sexta-feira, 29 de agosto de 2025

UNIÃO FRATERNAL

 

“Procurando guardar a unidade do espírito

pelo vínculo da paz.” – Paulo. (Efésios, 4:3)


À frente de teus olhos, mil caminhos se descerram, cada vez que te lembras de fixar a vanguarda distante.

São milhões de sendas que marginam a tua. Não olvides a estrada que te é própria e avança, destemeroso.

Estimarias, talvez, que todas as rotas se subordinassem à tua e reportas-te à união, como se os demais viajores da vida devessem gravitar ao redor de teus passos...

Une-te aos outros, sem exigir que os outros se unam a ti.

Procura o que seja útil e belo, santo e sublime e segue adiante...

A nascente busca o regato, o regato procura o rio e o rio liga-se ao mar.

Não nos esqueçamos de que a unidade espiritual é serviço básico da paz.

Observas o irmão que se devota às crianças?

Reparas o companheiro que se dispôs a ajudar aos doentes?

Identificas o cuidado daquele que se fez o amigo dos velhos e dos jovens?

Assinalas o esforço de quem se consagrou ao aprimoramento do solo ou à educação dos animais?

Aprecias o serviço daquele que se converteu em doutrinador na extensão do bem?

Honra a cada um deles, com o teu gesto de compreensão e serenidade, convencido de que só pelas raízes do entendimento pode sustentar-se a árvore da união fraterna, que todos ambicionamos robusta e farta.

Não admitas que os outros estejam enxergando a vida através de teus olhos.

A evolução é escada infinita. Cada qual abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca.

Aproxima-te de cada servidor do bem, oferecendo-lhe o melhor que puderes, e ele te responderá com a sua melhor parte.

A guerra é sempre o fruto venenoso da violência.

A contenda estéril é resultado da imposição.

A união fraternal é o sonho sublime da alma humana, entretanto, não se realizará sem que nos respeitemos uns aos outros, cultivando a harmonia, à face do ambiente que fomos chamados a servir. Somente alcançaremos semelhante realização “procurando guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz”.

 

 

Fonte Viva. Francisco Candido Xavier por Emmanuel

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

AUSENTES

 

“Ora, Tomé, um dos doze, não estava com

eles quando Jesus veio.” – (João, 20:24)

 

Tomé, descontente, reclamando provas, por não haver testemunhado a primeira visita de Jesus, depois da morte, criou um símbolo para todos os aprendizes despreocupados das suas obrigações.

Ocorreu ao discípulo ausente o que acontece a qualquer trabalhador distante do dever que lhe cabe.

A edificação espiritual, com as suas bênçãos de luz, é igualmente um curso educativo.

O aluno matriculado na escola, sem assiduidade às lições, apenas abusa do estabelecimento de ensino que o acolheu, porquanto a simples ficha de entrada não soluciona o problema do aproveitamento. Sem o domínio do alfabeto, não alcançará a silabação. Sem a posse das palavras, jamais chegará à ciência da frase.

Prevalece idêntico processo no aprimoramento do espírito.

Longe dos pequeninos deveres para com os irmãos mais próximos, como habilitar-se o homem para a recepção da graça divina? Se evita o contato com as obrigações humildes de cada dia, como dilatar os sentimentos para ajustar-se às glórias eternas?

Tomé não estava com os amigos quando o Mestre veio. Em seguida, formulou reclamações, criando o tipo do aprendiz suspeitoso e exigente.

Nos trabalhos espirituais de aperfeiçoamento, a questão é análoga.

Matricula-se o companheiro, na escola de vida superior, entretanto, ao invés de consagrar-se ao serviço das lições de cada dia, revela-se apenas mero candidato a vantagens imediatas.

Em geral, nunca se encontra ao lado dos demais servidores, quando Jesus vem; logo após, reclama e desespera.

A lógica, no entanto, jamais abandona o caminho reto.

Quem desejar a bênção divina, trabalhe pela merecer.

O aprendiz ausente da aula não pode reclamar benefícios decorrentes da lição.


 

 

Livro: Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

DÁ DE TI MESMO

 

        Declaraste não possuir dinheiro para auxiliar.

       Acreditas que um pouco de papel ou um tanto de níquel te substituem o coração?

       Esqueceste, meu filho, de que podes sorrir para o doente e estender a mão ao necessitado?

       A flor não traz consigo uma bolsa de ouro e entretanto espalha perfume no firmamento.

       O céu não exibe chuvas de moedas, mas enche o mundo de luz,

       Quanto pagas pelo ar fresco que, em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã?

       O oxigênio cobra-te imposto?

       Quanto te custa a ternura materna?

       As aves cantam gratuitamente.

       A fonte que te oferece o banho reconfortador não exige mensalidade.

       A árvore abre-te os braços acolhedores, repletos de flor e fruto, sem pedir vintém.

       A bênção divina, cada noite, conduz o teu pensamento a bendito repouso no sono e não fazes retribuição de espécie alguma. Habitualmente sonhas, colhendo rosas em formoso jardim, junto de companheiros felizes; no entanto, jamais te lembraste de agradecer aos gênios espirituais que te proporcionam venturoso descanso.

       A estrela brilha sem pagamento.

       O Sol não espera salário.

       Por que não aprenderes com a Natureza em torno?

       Por que não te fazeres mais alegre, mais comunicativo, mais doce?

       Tens a fisionomia seca e ensombrada por faltar-te dinheiro excessivo e reclamas recursos materiais para ser bom, quando a bondade não nasce dos cofres.

       Sê irmão de teu irmão, companheiro de teu companheiro, amigo de teu amigo.

       Na ciência de amar, resplandece a sabedoria de dar.

       Mostra um semblante sereno e otimista, aonde fores.

       Estende os braços, alonga o coração, comunica-te com o próximo, através dos fios brilhantes da amizade fiel.

       Que importa se alguém te não entende o gesto de amor?

       Que seria de nós, meu filho, se a mão do Senhor se recolhesse à distância, por temer-nos a rudeza e a maldade?

       Dá de ti mesmo, em toda parte.

       Muito acima do dinheiro, pairam as tuas mãos amigas e fraternais.

 


 

De “Alvorada Cristã”
de Francisco Cândido Xavier
pelo Espírito Neio Lúcio
 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

CONVITE À PUREZA



“Bem-aventurados os que têm puro o coração,
por que verão a Deus.”
(Mateus: capítulo 5º, versículo 8)
 

Não importa quem foste, o que fizeste, quais os teus equívocos e erros.

O peso dos desregramentos constitui já punição para aqueles que o conduzem.

A condição de devedor representa marca indelével impressa na consciência a surgir hoje eu depois, não permanecendo, porém, oculta, por mais se deseje ignorá-la.

Face a isso, compreensível recomeçar com ardente desejo de aproveitar o capital do tempo no comércio da oportunidade, como investimento de bênção pela própria redenção.

Todos guardamos cicatrizes decorrentes de feridas morais, quando não as trazemos ainda purulentas sob disfarces bem cuidados.

Ninguém avança pelo caminho do progresso moral sem o contributo das experiências que decorrem do sofrimento, das lições dos erros, das matrizes muitas vezes dolorosas da criminalidade...

Pureza, portanto, hoje.

Mais do que aparência, legítima constituição íntima de propósitos materializando atos renovadores. Pureza na ação e no pensamento.

Há conspiração generalizada contra o estado de inocência que não significa ignorância do mal, porém superação dele.

Toda comunicação atual vazada na técnica corruptora se estriba nas torpezas morais, reduzindo o homem aos feixes dos instintos grosseiros e às sensações animalizantes, em detrimento dos dínamos poderosos da razão e da emoção superior..

Todavia, mediante o culto vigoroso do Evangelho, faz-se imperioso o retorno à pureza para a conquista da paz.

Maria de Magdala, embora os equívocos sucessivos, após conhecer Jesus passou a cultivar a pureza e tornou-se um símbolo da vitória da razão sobre a paixão.

Saulo fanatizado, depois de ações cruéis, sintonizou com o Cristo e se purificou mediante a autodoação total, ampliando na Terra os horizontes do Cristianismo.

Ninguém te exigirá documentação sobre o passado próximo. Reinicia, agora, o teu programa de pureza e considera o conceito sublime do Mestre, no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os que têm puro o coração, porque verão a Deus”, deixando-te comover e conduzir pela pureza a fim de haurires plenitude de paz.

 

 

Convites da Vida

Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

O PEQUENO ABORRECIMENTO

 

Um moço de boas maneiras, incapaz de ofender os que lhe buscavam o concurso amigo, sempre meditava na Vontade de Deus, disposto a cumpri-la.

 

Certa vez, muito preocupado com o horário, aproximou-se de um pequeno ônibus, com a intenção de aproveitá-lo para a travessia de extenso trecho da cidade em que morava, mas, no momento exato em que o ia fazer, surgiu-lhe à frente um vizinho, que lhe prendeu a atenção para longa conversa.

 

O rapaz consultava o relógio, de segundo a segundo, deixando perceber a pressa que o levava a movimentar-se rápido, mas o amigo, segurando-lhe o braço, parecia desvelar-se em transmitir-lhe todas as minudências de um caso absolutamente sem importância.

 

Contrafeito com a insistência da conversação aborrecida e inútil, o jovem ouvia o companheiro, por espírito de gentileza, quando o veículo largou sem ele.

 

Daí a alguns minutos, porém, correu inquietante a notícia.

 A máquina estava sendo guiada por um condutor embriagado e precipitara-se num despenhadeiro, espatifando-se.

 

Ouvindo com paciência uma palestra incômoda, o moço fora salvo de triste desastre.

 

O jovem refletiu sobre a ocorrência e chegou à conclusão de que, muitas vezes, a Vontade Divina se manifesta, em nosso favor, nas pequenas contrariedades do caminho, ajudando-nos a cumprir nossos mais simples deveres, e passou a considerar, com mais respeito e atenção, as circunstâncias inesperadas que nos surgem à frente, na esfera dos nossos deveres de cada dia.

 


(Francisco Cândido Xavier
por Meimei. In: Pai Nosso) 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

CONVITE À FELICIDADE



"O meu reino não é deste mundo."

(João: capítulo 18º, versículo 36)

  

Desnecessária a fortuna a fim de frui-la.

Secundária a juventude de modo a gozá-la.

Dispensável o poder para experimentá-lo.

A felicidade independe dos valores externos, sempre transitórios, sem maior significação, além daquela que se lhes atribuem.

Quando na velhice, o homem repassa as evocações, os sucessos e lamenta a juventude vencida.

Na enfermidade, considera os tesouros da saúde e sofre-lhe a ausência.

Diante da constrição da pobreza lembra as dádivas das moedas e experimenta amargura por não as possuir.

Sob condições de dependência, padece não ser forte no mundo dos negócios ou da política, deixando-se afligir desnecessariamente.

Acicatado por problemas morais, angustia-se ao verificar o júbilo alheio daqueles que transitam guindados a situações de destaque ou exibindo sorrisos de tranquilidade.

Isto por ignorar o testemunho de aflição que cada um deve doar no panorama da evolução inadiável, de que ninguém se pode eximir.

Felicidade é construção demorada, que se realiza interiormente a tributo de laboriosa ação sacrificial.

Sem características externas, a seu turno, quando invade o ser, exterioriza-se qual luz brilhante aprisionada em redoma de delicado cristal...

Mesmo quando o homem consegue adicionar a juventude, o poder, a fortuna e a saúde aparente a felicidade não está implicitamente com ele.

Por essa razão, lecionou Jesus que o Seu Reino não é deste mundo, como a corroborar que a felicidade não pode ser encontrada na Terra, por ser ainda o Orbe o domicílio expiatório e de provações onde todos forjamos a felicidade real, que virá só futuramente.

Realiza o teu quinhão de dever com devotamento e faze sempre o melhor a fim de que o aplauso da consciência tranquila te conduza ao pórtico da felicidade real.

Não te exasperes face à desdita aparente. Nem te apegues ao júbilo momentâneo também ilusório.

De tudo e todos os estados retira o proveito da aprendizagem e, assim fazendo, a pouco e pouco perceberás que a felicidade é consequência da autoiluminação libertadora, como decorrência do amor exercido em plenitude fraternal.

 



 

 

FRANCO, Divaldo Pereira

Convites da Vida

Pelo Espírito Joanna de Ângelis

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

COMEÇAR OUTRA VEZ


Alma querida, escuta!... Entre os lances do mundo,

Se escorregaste à beira do caminho

E caíste, talvez, em pleno desalinho,

Na sombra que te faz descrer ou desvairar,

Ante a dor que visita, a renovar-te anseios,

Não desprezes pensar! ... Levante-te e confia,

Porque a vida te pede, abrindo-te outro dia:

- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

 

Ergue-te regressando à estrada justa,

Contempla a terra amiga em derredor,

Vê-la-ás, pormenor em pormenor,

Por mãe que sofra e sangra, a recriar ...

Medita na semente à sós, que o lavrador sepulta...

Quando alguém a supõe, humilhada e indefesa,

Ressurge em brilho verde, ouvindo a Natureza:

- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

 

Fita o perfurador rasgando as entranhas da gleba;

O homem que o maneja, a golpes persistentes,

Pesquisa, sem cessar, todos os continentes,

Do deserto escaldante aos recessos do mar...

E eis que a lama oleosa, esquecida há milênios,

Trazida à flor do chão, é ouro e combustível,

Que o progresso conclama em ordem de alto nível:

- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

 

Toda força lançada em desvalia

Quando erguida, de novo, em apoio de alguém,

Retoma posição no serviço do bem,

Utilidade viva a circular...

Olha a pedra moída, em função do cimento

E o barro que assegura a gestação do trigo,

Falando a todos nós, em tom seguro e amigo:

- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

 

Assim também, alma fraterna e boa,

Se caíste em momentos infelizes,

Não te abatas, nem te marginalizes,

Levanta-te e retoma o teu próprio lugar!...

Aceita os grilhões das provas necessárias,

Esquece, age, abençoa, adianta-te e lida,

E escutarás a voz da Lei de Deus na vida:

- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...



 
Do livro: Vida em Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier
Espírito: Maria Dolores

COM JESUS

    A renúncia será um privilégio para você.      O sofrimento glorificará sua vida.      A prova dilatará seus poderes.      O trabalho ...