segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

TEU LUGAR



        Surgem lances obscuros na existência, nos quais aflições dispensáveis nos visitam o espírito, no pressuposto de que nos achamos fora do plano que nos é próprio.
        Quiséramos impensadamente exercer a função de outrem e, ao mesmo tempo, solicitar que outrem se encarregue da nossa.
        Isso, porém, seria tumultuar a Ordem Divina.
        Não ignoramos que os Emissários do Senhor nos conhecem de sobra aptidões e recursos. Assim como ocorre aos engenheiros responsáveis por edificação determinada, que não instalariam o cimento em lugar do vidro, os Organizadores da Vida não nos designariam posição estranha às nossas possibilidades de rendimento maior na construção do Reino de Deus.
        Dentro do assunto, não nos será lícito esquecer que a promoção é ocorrência natural e eleva-nos de nível, mas promoção realmente aparece tão-só quando nos melhoramos conquistando degraus acima.
        A rigor, porém, urge reconhecer que nos achamos agora precisamente no ponto e no posto em que nos é possível produzir mais e melhor. A certeza disso nos fortalece a noção de responsabilidade, porquanto, cientes de que a Eterna Sabedoria nos permitiu desempenhar os encargos pelos quais respondemos perante os outros, podemos centralizar atenção e força, onde estivermos, para doar o máximo de nós mesmos, na máquina social de que somos peças.
        Quando te ocorrer o pensamento de que deverias ocupar outro ângulo no campo da atividade terrestre, asserena o coração e continua fiel aos deveres que as circunstâncias te preceituem, reconhecendo que, em cada dia, estamos na posição em que a Bondade de Deus conta conosco para o bem geral. Desse modo, para que as tuas horas se enriqueçam de paz eficiência, no setor de ação que te cabe na Obra do Senhor, se trazes a consciência tranquila no desempenho das próprias obrigações, é forçoso de capacites de que és hoje o que és e te vês como te vês, no quadro em que te movimentas e na apresentação com que te singularizas, porque é justamente como és, com quem estás no lugar no lugar em que te situas e claramente como te encontras, que o Senhor necessita de ti.

(De “Alma e Coração”, de Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O DIA COMEÇA AO AMANHECER


      
Compadece-te da criança que segue ao teu lado.
*
       O dia começa ao amanhecer...
       Pai, mãe, irmão ou amigo, ampara-lhe a vida com o teu próprio coração, se pretendes alcançar a Terra Melhor.
*
       Lembra-te das vozes amigas que te induziram ao bem, das mãos que te guiaram para o trabalho e para o conhecimento.
*
       Por que não amparar, ainda hoje, aqueles que serão, amanhã, os orientadores do mundo?
*
       Em pleno santuário da natureza, quantas árvores generosas são asfixiadas no berço? Quanta colheita prematuramente morta pelos vermes da crueldade?
       A vida é também um campo divino, onde a instância é a germinação da Humanidade.
*
       Já meditaste nas esperanças aniquiladas ao alvorecer? Já refletiste nas flores estranguladas pelas pedras do sofrimento, ante o sublime esplendor da aurora?
       Provavelmente dirás: “Como impedirei o sofrimento de milhares?”
       Ninguém te pede, porém, para que te convertas num salvador apressado, carregado de ouro e poder.
       Basta que abras o coração com a chave da bondade, em favor dos meninos de agora, para que os homens do futuro te bendigam.
*
       Quando a escola estiver brilhando em todas as regiões e quando cada lar de uma cidade puder acolher uma criança perdida — ninho abençoado a descerrar-se, aconchegante, para a ave estrangeira — teremos realmente alcançado, com Jesus, o trabalho fundamental da construção do Reino de Deus.

(Livro: “Caridade”. Francisco Cândido Xavier por Meimei)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A FORÇA DA COMPREENSÃO



   Um brinquedo de Jonas havia desaparecido. Irritado, suspeitando que seu irmão Lucas, de apenas três anos de idade, era o culpado, gritou:

    — Lucas, devolva meu carrinho vermelho novo.

    — Não sei onde está. Não peguei seu carrinho — respondeu o pequeno.

    — Pegou sim. Diga onde você o escondeu, Lucas!

    Mas o garotinho repetia, batendo o pé no chão e chorando:

    — Não peguei, não peguei, não peguei.

    Ao ver a confusão armada e Lucas em prantos, a mãe pega o pequeno no colo e diz ao filho mais velho:

    — Jonas, meu filho, você já tem onze anos e não pode ficar brigando com seu irmãozinho. Se Lucas disse que não pegou, acredite. Procure direito e acabará encontrando seu brinquedo.

    Bufando de raiva, Jonas sai da sala e começa a procurar o carrinho. Procurou no quarto de dormir, no quintal, na varanda, na sala e até no banheiro. Nada de encontrar seu brinquedo preferido.

    Sem saber mais onde buscar, Jonas entrou no escritório e, olhando para a estante de livros do seu pai, pensou: Só pode estar aí!

    Retirou todos os livros da estante.

    Quando o pai chegou, ao entardecer, levou um susto. Encontrou Jonas perdido no meio dos livros, desanimado. 

    — O que aconteceu, meu filho? — perguntou, espantado.

    — Estava procurando meu carrinho, papai.

    — No meio dos meus livros? E você o achou?

    — Não, papai.

    — Bem. Então, agora coloque os livros no lugar.

    — Mas, papai! Estou cansado! — reclamou o garoto, fazendo uma careta.

    Com muita paciência, o pai considerou:

    — Jonas, foi você que fez essa bagunça. Logo, é você que deve arrumar tudo, colocando os livros no lugar! Pode começar já, caso contrário não terminará até a hora de dormir.

    Eles não viram que o pequeno Lucas tinha entrado, se escondido atrás da mesa, e ouvia a conversa.

    Assim que o pai saiu da sala, Lucas se prontificou com seu jeitinho:

    — Quer ajuda, Jonas?

    Com uma grande pilha de livros nos braços, que mal podia carregar, o irmão respondeu mal-humorado:

    — Você?! Saia daqui, pirralho! Você não tem força para levar livros tão pesados. Agora me deixe trabalhar!

    Não demorou muito, Jonas estava exausto. Resolveu parar um pouco para descansar e tomar um lanche, mas estava tão cansado que se sentou no sofá da sala, diante da televisão, e acabou cochilando.

    Ao acordar, levou um susto!

    "Meu Deus! Eu adormeci e não acabei de arrumar os livros do papai!"

    Correu para o escritório e teve uma grande surpresa.

    Parecia um milagre! Apesar de um pouco desalinhados, os livros estavam todos no lugar!

    — Quem terá feito isso? — perguntou baixinho, sem poder acreditar.

    Uma voz alegre e cristalina respondeu:

    — Fui eu!

    Era Lucas, satisfeito com seu serviço, carregando o último livro.

    — Como você conseguiu fazer isso, Lucas? Eles são muito pesados! Como pôde carregar uma pilha de livros?

    — Ora, não carreguei uma pilha de livros. Levei um por um!

    Jonas fitou o irmão, admirado do trabalho que ele tinha realizado. Compreendeu que menosprezara a ajuda do pequeno Lucas julgando-o incapaz. No entanto, o irmãozinho provara que podia realizar aquela tarefa. Certamente, não conseguiria levar um peso grande, mas tinha usado a cabecinha e transportado os livros aos poucos.

    Jonas aproximou-se do irmão e abraçou-o com carinho.

    — Lucas, hoje você me mostrou que sempre podemos realizar aquilo que desejamos. Basta que tenhamos boa vontade e criatividade. Obrigado, irmãozinho.

    Os pais, que passavam naquele momento e pararam para observar a cena, também ficaram satisfeitos ao ver os irmãos abraçados e em paz.

    Sorridente, a mãe considerou:

    — Para que a lição seja completa ainda falta uma coisa, Jonas. Lembra-se do seu carrinho vermelho? Pois eu o encontrei, meu filho. Estava no meio das suas roupas, no armário.

    Corando de vergonha, Jonas virou-se para o irmão e disse:

    — Lucas, nem sei como me desculpar pela maneira como agi. Por duas vezes hoje eu o julguei mal e errei. Além disso, você mostrou que é pequeno no tamanho, mas que tem um grande coração. Apesar de ter sido maltratado por mim, suportado o meu mau humor, minha irritação, esqueceu tudo e, quando viu que eu estava em apuros, ajudou-me com alegria, realizando uma tarefa que era minha. Você pode me perdoar?

    O pequeno abraçou Jonas com um largo sorriso:

    — Claro! Você me leva para passear amanhã?

    Todos riram, satisfeitos por fazerem parte de uma família que tinha problemas como qualquer outra, mas que acima de tudo era feliz, porque existia compreensão, generosidade e amor entre todos.

(autora: Celia Xavier de Camargo - 
http://www.forumespirita.net/fe/espiritismo-jovens/a-forca-da-compreensao/)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

JUSTIÇA E AMOR


     
 Todos os valores da vida pedem extensão e rendimento para atenderem ao Eterno Equilíbrio nas bases do Universo.
*
       Se o ouro reclama aplicação justa, também o conhecimento elevado exige substância e proveito.
       Se o primeiro, acumulado inutilmente, gera a cobiça que detém a cabeça do avaro no desvario da posse efêmera, o segundo, guardado sem ação nas obras edificantes, cria a vaidade que mergulha o coração orgulhoso nas trevas de espírito.
*
       Não basta compreendas o estatuto que nos rege os destinos para que te harmonizes contigo mesmo.
*
É necessário transfundas o próprio entendimento em serviço aos semelhantes, para que a flama do cérebro se te faça luz no caminho.
*
       Não te demorarás, estudando a ficha do irmão que sofre, aferindo-lhe os méritos e deméritos para expressares depois a bondade que teorizas.
*
       Antes de tudo recorda que, se o próximo experimenta provação e amargura por determinação da Excelsa Justiça, a tela de angústia em que o próximo se debate se te descerra aos olhos do mundo, por determinação do Divino Amor, a fim de que exercites a piedade e a cooperação, o socorro fraterno e a solidariedade espontânea.
*
       Não olvides que alma alguma, enquanto na vestimenta da carne, poderá conhecer o integral conteúdo das próprias dívidas e auxilia aos outros quando puderes, embora saibas que o prodígio da redenção compulsória é plenamente impossível, de vez que amanhã chegará igualmente o teu dia de acerto maior na Contabilidade Divina.
*
       Não desistas de amparar, através do bem, porquanto se o progresso e a felicidade na Terra solicitassem apenas a penetração no conhecimento da Lei e no simples entendimento de nossas culpas, decerto Jesus não se abalançaria a estender amorosas mãos entre os homens, suportando-nos a ignorância, os débitos e fraquezas, até o ponto de imolar-se na cruz, bastando para isso, nos enviasse as Boas Novas de Redenção, em cartazes de propaganda, dependurados no Céu.

(De “Confia e segue”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O SONHO DA ESPERANÇA


    
    Clarindo era um menino para quem as dificuldades da vida chegaram cedo. Desde tenra idade viu-se, por contingências alheias à sua vontade, obrigado a lutar pela própria sobrevivência.
    Morava numa pequena casa nos arrabaldes da cidade que, embora humilde, era um verdadeiro lar, pois ali existia o amor e a paz.
    Quando seu pai desencarnou, vitimado por um acidente de trabalho, tudo mudou na vida de Clarindo.
    Não contando mais com a presença e o amparo do pai, que trazia sempre o necessário para o sustento da família, a situação tornou-se muito difícil. Sua mãe foi obrigada a deixar o lar para trabalhar numa casa rica, e ele, Clarindo, também resolveu trabalhar de engraxate para ajudar nas despesas.
    Como não tivessem com que pagar o aluguel da pequena casa, eles foram obrigados a mudar para uma favela, onde a generosidade de alguém lhes conseguiu um barraco.
    Ao chegar na favela, o ambiente diferente e hostil causou infinita tristeza e angústia à pobre mulher que, intimamente, entrou a conversar com Deus:
     “Oh! Senhor, o que será de meu filho? Obrigado a crescer neste ambiente, a conviver com criaturas de baixo nível moral, poderá vir a se tornar um delinquente! Ajuda-me! Sinto-me tão sozinha desde que meu querido esposo morreu! Mas, confio no Senhor e sei que não me deixarás ao desamparo”.
    Naquela noite, já instalados na favela, a mãe adormeceu chorando escondida para que o filho não percebesse suas lágrimas de tristeza e dor.
    No dia seguinte, logo que os primeiros raios de sol invadiram o pequeno e miserável barraco pelas frestas da parede, a mãe levantou-se para preparar o café da manhã. Leite não tinha. Nem café. Só um pouco de chá e um pedaço de pão duro.      
    Clarindo acordou bem disposto. Percebeu pelo rosto da mãe, inchado de tanto chorar, que ela estava sofrendo bastante.
    Satisfeito e sorridente o menino contou:
    — Mãe, eu tive um lindo sonho esta noite.
    Procurando demonstrar interesse, ela pediu:
    — Conte-me, meu filho. Que lindo sonho foi esse?
    — Sonhei que estava num lugar muito bonito, todo cheio de flores luminosas, quando vi meu pai que se aproximava. Abraçou-me com carinho e disse-me que tivesse confiança em Deus.
    “Sabe, meu filho — disse ele —, nada acontece por acaso. Numa outra existência você e sua mãe, por ambição, prejudicaram muito um seu irmão. Vocês roubaram tudo o que ele tinha e o deixaram na rua da amargura. Sem um lar, maltrapilho, seu irmão vagou por longo tempo vivendo da piedade alheia, até que ficou doente e morreu. É por isso que agora estão passando por tantas dificuldades. Confiem em Deus e suportem as privações com resignação, pois será a libertação de vocês. O Senhor é muito bom e não deixará de assisti-los”.
    Surpresa e muito comovida, a mãe de Clarindo deixou que as lágrimas corressem pelo seu rosto. E o garoto, também com os olhos úmidos da emoção que ainda sentia, continuou:
    — Engraçado, mãe, é que, enquanto meu pai falava, eu via as cenas que ele descrevia como se fosse um filme. E sabe o que mais? Eu senti que meu pai era aquele irmão que nós prejudicamos! Será que é verdade?
    A mãe olhou o filho com carinho e, comovida, falou:
    — Meu filho, esta é a resposta de Deus às minhas preces. Atendeu às minhas íntimas indagações através do sonho de uma criança. Sim, Clarindo. Acredito que tudo isso seja verdade. Devemos ter prejudicado muito alguém para que estejamos agora passando por essa provação.
    Limpando as lágrimas, fitou o filho com determinação e coragem, e disse-lhe resoluta:
    — Vamos vencer, meu filho. Tenhamos bom-ânimo, coragem e muita fé em Deus que é pai e, tenho certeza, não nos deixará ao desamparo.
    Clarindo sorriu feliz ao perceber que sua mãe estava mais contente e conformada.
    Nesse instante alguém bate à porta. Clarindo vai atender e se depara com uma mulher pobremente vestida, mas com largo sorriso no rosto simpático. Disse a visitante:
    — Olá! Sou Cecília, sua vizinha aqui do lado. Como vocês se mudaram ontem e não tiveram tempo de ajeitar as coisas, trouxe-lhes um pão quentinho que acabou de sair do forno, e uma garrafa com café.
    Antes que a mãe de Clarindo tivesse tempo de agradecer a bondade da vizinha, eles viram chegar uma menina franzina, de dez anos mais ou menos, que lhe estendeu uma pequena lata com linda flor plantada:
    — Tome, é para a senhora. Fui eu que plantei.
    Logo em seguida, surgiu na porta o rosto moreno de um homem que lhe perguntou, sorridente:
    — A senhora gosta de chuchu? Trouxe-lhe alguns que colhi agora mesmo no meu quintal.
    Sentindo um nó na garganta, e sob forte emoção, a mãe de Clarindo abraçou os estranhos que lhe invadiam a casa como um raio de sol, enquanto pensava que tinha julgado mal as pessoas da favela, e compreendeu que todos os lugares e todas as pessoas são de Deus. Que, em qualquer situação a que formos chamados a viver, encontramos pessoas boas e podemos crescer e evoluir.
    E, agradecendo ao Alto as bênçãos do momento, exclamou, sorridente:
    — Obrigada. Sejam bem-vindos! Foi Jesus que os enviou!
                                            
(Fonte: O Consolador - Revista Semanal de Divulgação Espírita - Autora: Célia Xavier Camargo. http://escolinhaespirita.blogspot.com.br/2011/03/o-sonho-da-esperanca.html)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

QUANDO A COMPREENSÃO ESTIVER CONOSCO



Quando a compreensão estiver em nossos olhos, fixaremos na cicatriz do próximo a dificuldade respeitável de um irmão.
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          Quando a compreensão morar em nossos ouvidos, receberemos a injúria e a maldade, nelas sentindo o incêndio e o infortúnio que ainda lavram no espírito daqueles que nos observam, sem exato conhecimento.
*
          Quando a compreensão se nos aninhar no próprio verbo, o falso julgamento surgirá, junto de nós, por enfermidade lamentável, de quem nos procura, e saberemos fazer o silêncio bendito com que se possa, tanto quanto possível, impedir a extensão do mal.
*
          Quando a compreensão se nos associar ao raciocínio, identificaremos nos pensamentos infelizes a deplorável visitação da sombra, diante da qual acenderemos a luz da fé para a justa resistência.
*
          Quando a compreensão clarear-nos o sentimento, a rigidez espiritual jamais encontrará guarida em nós outros, porque o calor da benevolência irradiar-se-nos-á do espírito, estimulando a alegria dos bons e reduzindo a infelicidade dos companheiros que ainda se confiam à ignorância.
*
          Quando a compreensão brilhar em nossas mãos, a preguiça não nos congelará a boa vontade e aproveitaremos as mínimas oportunidades do caminho para as tarefas do amor que o Mestre nos legou.
*
          “Bem-aventurados os limpos de coração!” — proclamou o Excelso Amigo.
          Sim, bem-aventurados os que esposam o bem para sempre, porque semelhantes trabalhadores da luz sabem converter a treva em claridade, os espinhos em flores, as pedras em pães e a própria derrota em vitória, criando invariavelmente o Céu onde se encontram e apagando os variados infernos que a ignorância inflama na Terra para tormento da vida.

(De “Luz e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PROVAÇÕES DOS ENTES QUERIDOS



            Não temos pela frente tão-só as nossas dificuldades, mas igualmente as dificuldades das pessoas queridas, pela quais, muitas vezes, sofremos muito mais que por nós próprios.
            Forçoso, porém, anotar que, em nos interessando pelo apoio aos entes queridos, nunca estamos a sós, porquanto Deus, que no-los emprestou ao convívio, permanece velando sem olvidá-los.
            Nos dias de cinza e sombra da provação, doemos aos entes amados o melhor de nossa ternura, mas evitemos insuflar-lhes pessimismo ou desconfiança, ansiedade ou inquietação.
            Se nos pedem conselhos, não descambemos para sugestões pessoais, e sim, ajudemo-los a buscar a Inspiração Divina, através da prece, porque Deus lhes conhece as necessidades e lhes traçará seguro roteiro ao comportamento.
            Se doentes, mais que justo lhes ministremos assistência e carinho; todavia, empenhemo-nos em guiar-lhes o pensamento para o otimismo, convencidos de que Deus lhes resguarda a existência em cada batimento do coração.
            Se empreendem mudanças em seu próprio caminho, abstenhamo-nos de interferir nas decisões que assumam, e sim, em vez disso, diligenciemos abençoar-lhes os planos de renovação e melhoria, compreendendo que a Divina Providência vigia sobre nós, orientando-nos os passos.
            Se resvalam em duras provas, trabalhemos por aliviá-los e libertá-los, que isso é dever nosso, mas sem tortura-los com a nossa inconformidade e aflição, na certeza de que Deus não está ausente do quinhão de lutas regenerativas ou edificantes que nos cabem a todos, em certas faixas de tempo.
            Auxiliemos nossos entes queridos a serem autênticos, como são e como devem ser perante a vida.
            Indiscutivelmente, tanto quanto irrompem problemas em nossa estrada, inúmeros outros problemas aparecem no campo de ação daqueles que mais amamos; no entanto, a fim de ampará-los com eficiência e segurança, atuemos em favor deles, em bases de equilíbrio e de amor, reconhecendo que não estamos sozinhos na empresa socorrista, de vez que, muito antes de nós, Deus estava e continua a estar no caso de cada um.

(De “Alma e Coração”. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

RESPONDER

  “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” – Paulo. (Colossenses, 4:6)...