terça-feira, 12 de março de 2013

PODER E VIDA


   
        A simplicidade do Médium Divino desarticulava a arrogância dos presunçosos, que se atribuíam direitos a privilégios e considerações.
        Ele amava o povo, que lhe constituía a razão de haver mergulhado no corpo, a fim de o erguer à Realidade Última.
        Este amor era luz e a luz era Ele.
        Terminando de espraiar-se em ondas de ternura nos corações ávidos de consolo, dEle se aproximou um triunfador terreno e exorou:
        — Que é o poder? Qual o verdadeiro, que projeta o homem na direção da sua plenitude?
        Havia um honesto interesse na indagação. Graças a isto, o Libertador respondeu:
“ — O verdadeiro poder é aquele que se irradia em vibrações de paz, irrigando a vida com amor. O que se caracteriza pela suavidade da sua força; que se deixa conduzir por toda parte sem causar preocupação nem temor; que oferece confiança e concede proteção; que está presente e não ostentação; é natural, porque se conhece, resistindo a todas as investidas do mal através da não-violência.
        No mundo, o poder corrompe vidas, envenena almas, dilacera sentimentos, entorpece o caráter, macula as virtudes.
        Quando atinge, contamina, terminando por vitimar aquele que o utiliza, quase sempre desordenadamente.
        Apresenta-se no disfarce da beleza, da fortuna, da sociedade, da política, da cultura vaidosa, da religião temerária.
        Com a facilidade que alça ao pináculo da glória, da fama, da dominação, conduz ao corredor sombrio e estreito da loucura, do abandono, do crime e da morte.
        O poder humano, considerado e temido, é névoa que o calor do tempo dilui. Consiste em um empréstimo-provação das Soberanas Leis, para ser usado de forma edificante na construção do progresso e na sustentação das vidas.
        Os seus usuários, entretanto, raramente utilizam-no com sabedoria, sucumbindo sob a sua tormentosa constrição.
        O homem que realmente pode, é aquele que se domina, sem aos outros submeter; que se supera, sem aos demais vencer; que se liberta, a todos oferecendo campo para a própria ventura.
        O único poder real é Deus. Transitórios, são todos os demais, que resultam da ilusão de amealhar, de dispor de servidores e áulicos, de soldados e bajuladores, pois que a morte a todos vencerá, igualando-os na horizontal do túmulo.
        O poder do Espírito sobre si mesmo, haurido na meditação, na  prece, na ação do bem, na autoiluminação, é o que nunca se perde, nem se decompõe, nem aflige.
        O poder moral, este sim, fomenta Vida.”

(De “A UM PASSO DA IMORTALIDADE”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Eros)

segunda-feira, 11 de março de 2013

TEUS ENCARGOS



“... Sede vos perfeito como perfeito é vosso
Pai Celestial”. — Jesus (Mateus, 5:48)

       Cada qual de nós, conforme as leis que nos regem, se encontra hoje no lugar certo, com as criaturas adequadas e nas circunstâncias justas, necessárias ao trabalho que nos compete efetuar, na pauta de nosso próprio merecimento.
       Observa os encargos que te honorificam a existência como sendo, desse modo, atividades de alta significação em teu benefício, porquanto se erigem todos eles em tope de realização a que, por enquanto, te podes consagrar.
       Seja em casa ou na oficina, no grupo de serviço ou na tela social, és uma peça consciente na estrutura da vida, desfrutando a possibilidade de criar, agir, colaborar e fazer, na elevação da própria vida.
       “Sede perfeitos como é perfeito nosso Pai Celestial” — exortou-nos Jesus.
       Pensemos nisso, melhorando-nos sempre.
       Sem dúvida que outros conseguem substituir-te no trabalho a que entrosas; no entanto, em se tratando de ti, é justo recordes que Deus nos fez, a todos, espíritos imortais com o dever de aprimorar-nos até que venhamos a identificar-nos inteiramente com o seu Infinito Amor, conservando embora, em todo tempo e em qualquer parte, a prerrogativa de seres inconfundíveis da Criação.
       Teus encargos — tuas possibilidades de acesso a planos superiores.
       Realmente nós — os espíritos em evolução nas vias terrestres — estamos ainda muito distantes da angelitude; entretanto cada um de nós, onde estiver, poderá, desde agora, começar a ser bom.

(De “SEGUE-ME!...”. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

sexta-feira, 8 de março de 2013

IMPEDIMENTOS




“Pondo de lado todo o impedimento...
corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.” 
– Paulo. (Hebreus, 12:1.)

    Por onde transites, na Terra, transportando o vaso de tua fé a derramar-se em boas obras, encontrarás sempre impedimentos a granel, dificultando-te a ação.

    Hoje, é o fracasso nas tentativas iniciais de progresso.

    Amanhã, é o companheiro que falha.

    Depois, é a perseguição descaridosa ao teu ideal.

    Afligir-te-ás com o fel de muitos lábios que te merecem apreço.

    Sofrerás, de quando em quando, a incompreensão dos outros.

    Periodicamente encontrarás na vanguarda obstáculos mil, induzindo-te à inércia ou à negação.

    A carreira que nos está proposta, no entanto, deve desdobrar-se no roteiro do bem incessante...

    Que fazer com as pessoas e circunstâncias que nos compelem ao retardamento e à imobilidade?

    O apóstolo dos gentios responde, categórico:

    “Pondo de lado todo o impedimento.”

    Colocar a dificuldade à margem, porém, não é desprezar as opiniões alheias, quando respeitáveis, ou fugir à luta vulgar. É respeitar cada individualidade, na posição que lhe é própria, é partilhar o ângulo mais nobre do bom combate, com a nossa melhor colaboração pelo aperfeiçoamento geral. E, por dentro, na intimidade do coração, prosseguir com Jesus, hoje, amanhã e sempre, agindo e servindo, aprendendo e amando, até que a luz divina brilhe em nossa consciência, tanto quanto inconscientemente já nos achamos dentro dela.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. Livro Fonte Viva)

quinta-feira, 7 de março de 2013

SOB LIMITES



            O dia pujante, marcha para o ocaso.
            O ano, de largos dias, não excede um minuto na ampulheta do tempo.
            A existência física, mesmo duradoura, não logra evitar a morte.
            Tudo, na Terra, são limites.
            Só a vida em plenitude permanece, mergulhando e liberando-se dos envoltórios transitórios de que se reveste, para as transformações e avanços na fatalidade da perfeição que busca e alcançará.
*
            Nunca te suponhas indene aos acontecimentos dos processos da evolução.
            Embrulha-te nos tecidos da humildade e avança, trabalhando sem cansaço.
            Conserva o otimismo em tuas realizações, mesmo quando os céus da tua experiência estejam nublados por espessas sombras de dificuldades.
            Quem receia agir no bem, entorpece as resistências da realização.
*
            A prepotência age para a loucura.
            A presunção atua para o desequilíbrio.
            Só o amor, calcado no interesse pelo próximo, logra produzir para a Vida.
*
            Instado a edificar o bem, onde estejas, não postergues a oportunidade.
            Não conseguindo o desiderato, evita lamentar o esforço despendido.
            A rosa aromatiza o ar; quantos se inebriam, preferem o aroma. Sê tu a rosa.
            Todos bendizem o ar balsâmico da Natureza que os refrigera e agrada. Sê tu a brisa abençoada.
            Na ambiência da tranquilidade, todos anelam por fruí-la. Sê tu quem a propicia.
            Melhor ensejar ventura do que gozá-la.
*
            Recorda Jesus, que tudo investiu em amor, para, mesmo sofrendo, ensinar o homem a ser feliz, não ultrapassando os deveres e submetendo-se, Ele, que é o nosso apoio às limitações do mundo, onde, por enquanto, nos encontramos a crescer e a evoluir.

(Livro: Alerta. Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis)

quarta-feira, 6 de março de 2013

ATRITOS



Nos atritos do mundo,
Não te omitas. Aceita.

Que seria de nós,
Sem a prova que educa?

Pelo buril do artista,
Faz-se a pedra obra-prima.

A mente sem problemas
Repousaria inútil.

A luz do sofrimento
Vem de pranto e suor.

Se a provação te apura,
Rende graças a Deus.

(De “O Essencial”. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel
)

segunda-feira, 4 de março de 2013

ELE ATENDERÁ


  
  Quando atravesses um instante considerado terrível, na jornada redentora da Terra, recorda que o desespero é capaz de suprimir-te a visão ou barrar-te o caminho.

    Para muitos, esse minuto estranho aparece na figura da enfermidade; para outros, na forma da cinza com que a morte lhes subtrai temporariamente o sorriso de um ente amado.

    Em muitos lugares, guarda a feição de crise espiritual, aniquilando a esperança; e, em outros ainda, ei-lo que surge por avalanche de provas encadeadas, baldando a energia.

    Ninguém escapa aos topes de luta, que diferem para cada um de nós, segundo os objetivos que procuramos nas conquistas do Espírito.

    Esse jaz atormentado de tentações, aquele padece abandono, aquele outro chora oportunidades perdidas e mais outro lamenta os desenganos da própria queda.

    Se chegaste a instante assim, obscurecido por nuvens de lágrimas, arrima-te à paciência, ouve a fé, aconselha-te com a reflexão e medita com a serenidade, mas não procures a opinião de esmorecimento.

    Desânimo é fruto envenenado da ilusão que alimentamos a nosso respeito. Ele nos faz sentir pretensamente superiores a milhares de irmãos que, retendo qualidades não menos dignas que as nossas, carregam por amor fardos de sacrifício, dos quais diminutas parcelas nos esmagariam os ombros.

    Venha o desânimo como vier, certifica-te de que a forma ideal para arredar-lhe a sombra será compreender, auxiliar e servir sempre.

    Guardes o coração conturbado ou ferido, magoado ou desfalecente, serve em favor dos que te amparem ou desajudem, entendam ou caluniem.

    Ainda que todos os apoios humanos te falhem de improviso, nada precisas temer.

    Tens contigo, à frente e à retaguarda, à esquerda e à direita, a força do companheiro invisível que te resolve os problemas sem perguntar e que te provê com todos os recursos indispensáveis à paz e à sustentação de teus dias. Ele que ama, trabalha e serve sem descanso, espera que ames, trabalhes e sirvas quanto possas.

    Sem que o saibas, ele te acompanha os pequeninos progressos e se regozija com os teus mais íntimos triunfos, assegurando-te tranqüilidade e vitória. Ele que te salvou ontem, salvará também hoje.

    Em qualquer tempo, lugar, dia ou circunstância, em que te sintas à beira da queda na tentação ou na angustia, chama por Ele.

    Ele te atenderá pelo nome de Deus.

(Emmanuel - Livro Rumo Certo - Psicografia Chico Xavier)

sexta-feira, 1 de março de 2013

ESCLARECIMENTOS DO CULPADO



          Se você soubesse como eu me encontrava, no momento da agressão, certamente que me não quereria mal, nem pensaria em revide.
          O agressor, em verdade, é mais infeliz, porquanto transfere do seu mundo íntimo agitado toda a perturbação de que se sente possuído e não se pode conter.
          Se você pudesse saber, realmente, como eu me sentia, vencido pela ira que se fez, a seu turno, meu demorado algoz, com segurança me daria um crédito de confiança, desculpando-me.
          Se você pudesse imaginar como eu me encontro neste momento!...
          Eu o agredi, é verdade, e reconheço meu erro.
          Se você revida, mesmo que mentalmente, o mal que lhe fiz, apiedo-me, porque você erra, também, infelicitando-se.
          Considere que o cego, ignorando a luz, não pode avaliar o que perde. Todavia, transita magoado e infeliz quando não se clareia por dentro.
          A minha situação é mais grave, porquanto, embora vendo, preferi não enxergar...
          A vítima é sempre simpática; o agressor faz-se detestável.
          O perseguido inspira simpatia; o algoz estimula a aversão.
          Quem sofre, gera em torno de si, afetividade; ao passo que o promotor dos sofrimentos, faz-se odiado.
          Jesus sensibilizou a História e a Humanidade, todavia, os Seus algozes, ainda hoje são o símbolo da hediondez e da malquerença.
          Se você lograsse compreender as injunções negativas daquela momento, bendiria não haver sido o agressor, antes, porém, a vítima.
          Ajude-me, na tarefa de soerguimento que ora empreendo, você que se encontra em melhores condições do que eu.
          Se você puder, permaneça na posição pacífica, na de vítima, tudo envidando para jamais tornar-se algoz ou agressor de quem quer que seja.
          Assim lhe digo, porque conheço o travo da amargura de sofrer e fingir que tendo razão no mal que lhe fiz, havê-lo feito muito bem...
          Dê-me sua mão, e erga-me, amigo, necessitado como estou de seu auxílio.

(De “Terapêutica de emergência”. Divaldo P. Franco por Marcelo Ribeiro)

A GRANDE LUTA

  “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas...