paulo (Romanos, 14:14)

Quando Paulo de Tarso escreveu esta observação aos romanos, referia-se à alimentação que, na época, representava objeto de áridas discussões entre gentios e judeus.

Nos dias que passam, o ato de comer já não desperta polêmicas perigosas, entretanto, podemos tomar o versículo e projetá-lo noutros setores de falsa opinião.

Vejamos o sexo, por exemplo. Nenhum departamento da atividade terrestre sofre maiores aleives. Fundamente cego de espírito, o homem, de maneira geral, ainda não consegue descobrir aí um dos motivos mais sublimes de sua existência.

Realizações das mais belas, na luta planetária, quais sejam as da aproximação das almas na paternidade e na maternidade, a criação e a reprodução das formas, a extensão da vida e preciosos estímulos ao trabalho e à regeneração foram proporcionadas pelo Senhor às criaturas, por intermédio das emoções sexuais; todavia, os homens menoscabam o “lugar santo”, povoando-lhe os altares com os

fantasmas do desregramento.

O sexo fez o lar e criou o nome de mãe, contudo, o egoísmo humano deu-lhe em troca absurdas experimentações de animalidade, organizando para si mesmo provações cruéis.

O Pai ofereceu o santuário aos filhos, mas a incompreensão se constituiu em oferta deles. É por isto que romances dolorosos e aflitivos se estendem, através de todos os continentes da Terra.

Ainda assim, mergulhado em deploráveis desvios, pergunta o homem pela educação sexual, exigindo-lhe os programas. Sim, semelhantes programas poderão ser úteis; todavia, apenas quando espalhar-se

a santa noção da divindade do poder criador, porque, enquanto houver imundície no coração de quem analise ou de quem ensine, os métodos não passarão de coisas igualmente imundas.

 


Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

VIVER COM SERENIDADE


    No tumulto, que ruge desenfreado, precata-te na serenidade.

    Ante o clamor das mil vozes da anarquia, que engrossa as fileiras da alucinação, mantém-te em serenidade.
    Sob as tempestades da dor generalizada ou a coerção de aflições que pressionam, preserva a serenidade.

    No meio do vozerio, que reclama e blasfema sob falso fundamento de justiça ou não, vive com serenidade.
    Na conjuntura de expectativas malsãs, ante o desalinho que se faz lugar comum, insiste na serenidade.
    Porque todos se descontrolem, ameaçando a harmonia geral, não percas a serenidade.

    Serenidade em qualquer situação. Serenidade com Deus.
    Certamente não é fácil uma atitude pacifista quando se enfrenta a agressão asselvajada.
    Sem dúvida é um desafio sustentar o equilíbrio sob o açodar da violência primitiva.
    Ninguém nega a dificuldade em permanecer com nobreza em meio às viciações que grassam, dominadores.

    Quem, no entanto, conhece Jesus, tem um compromisso com a serenidade de que Ele deu mostras em todos os transes da Sua vida.
    A identificação com o Mestre impõe a consciência do discernimento em meio à malversação dos valores que se desatinam, em desconcerto.

    A afinidade com o Cristo reveste o indivíduo de fortaleza moral para permanecer no posto fiel da paz.
    Ninguém se justifique em face das armadilhas em que tomba.
    Ninguém se escuse do esforço que deve envidar, preservando a integridade.

    Ninguém procure desculpas para tombar no redemoinho das paixões dissolventes.

    Os mecanismos de evasão fazem-se uma atitude cômoda, amolentada, diante das dissonantes composturas morais que se estabelecem na Terra com o beneplácito dos cristãos...
    A serenidade em tudo, caracteriza o amadurecimento do Espírito na forja dos testemunhos, disposto, realmente, a atingir o ponto final da sua difícil trajetória.
    Só uma decisão finalista e argamassada no desejo honesto de não cair, de não desistir, de não asselvajar-se, leva o homem ao planalto da serenidade, em que o Mestre aguarda todos quantos se candidatam ao Reino.

    Considerando a gravidade do momento que se vive no planeta angustiado, a serenidade é uma eficiente medicação de emergência para evitar o contágio dos males que predominam nos corações.
    Com ela, todos teremos forças para os cometimentos elevados que a vida nos propõe em forma de testes para o nosso aprimoramento íntimo. E quando esta serenidade parecer desequilibrar-se, busca a oração que imana o homem ao Senhor numa sublime osmose, e absorverás o fluido pacificador que verte do Pai, recompondo-te, para prosseguir.





(Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis. In: Receitas de Paz)

domingo, 10 de setembro de 2023

MAIORAIS


 "E ele, assentando-se, chamou os doze e
disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro,
será o último de todos e servo de todos." 
- (MARCOS, 9:35.)

    
    Ser dos primeiros na Terra não é problema de solução complicada.

    Há maiorais no mundo em todas as situações.

    A ciência, a filosofia, o sacerdócio, tanto quanto a política, o comércio e as finanças podem exibi-los, facilmente.

    Os homens principais da ciência, com legitimas exceções, costumam ser grandes presunçosos; os da filosofia, argutos sofistas do pensamento; os do sacerdócio, fanáticos sem compreensão da verdadeira fé. Em política, muitos dos maiorais são tiranos; no comércio, inúmeros são exploradores e, nas finanças, muitos deles não passam de associados das sombras contra os interesses coletivos.

    Ser dos primeiros, no entanto, nas esferas de Jesus sobre a Terra, não é questão de fácil acesso à criatura vulgar.

    Nos departamentos do mundo materializado, os principais devem ser os primeiros a serem servidos e contam com a obediência compulsória de todos.

    Em Cristianismo puro, os espíritos dominantes são os últimos na recepção dos benefícios, porquanto são servos reais de quantos lhes procuram a colaboração fraterna.

    É por isto que em todas as escolas cristãs há numerosos pregadores, muitos mordomos, turbas de operários, cooperadores do culto, polemistas valiosos, doutores da letra, intérpretes competentes, reformistas apaixonados, mas raríssimos apóstolos.

    De modo geral, quase todos os crentes se dispõem ao ensino e ao conselho, prontos ao combate espetaculoso e à advertência humilhante ou vaidosa, poucos surgindo com o desejo de servir, em silêncio, convencidos de que toda a glória pertence a Deus.



 (Emmanuel/Francisco Candido Xavier In: Vinha de Luz)

A LÍNGUA

Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas.  Ponderada - favorece...