quinta-feira, 9 de junho de 2022

EVANGELIZAÇÃO ESPÍRITA

    

Queridos amigos, que Jesus nos abençoe:

 

    Irmãos vos digo amanhã, porque o dia começa na madrugada. Afirmo: agora, este  é o momento de nossa transformação moral. Junto com as conquistas do  conhecimento, somos chamados à aplicação da moral espírita. O mundo  convulsionado de hoje, agoniza; e dos escombros que se apresentam como  efeitos da iluminação, surge a esperança de um mundo mais feliz.

 

    Aos depositários deste trabalho compete a tarefa de aplicar os tesouros da  Doutrina Espírita na argamassa do progresso superior da Humanidade. Os  desafios são perturbadores, as dificuldades parecem impedir a realização  nobre, mas Jesus não nos oferece facilidades frente ao mundo e a César. As  tarefas de grande porte, hoje, pertencem aos cristãos espíritas.

 

    Provenientes de um passado conflitante, comprometemo-nos, novamente, a  servir a Humanidade no álgido de sua evolução tecnológica, com os valores do Amor a Deus e ao próximo.

 

    Se fosse solicitada uma diretriz para esse serviço, não a encontraríamos em  outra regra que não fosse aquela de ouro, apresentada pelo Divino Mestre:

    "Amar a todos"; "Abençoar aos que nos perseguem e caluniam"; "Perdoar tantas  vezes quanto sejam necessárias"; "Servir sem esperanças de receber  retribuição"; "Colocar, sobre os ombros, a cruz da sublimação evangélica  para depositá-la no calvário da liberdade espiritual."

 

    Fostes convidados para lavrar a terra virgem do coração infantil. A criança  e o jovem de hoje podem preservar a grandeza destes valores, sem o  entorpecimento das paixões grosseiras que resultam da herança ancestral do  primitivismo do próprio espírito. Oferecer-lhes as técnicas de resistência  para superar o mal, que reside em nós mesmos, é o ministério para o qual vos  preparais com objetivo de futuro.

 

    Permanecereis ainda depois de sair do corpo, viajando nessas mentes e  corações que se chamam manhã desde hoje, ampliando os horizontes felizes da  Humanidade.

 

    Não temais!

 

    Tenhais coragem!

 

    Servir à Doutrina Espírita é a honra que suplicastes viver na atual  conjuntura reencarnacionista. Elegestes Jesus e será inevitável que sofreis  as agressões do mundo enfermo e violento.

 

    Jesus é Paz. O mundo é conflito.

 

    Jesus é Luz. O mundo é sombra.

 

    Jesus é Amor. O mundo é egoísmo.

 

    Colocando o Amor acima dos interesses ególatras, transformai-vos em eternos mensageiros da esperança, derramando a luz da Verdade entre as sombras que  perturbam as consciências humanas.

 

    Ide, pois, heróis da Era Nova, erguendo o estandarte da paz, lutando com as  armas da educação e do amor: educação que equilibra, que redescobre os  valores da inteligência e do sentimento, e amor que fala ao infinito da  perfeição.

 

(Divaldo P. Franco por Bezerra de Menezes. In: Rumo às estrelas)

 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

OS DOIS VOLTAIRES


 (Sociedade Espírita de Paris, grupo Faucherand

Médium: Sr. E. Vézy)

 (Revista Espírita, maio de 1862)

 

Sou eu mesmo, mas não aquele Espírito trocista e cáustico de outrora. O reizinho do século dezoito, que dominava pelo pensamento e pelo gênio a tantos soberanos, hoje não mais tem nos lábios aquele sorriso mordaz, que fazia tremer os inimigos e os próprios amigos! Meu cinismo desapareceu diante da revelação das grandes coisas que eu tinha pretensão de saber, mas que só conheci no além-túmulo!

Pobres cérebros demasiado estreitos para conterem tantas maravilhas! Humanos, calai-vos e humilhai-vos ante o poder supremo! Admirai e contemplai! É o que podeis fazer. Como quereis aprofundar Deus e o seu grande trabalho? Apesar de todos os seus recursos, a vossa razão não se quebra diante do átomo e do grão de areia que ela não pode definir?

Eu empreguei a minha vida a procurar e conhecer Deus e seu princípio. Minha razão se enfraqueceu e eu cheguei ao ponto não de negar Deus, mas a sua glória, o seu poder e a sua grandeza. Eu o explicava desenvolvendo-se no tempo. Uma intuição celeste me dizia que rejeitasse tal erro, mas eu não escutava e me fiz apóstolo de uma doutrina mentirosa... Sabeis por quê? Porque, no tumulto e na confusão de meus pensamentos, num entrechoque incessante, eu só via uma coisa: meu nome gravado no frontão do templo da memória das nações! Eu só via a glória que me prometia essa juventude universal que me cercava e parecia saborear com suave delícia a essência da doutrina que eu lhe ensinava.

Entretanto, empurrado não sei por qual remorso de minha consciência, quis parar, mas era tarde. Como toda utopia, todo sistema que abraçamos nos arrasta. A princípio segue a torrente, depois nos arrasta e nos quebra, tão rápida e violenta é por vezes a sua queda.

Crede-me, vós que aqui estais à procura da verdade, encontrá-la-eis quando tiverdes tirado de vosso coração o amor às lantejoulas, que um tolo amor-próprio e um tolo orgulho fazem brilhar aos vossos olhos.

Na nova via por onde marchais, não temais combater o erro e desafiá-lo, quando se erguer à vossa frente. Não é uma monstruosidade preconizarmos uma mentira, contra a qual ninguém ousa defender-se, pelo fato de saber-se que fizemos discípulos que ultrapassaram as nossas crenças?

Vedes, meus amigos, que o Voltaire de hoje não é mais aquele do século dezoito. Eu sou mais cristão, porque aqui venho fazer-vos esquecer a minha glória e vos lembrar o que eu fui na juventude e o que eu amava em minha infância.

Oh! Como eu gostava de me perder no mundo dos pensamentos! Minha imaginação ardente e viva percorria os vales da Ásia em busca daquele que chamais Redentor... Eu gostava de percorrer os caminhos que ele tinha percorrido. E como me parecia grande e sublime esse Cristo em meio à multidão! Eu acreditava ouvir a sua voz poderosa, instruindo os povos da Galileia, das bordas do Tiberíades e da Judeia!...

Mais tarde, nas minhas noites de insônia, quantas vezes me ergui para abrir uma velha Bíblia e reler suas páginas santas! Então minha fronte se inclinava diante da cruz, esse sinal eterno da redenção, que une a Terra ao Céu, a criatura ao Criador!... Quantas vezes admirei esse poder de Deus, subdividindo-se, por assim dizer, e cuja centelha se encarna para fazer-se tão pequena, vindo entregar a alma no Calvário, em expiação!...vítima augusta cuja divindade eu negava, e que, entretanto, me fez dizer:

 

                    Teu Deus que tu traíste, teu Deus que tu blasfemas;

                    Para ti, para o Universo, Morreu nesses lugares!

 

          Sofro, mas expio a resistência que opunha a Deus. Eu tinha a missão de instruir e esclarecer. A princípio o fiz, mas o meu facho se extinguiu nas minhas mãos, na hora marcada para a luz.

          Felizes filhos do século dezenove e do século vinte, a vós é que é dado ver luzir o facho da verdade. Fazei que vossos olhos vejam bem a sua luz, porque para vós ela terá radiações celestes, e sua claridade será divina!

 

VOLTAIRE

 

Filhos, deixei que em meu lugar falasse um dos vossos grandes filósofos, principal chefe do erro. Quis que ele viesse dizer-vos onde está a luz. Que vos parece? Todos virão repetir-vos: “Não há sabedoria sem amor nem caridade”. Dizei-me, que doutrina será mais suave para ensinar que o Espiritismo? Nunca seria demasiado repetir-vos que o amor e a caridade são as duas virtudes supremas que unem, como diz Voltaire, a criatura ao Criador. Oh! Que mistério e que laço sublime! Ínfimo verme da Terra, que pode tornar-se tão poderoso que a sua glória atingirá o trono do Eterno!...

 

SANTO AGOSTINHO

terça-feira, 7 de junho de 2022

A META


       Está distante a meta, mas a minha atenção não se prende a ela, e sim à rota que tracei para alcançá-la.

       Que sei eu de distância, quando meus sentidos se enganam com miragens? Como me poderei capacitar da distância da meta que hei de alcançar um dia?

       Hei de alcançar porque eu quero alcançar, e eu quero porque Deus em mim assim o quer.

       Fortalecido por essa certeza, que poderá me deter ou me retirar do caminho?

       Sei que terei precipícios a transpor, que avalanche de pedras poderão rolar ainda sobre mim, que talvez mergulhe nos lodaçais do caminho, pela minha imprevidência, que às vezes me desorienta, mas à proporção que sair da cada experiência, estarei mais encorajado para prosseguir, porque eu quero chegar ao meu destino, e lá chegarei, com a ajuda de Deus.

       Aboli pieguismo e choros não me revolto nem me lamento, porque aquele que me criou não necessita que lhe peça nada. Ele sabe tudo que eu preciso e me dará suas dádivas à medida que eu precisar ou souber usá-las; e, à minha súplica, me retirará da lama em que estiver mergulhado, levado por minhas paixões; me erguerá iluminado, e se eu lhe pedir, como anseio de minha vida, me dará o sol o seu pura amor. Ele me dará na hora exata tudo o que eu precisar, e não o que eu lhe pediria em minha ignorância.

       Portanto, não gasto energia em pedidos pueris, reservando-a para alimentar meu propósito de chegar aos “pés do Mestre”.

       Adiante, amigos e companheiros de caminhada terrena. Se não estou mais entre vós, estou em lugar onde também luto e anseio por alcançar o mesmo ideal vosso.

       Não esmoreçais, ainda que a tempestade mais assustadora vos surpreenda na estrada.. A tempestade experimenta apenas a vossa fé e a vossa convicção. Se não fugirdes apavorados, ela passará e contemplareis a calmaria onde o céu é mais azul e a brisa mansa e amena vos acariciará a alma.

  

 

De “...A Verdade e a Vida”, de Cenyra Pinto

segunda-feira, 6 de junho de 2022

A DOR


“Irmãos e amigos meus! Se o sofrimento
Transpuser os umbrais do vosso lar,
Não levanteis aos céus vosso lamento,
Nem ouseis contra a sorte blasfemar:
São erros de um passado turbulento,
Que ele quer reparar.
 
Nessa noite trevosa do passado,
Quantos erros deixamos de remir!
E quantos cometemos no agitado
Correr de anos que vimos submergir,
Fantasmas que nos seguem lado a lado,
Na senda do porvir!”
 

 

 

Abel Gomes - De “Parnaso do Além-túmulo”

de Francisco Cândido Xavier

– Autores espirituais diversos

sexta-feira, 3 de junho de 2022

O PERFUME DO TRABALHO


É comum ouvir de certos encarnados a expressão pela ânsia de férias, de descanso, na pauta da vida. Como se enganam esses companheiros, quando querem somente livrar-se do labor!

É necessário que se compreenda que o trabalho é a base da vida; é, por assim dizer, a essência de tudo, é o princípio do progresso, na expansão das belezas imortais.

Deus nos mostra o valor do trabalho pelas coisas que observamos no universo... Quem foi que fez os sóis? Quem fez as estrelas? Quem organizou a natureza? E, enfim, quem fez as coisas observáveis? Foi o Senhor, pelos fios do que chamamos trabalho.

Se queres crescer para Deus, dá demãos ao trabalho, em qualquer parte a que fores chamado a realizá-lo, seja ele qual for.

Trabalha na vigilância da oficina da mente, trabalha na lavoura do verbo, trabalha nas regiões da própria vida.

Trabalha, meu irmão, no pequeno, para que possas ser grande na grandeza da vida, procurando no sentimento do coração os valores da vida, do amor, da caridade, da fraternidade e do perdão.

O trabalho pode aparecer em qualquer lugar, mesmo em se conduzindo graves enfermidades, pois o enfermo pode mostrar, como trabalhador, como ter paciência, compreendendo as lições. Nas profissões, pode-se dar exemplo de trabalho digno com honestidade, onde se pode evidenciar o Cristo atuante, como exemplo de luz.

Aquele que consegue a urdidura do amor no trabalho, dele sente o aroma, lembrando Jesus, porque o trabalho na caridade perfuma, cura, eleva e dignifica a fé, mostrando que Deus é Pai, Jesus é o Guia. A humanidade se unifica pelo labor em uma só fé e em um só amor, procurando salvar-se pelas forças da caridade, que é um trabalho divino, sob a égide de Deus, nas bênçãos de Cristo, pela expressão da benevolência.


De “Páginas Esparsas 3”, de João Nunes Maia, pelos Espíritos Scheilla e José Grosso

quinta-feira, 2 de junho de 2022

DECÁLOGO DE APERFEIÇOAMENTO


1 -   Diminua as próprias necessidades e aumente as suas concessões.

 

2 -   Intensifique o seu trabalho e reduza as quotas de tempo inaproveitado.

 

3 -   Eleve as ideias e reprima os impulsos.

4 -   Liberte o “homem do presente”, na direção de Jesus e         aprisione o “o homem do passado” que ainda vive em você.

 

5 -   Vigie os seus gestos, entendendo os gestos alheios.

6 -   Persevere no estudo nobre, reconhecendo na vida a escola sagrada de nossa ascensão para Deus.

7 -   Julgue a você mesmo e desculpe indistintamente.

8 -   Fale com humildade, ouvindo com atenção.

9 -   Medite realizando e ore servindo.

10 - Confie no Amor do Eterno e renda culto diário às obrigações em que Ele Mesmo nos situou.

 

 

(De “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier por André Luiz)

quarta-feira, 1 de junho de 2022

CONVITE AO PERDÃO


 "Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas
também vosso Pai celeste vos perdoará."
(Mateus: capítulo 6º, versículo 14 e 15)
 

Por mais rude haja sido a agressão, perdoa.

Mesmo que a injustiça prossiga amargando as tuas elevadas aspirações, perdoa.

Não obstante, o amigo momentaneamente enganado se haja transformado em teu algoz, perdoa.

Apesar dos teus esforços no bem nada conseguires, permitindo a sementeira da calúnia a multiplicar dificuldades e espinhos pela senda, perdoa.

Em qualquer circunstância perdoa aqueles que te ofendam, esquecendo as ofensas com que te agridam.

O ofensor é alguém a um passo do desequilíbrio.

Aquele que se compraz na perseguição, ignora o grau de enfermidade que o vitima.

O perseguidor permanece enleado nas teias do desvario e em breve será vítima de si mesmo.

Indubitavelmente a felicidade pertence sempre àquele que pode oferecer, que possui para dar.

Muitas vezes serás convidado ao revide, conclamado à reação engendrada pela ira, que provoca a rebelião, tal a soma de circunstâncias negativas em que te verás envolvido.

Tem, porém, cuidado.

Reflexiona antes de reagir a fim de não agires por precipitação e reflexionares tardiamente.

Jesus, convidado diretamente à reação negativa, vezes sem conta, permaneceu integérrimo perdoando e amando, por saber que aqueles que O afligiam eram espíritos aturdidos, afligidos em si mesmos, por essa razão, dignos de perdão.

 

 

FRANCO, Divaldo Pereira. Convites da Vida.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 38

A GRANDE LUTA

  “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas...