domingo, 8 de outubro de 2023

DESCULPISMO



 “E todos a uma vez começaram a escusar-se.
Disse lhe o primeiro: comprei um campo
e importa ir vê-lo; rogo-te que haja escusado.”
Jesus – ( LUCAS, 14:18)


Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.
Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na delinquência costumam justificar-se com vigoroso poder de persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate preciso.
Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve, entretanto, acabam suportando em si mesmos as consequências das responsabilidades a que se afeiçoam.
E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra, surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:
- Estou muito jovem ainda...
- Sou velho demais...
- Assumi compromissos de monta e não posso atender...
- Minhas atribulações são enormes...
- Obrigações de família estão crescendo...
- Os negócios não me permitem qualquer atividade espiritual...
- Empenhei-me a débitos que me afligem...
- Os filhos tomam tempo...
- Problemas são muitos...
Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram à frente de grande sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga.
Os convidados para a lavoura de luz, no entanto, engodados por si próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, não encontram outra providência restauradora senão a de esperarem por outras reencarnações.



(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna)

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

ESTENDAMOS O BEM


“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence

o mal com o bem”. – Paulo. (Romanos, 12:21)


Repara que, em plena casa da Natureza, todos os elementos, em face do mal, oferecem o melhor que possuem para o reajustamento da harmonia e para a vitória do bem.

Quando o temporal parece haver destruído toda a paisagem, congregam-se as forças divinas da vida para a obra do refazimento.

O Sol envia luz sobre o lamaçal, curando as chagas do chão.

O vento acaricia o arvoredo e enxuga-lhe os ramos.

O cântico das aves substitui a voz do trovão.

A planície recebe a enxurrada, sem revoltar-se, e converte-a em adubo precioso.

O ar que suporta o peso das nuvens e o choque da faísca destruidora, torna à leveza e à suavidade.

A árvore de frondes quebradas ou feridas regenera-se, em silêncio, a fim de produzir novas flores e novos frutos.

A terra, nossa mãe comum, sofre a chuva de granizos e o banho de lodo, periodicamente, mas nem por isso deixa de engrandecer o bem cada vez mais.

Por que conservaremos, por nossa vez, o fel e o azedume do mal, na intimidade do coração?

Aprendamos a receber a visita da adversidade, educando-lhe as energias para proveito da vida.

A ignorância é apenas uma grande noite que cederá lugar ao sol da sabedoria.

Usa o tesouro de teu amor, em todas as direções, e estendamos o bem por toda parte.

A fonte, quando tocada de lama, jamais se dá por vencida. Acolhe os detritos no próprio seio e, continuando a fluir, transforma-os em bênçãos, no curso de suas águas que prosseguem correndo, com brandura e humildade, para benefício de todos.

 

  

Livro: Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

FARISEUS


“Acautelai-vos, primeiramente, do
fermento dos fariseus”
– Jesus. (Lucas, 12:1)

Fariseu ainda é todo presunçoso, dogmático, exclusivo, pretenso privilegiado das Forças Divinas.

O orgulhoso descendente dos doutores de Jerusalém ainda vive. Atravessa todas as organizações humanas. Respira em todos os templos terrestres. Acredita-se o herdeiro único da Divina Bondade. Nada aprecia senão pelo prisma do orgulho pessoal. Traça programas caprichosos e intenta torcer as próprias leis universais, submetendo-as ao ponto de vista que esposou na sua escola ou no seu argumento sectarista.

Jamais comparece, ante a bênção do Senhor, na condição de alguém que se converteu em instrumento de seus amorosos desígnios, mas como crente orgulhoso, cheio de propósitos individualistas, declarando-se detentor de considerações especiais.

Os aprendizes fiéis necessitam acautelar-se contra o lêvedo de tais enfermos do espírito.

Toda ideia opera fermentações mentais.

Certamente que o Mestre não determinou a morte dos fariseus, mas recomendou cautela em se tratando da influenciação deles.

Exigências farisaicas constituem perigosas moléstias da alma. Urge auxiliar o doente e extinguir a enfermidade. Todavia, não conseguiremos a realização provocando tumultos e, sim, usando a cautela na antiga recomendação de vigilância.

  

Livro: Vinha de Luz. Francisco C. Xavier por Emmanuel

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

A RAZÃO DA DOR


   Raquel, antiga servidora da residência de Cusa, ergueu a voz para indagar do Mestre por que motivo a dor se convertia em aflição nos caminhos do mundo.
    Não era o homem criação de Deus? Não dispõe a criatura do abençoado concurso dos anjos?
    Não vela o Céu sobre os destinos da Humanidade?
    Jesus fitou na interlocutora o olhar firme e considerou:
    — A razão da dor humana procede da pro­teção divina. Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são cha­mados ao Aprisco do Alto. A Terra é o caminho. A luta que ensina e edifica é a marcha. O sofri­mento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verda­deira.
    Alguns instantes se escoaram mudos e o Mestre voltou a ponderar:
    — O excesso de poder favorece o abuso, a demasia de conforto, não raro, traz o relaxa­mento, e o pão que se amontoa, de sobra, cos­tuma servir de pasto aos vermes que se alegram no mofo...
    Reparando, porém, que a assembléia de ami­gos lhe reclamava explicação mais ampla, elu­cidou fraternalmente:
     - Um anjo, por ordem do Eterno Pai, to­mou à própria conta um homem comum, desde o nascimento. Ensinou-lhe a alimentar-se, a mo­ver os membros e os músculos, a sorrir, a re­pousar e a asilar-se nos braços maternos. Sem afastar-se do protegido, dia e noite, deu-lhe as primeiras lições da palavra e, em seguida, orien­tou-lhe os impulsos novos, favorecendo-lhe o en­sejo de aprender a raciocinar, a ler, a escrever e a contar. Afastava-o, hora a hora, de influên­cias perniciosas ou mortíferas de Espíritos infe­lizes que o arrebatariam, por certo, para o sor­vedouro da morte. Soprando-lhe ao pensamento ideias iluminadas aos clarões do Infinito Bem, através de mil modos de socorro imperceptível, garantiu-lhe a saúde e o equilíbrio do corpo. Dava-lhe medicamentos invisíveis, por intermédio do ar e da água, da vestimenta e das plantas. Vezes sem conta, salvou-o do erro, do crime e dos males sem remédio que atormentam os pecadores. Ao amanhecer, o Pajem Celestial acorria, atento, preparando-lhe dia calmo e proveitoso, defendendo-lhe a respiração, a alimentação e o pensamento, vigiando-lhe os passos, com amor, para melhor preservar-lhe os dons; ao anoitecer, postava-se-lhe à cabeceira, amparando-lhe o cor­po contra o ataque de gênios infernais, aguar­dando-o, com maternal cuidado, para as doces instruções espirituais nos momentos de sono. No transcurso da vida, guiou-lhe os ideais, auxiliou-o a selecionar as emoções e a situar-se em traba­lho digno e respeitável; clareou-lhe o cérebro jovem, insuflou-me entusiasmo santo, rumo à vida superior, e estimulou-o a formar um reino de santificação e serviço, progresso e aperfeiçoamento, num lar... O homem, todavia, que nunca se lembrara de agradecer as bênçãos que o cercavam, fêz-se orgulhoso e cruel, diante dos interesses alheios. Ele, que retinha tamanhas graças do Céu, jamais se animou a estendê-las na Terra e passou simplesmente a humilhar os outros com a glória de que fora revestido por seu devotado e invisível benfeitor. Quando expe­rimentou o primeiro desgosto, que ele mesmo provocou menosprezando a lei do amor universal, que determina a fraternidade e o respeito aos semelhantes, gesticulou, revoltado, contra o Céu, acusando o Supremo Senhor de injusto e indife­rente. Aflito, o anjo guardião procurava levan­tar-lhe o ideal de bondade, quando um Anjo Maior se aproximou dele e ordenou que o primeiro dissabor do tutelado endurecido por ex­cesso de regalias se convertesse em aflição. Rolando, mentalmente, de aflição em aflição, o homem começou a recolher os valores da paciên­cia, da humildade, do amor e da paz com todos, fazendo-se, então, precioso colaborador do Pai, na Criação.
       Finda a historieta, esperou Jesus que Ra­quel expusesse alguma dúvida, mas emudecendo a servidora, dominada pela meditação que os en­sinamentos da noite lhe sugeriam, o culto da Boa Nova foi encerrado com ardente oração de júbilo indefinível.


Francisco Cândido  Xavier por  Neio Lucio. In: Jesus no Lar

terça-feira, 3 de outubro de 2023

TEU RECOMEÇO

 

    A cada momento podes recomeçar uma tarefa edificante que  ficou interrompida. Nunca é tarde para fazê-lo; todavia, é muito danoso não lhe dar prosseguimento.


    Parar uma atividade por motivos superiores às forças é fenômeno natural. Deixá-la ao abandono é falência moral.

    A vida é constituída de desafios constantes. Sai-se de um para outro em escala ascendente de valores e conquistas intelectos-morais.

    Sempre há que se começar a vida de novo.

    Uma decepção que parece matar as aspirações superiores; um insucesso que se afigura como um desastre total; um ser querido que morreu e deixou uma lacuna impreenchível; uma enfermidade cruel que esfacelou as resistências; um vício que, por pouco, não conduziu à loucura; um prejuízo financeiro que anulou todas as futuras aparentes possibilidades; uma traição que poderia ter-te levado ao suicídio, são apenas motivos para recomeçar de novo e nunca para se desistir de lutar.

    Não houvesse esses fenômenos negativos na convivência humana, no atual estágio de desenvolvimento das criaturas, e os estímulos para o progresso e a libertação seriam menores.

    Colhido nas malhas de qualquer imprevisto ou já esperado  problema aterrador, tem calma e medita, ao invés de te deixares arrastar pela convulsão que se irá estabelecer. Refugia-te na oração, a fim de ganhares força e inspiração divina.

    Como tudo passa, isto também passará, e, quando tal acontecer, faze teu recomeço, a princípio, com cautela, parcimonioso, até que te reintegre novamente na ação plenificadora.

    Teu recomeço é síndrome de próxima felicidade.



(Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis. Livro: Filho de Deus)

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

VÓS, ENTRETANTO


“Mas nós, que somos fortes, devemos suportar
as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós
mesmos.” Paulo (Romanos, 15:1)
  

Com que objetivo adquire o homem a noção justa da confiança em Deus?

Para furtar-se à luta e viver aguardando o céu? Semelhante atitude não seria compreensível.

O discípulo alcança a luz do conhecimento, a fim de aplicá-la ao próprio caminho. Concedeu-lhe Jesus um traço do Céu para que o desenvolva e estenda através da terra em que pisa.

Receber o sagrado auxílio do Mestre e subtrair-se-lhe à oficina de redenção é testemunhar ignorância extrema.

Dar-se a Cristo é trabalhar pelo estabelecimento de seu reino.

Os templos terrestres, por ausência de compreensão da verdade, permanecem repletos de almas paralíticas, que desertaram do serviço por anseio de bemaventurança.

Isto pode entender-se nas criaturas que ainda não adquiriram o necessário senso da realidade, mas vós, os que já sois fortes no conhecimento, não deveis repousar na indiferença ante os impositivos sagrados da luz acesa, pela infinita bondade do Cristo, em vosso mundo íntimo. É imprescindível tome cada um os seus instrumentos de trabalho, na tarefa que lhe cabe, agindo pela vitória do bem, no círculo de pessoas e atividades que o cercam.

Muitos espíritos doentes, nas falsas preocupações e na ociosidade do mundo, poderão alegar ignorância. Vós, entretanto, não sois fracos, nem pobres da misericórdia do Senhor.

 

 

Pão Nosso. Francisco C Xavier por Emmanuel

domingo, 1 de outubro de 2023

SEMPRE FELIZ

 

• Procure compreender as dificuldades do próximo.

• Não conserve ressentimentos.

• Desculpe ofensas, sejam quais sejam, colocando os assuntos desagradáveis no esquecimento.

• Trabalhe quanto puder, tornando-se útil quanto possível.

• Mobilize o tempo de que disponha no serviço aos semelhantes.

• Adote a simplicidade por clima de paz.

• Continue aprendendo sempre.

• Esqueça você mesmo, criando alegria para os outros.

• Viva em Paz com a própria consciência e deixe que os companheiros vivam a existência deles próprios.

Cultive a paciência sem ansiedade e, procedendo com os semelhantes, como estima que com você procedam, estará sempre no caminho da verdadeira felicidade...

 

 

Do livro "Sinais de Rumo", André Luiz - Francisco C. Xavier

A LÍNGUA

Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas.  Ponderada - favorece...