quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

ANO NOVO

 


         Serão novos os anos que passam, os séculos e os milênios que se sucedem na ampulheta do tempo?

         Não são. O tempo, qual o concebemos, não passa de uma ilusão. Não há tempos novos, nem tempos velhos. O tempo é sempre o mesmo, porque o tempo é a eternidade. Todas as mudanças que constatamos em nós e em torno de nós, são produto da transformação da matéria. Esta, realmente, passa por constantes modificações. A mutabilidade é inerente à matéria e não ao tempo.

         A matéria é volúvel como as ondas e instável como as nuvens que se movimentam no espaço assumindo variadas conformações que se sucedem numa instabilidade constante.

         O nosso envelhecimento não é obra do tempo como costumamos dizer. É a matéria que se vai transformando desde que entramos no cenário terreno. Nascemos, crescemos, atingimos as cumeadas do desenvolvimento compatível com a natureza do nosso corpo. Após esse ciclo, as mudanças tornam-se menos rápidas. Há como que ligeiro repouso. Depois, segue-se a involução, isto é, o curso descendente que nos leva à velhice, à decrepitude e à morte, quando esta não intervém acidentalmente, pelas moléstias, cortando o fio da existência em qualquer de suas fases.

         Todos esses acontecimentos nada têm que ver com o tempo. Trata-se de manifestações da evolução da matéria organizada, vitalizada e acionada pela influência do Espírito.

         O Espírito é tudo. Por ele, e para ele, é que as moléculas se agrupam, se associam, tomando forma, neste ou naquele meio, na Terra ou em outras infinitas moradas da casa do Pai, que é o Universo.

         Na eternidade e na imensidade incomensurável do espaço, o Espírito se agita procurando realizar o senso da Vida, que é a evolução. Para consumá-la percorre as incontáveis terras do céu. Veste e despe centenares de indumentos, assumindo milhares de formas e aspectos.

         A matéria é o instrumento, é o meio através do qual ele consegue a sua ascensão ininterrupta.

         Nada significam, portanto, os anos que passam e os anos que despontam nos calendários humanos. O importante na vida do Espírito são as arrancadas para a frente, são as etapas vencidas, o saber adquirido através da experiência, e as virtudes conquistadas pela dor e pelo amor. O que denominamos – passado – é apenas a lembrança de condições inferiores por onde já transitamos. De outra sorte – o futuro não é mais que a esperança que nutrimos de alcançar um estado melhor. O presente eterno eis a realidade.

         Encaremos assim o tempo e, particularmente, o ano novo que ora se inicia. Façamos o propósito de alcançar no seu transcurso a maior soma possível de aperfeiçoamento.

         É o que, de coração, desejamos aos nossos leitores.

 


 (Vinícius. Em: Na Seara do Mestre)

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

RENOVEMO-NOS DIA-A-DIA


“Transformai-vos pela renovação de vossa mente,

para que proveis qual é a boa,

agradável e perfeita vontade de Deus.”

Paulo. (Romanos, 12:2)


Não adianta a transformação aparente da nossa personalidade na feição exterior.

Mais títulos, mais recursos financeiros, mais possibilidades de conforto e maiores considerações sociais podem ser simples agravo de responsabilidade.

Renovemo-nos por dentro.

É preciso avançar no conhecimento superior, ainda mesmo que a marcha nos custe suor e lágrimas.

Aceitar os problemas do mundo e superá-los, à força de nosso trabalho e de nossa serenidade, é a fórmula justa de aquisição do discernimento.

Dor e sacrifício, aflição e amargura, são processos de sublimação que o Mundo Maior nos oferece, a fim de que a nossa visão espiritual seja acrescentada.

Facilidades materiais costumam estagnar-nos a mente, quando não sabemos vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres.

Renovemos nossa alma, dia a dia, estudando as lições dos vanguardeiros do progresso e vivendo a nossa existência sob a inspiração do serviço incessante.

Apliquemo-nos à construção da vida equilibrada, onde estivermos, mas não nos esqueçamos de que somente pela execução de nossos deveres, na concretização do bem, alcançaremos a compreensão da vida e, com ela, o conhecimento da “perfeita vontade de Deus”, a nosso respeito.



 

Fonte Viva. Francisco C. Xavier por Emmanuel

domingo, 28 de dezembro de 2025

DESCULPISMO

 

“E todos a uma vez começaram a escusar-se.
Disse lhe o primeiro: comprei um campo
e importa ir vê-lo; rogo-te que haja escusado.”
Jesus – ( LUCAS, 14:18)
 

Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.

Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na delinquência costumam justificar-se com vigoroso poder de persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate preciso.

Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve, entretanto, acabam suportando em si mesmos as consequências das responsabilidades a que se afeiçoam.

E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra, surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:

- Estou muito jovem ainda...

- Sou velho demais...

- Assumi compromissos de monta e não posso atender...

- Minhas atribulações são enormes...

- Obrigações de família estão crescendo...

- Os negócios não me permitem qualquer atividade espiritual...

- Empenhei-me a débitos que me afligem...

- Os filhos tomam tempo...

- Problemas são muitos...

Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram à frente de grande sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga.

Os convidados para a lavoura de luz, no entanto, engodados por si próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, não encontram outra providência restauradora senão a de esperarem por outras reencarnações.

 

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna)

sábado, 27 de dezembro de 2025

TU E TUA CASA


“E eles disseram: Crê no Senhor
Jesus-Cristo, e serás salvo,
tu e a tua casa."
(ATOS, 16:31)

Geralmente, encontramos discípulos novos do Evangelho que se sentem profundamente isolados no centro doméstico, no capitulo da crença religiosa.

Afirmam-se absolutamente sós, sob o ponto de vista da fé. E alguns, despercebidos de exame sério, tocam a salientar o endurecimento ou a indiferença dos corações que os cercam. Esse reporta-se à zombaria de que é vitima, aquele outro acusa familiares ausentes.
            Tal incompreensão, todavia, demonstra que os princípios evangélicos lhes enfeitam a zona intelectual, sem lhes penetrarem o âmago do coração.
            Por que salientar os defeitos alheios, olvidando, por nossa vez, o bom trabalho de retificação que nos cabe, no plano da bondade oculta?
            O conselho apostólico é profundamente expressivo.
            No lar onde exista uma só pessoa que creia sinceramente em Jesus e se lhe adapte aos ensinamentos redentores, pavimentando o caminho pelos padrões do Mestre, ai permanecerá a suprema claridade para a elevação.
            Não importa que os progenitores sejam descrentes, que os irmãos se demorem endurecidos, nem interessam a ironia, a discussão áspera ou a observação ingrata.
            O cristão, onde estiver, encontra-se no domicilio de suas convicções regenerativas, para servir a Jesus, aperfeiçoando e iluminando a si mesmo.
            Basta uma estaca para sustentar muitos ramos. Uma pedra angular equilibra um edifício inteiro.
            Não te esqueças, pois, de que se verdadeiramente aceitas o Cristo e a Ele te afeiçoas, serás conduzido para Deus, tu e tua casa.

 


Francisco Cândido Xavier por Emmanuel

In: Vinha de Luz

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A MARCHA


“Importa, porém, caminhar hoje, amanhã
e no dia seguinte.” Jesus (Lucas, 13:33)
 

Importa seguir sempre, em busca da edificação espiritual definitiva.

Indispensável caminhar, vencendo obstáculos e sombras, transformando todas as dores e dificuldades em degraus de ascensão.

Traçando o seu programa, referia-se Jesus à marcha na direção de Jerusalém, onde o esperava a derradeira glorificação pelo martírio. Podemos aplicar, porém, o ensinamento às nossas experiências incessantes no roteiro da Jerusalém de nossos testemunhos redentores.

É imprescindível, todavia, esclarecer a característica dessa jornada para a aquisição dos bens eternos.

Acreditam muitos que caminhar é invadir as situações de evidência no mundo, conquistando posições de destaque transitório ou trazendo as mais vastas expressões financeiras ao círculo pessoal.

Entretanto, não é isso.

Nesse particular, os chamados “homens de rotina” talvez detenham maiores probabilidades a seu favor.

A personalidade dominante, em situações efêmeras, tem a marcha inçada de perigos, de responsabilidades complexas, de ameaças atrozes. A sensação de altura aumenta a sensação de queda.

É preciso caminhar sempre, mas a jornada compete ao Espírito eterno, no terreno das conquistas interiores.

Muitas vezes, certas criaturas que se presumem nos mais altos pontos da viagem, para a Sabedoria Divina se encontram apenas paralisadas na contemplação de fogos-fátuos.

Que ninguém se engane nas estações de falso repouso.

Importa trabalhar, conhecer-se, iluminar-se e atender ao Cristo, diariamente. Para fixarmos semelhante lição em nós, temos nascido na Terra, partilhando-lhe as lutas, gastando-lhe os corpos e nela tornaremos a renascer.

 

 

Emmanuel/Chico Xavier
Livro: Pão Nosso

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

A PREGUIÇA


A preguiça é um grave defeito da vontade, caracterizando-se pela falta de impulso para o trabalho.

Muitos preguiçosos são francamente do “dolce far niente”. Sua filosofia é: “plantando, dá; não plantando, dão; então, não planto, não.”

.......

Jesus condena, com veemência, a ociosidade e a preguiça, ao mesmo tempo que exalta o espírito de trabalho, estimulando-o com reiteradas promessas de recompensa.

Haja vista a parábola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho, a dos dois filhos, a das dez virgens, a dos talentos, a do servo vigilante etc.

Não bastasse o testemunho de sua própria vida, que foi um belíssimo exemplo de trabalho, quer como humilde carpinteiro na oficina de José, quer como carinhoso médico dos enfermos e sofredores de todos os matizes, quer ainda como incansável arauto da Boa Nova, assim se expressou Ele certa vez: “Meu Pai até agora não cessa de trabalhar e eu obro também incessantemente.” (João, 5:7)

.......

A Doutrina Espírita, estendendo e aprofundando os ensinamentos evangélicos, adverte-nos que “cada um terá que dar contas da inutilidade voluntária de sua existência, inutilidade sempre fatal à felicidade futura”, e que, para garantir uma boa situação no mundo espiritual, “não basta que o homem não pratique o mal, cumprindo-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

Saibamos, portanto, aproveitar todos os instantes de nossa vida, empregando-os em alto útil, para que, ao se findarem nossos dias à face da Terra, possamos ser incluídos entre aqueles que as vozes do Céu proclamam bem-aventurados, “porque suas obras o acompanham” (Apoc., 14:13)

 


De “Páginas de Espiritismo Cristão”, de Rodolfo Calligaris

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

CONVITE DE AMIGO


Peçamos ao Divino Senhor o poder de amar sem reclamações;
de servir sem recompensa;
de compreender os outros sem exigir compreensão para nós;
de obedecer-lhe aos Sublimes Desígnios;
de vencer as próprias imperfeições;
de abençoar os que nos perseguem;
de orar pelos que nos ferem ou caluniam;
de amparar aos que nos critiquem;
de estimular o bem, onde o bem se encontre;
de praticar a fraternidade legítima
e de aproveitar todas as oportunidade que o tempo e a vida nos ofereçam para realizarmos o aprimoramento de nosso espírito imperecível.



(Francisco Cândido Xavier  por Emmanuel. In: Agora é o Tempo)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

ATITUDES ESSENCIAIS

  

“Qualquer que não tomar a sua cruz
e vier após mim, não pode ser
meu discípulo.” Jesus – LUCAS, 15:27

Neste passo do Novo Testamento, encontramos a verdadeira fórmula para o ingresso ao Sublime Discipulado.

“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo” – afirma-nos o Mestre.

 

Duas atitudes fundamentais recomenda-nos o Eterno Benfeitor se nos propomos desfrutar-lhes a intimidade – tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem perlustrar o caminho do Cristo, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem.

 

Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam agressivos e desditosos, espalhando desânimo azedume por onde passam.

 

Os segundos crêem respirar na senda do Cristo, mas abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se no escárnio e na leviandade, embora saibam interpretar as lições do Evangelho, apregoando-as com arrazoado enternecedor.

Uns se agarram à lamentação e ao aviltamento das horas.

Outros se cristalizam na ironia e na ociosidade, menosprezando os dons da vida.

 

Não nos esqueçamos, assim, de que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilando, com amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos a alcançar a comunhão com o Divino Mestre.

 

Não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento.

 

Nem basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos orienta o caminho.

 


 
Francisco Cândido Xavier por Emmanuel.
In: Palavras de Vida Eterna

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

NO SOLO DO ESPÍRITO



"E outra caiu em boa terra e deu fruto;
um a cem, outro a sessenta e outro a trinta"
– Jesus ( Mateus, 13:8)
 

Referindo-nos à parábola do semeador, narrada pelo Divino Mestre, lembremo-nos de que o campo da vida é assim como a terra comum.

Nele encontramos criaturas que expressam glebas espirituais de todos os tipos.

Homens-calhaus...

Homens-espinheiros...

Homens-milhafres...

Homens-parasitas...

Homens-charcos...

Homens-furnas...

Homens-superfícies...

Homens-obstáculos...

Homens-venenos...

Homens-palhas...

Homens-sorvedouros...

Homens-erosões...

Homens-abismos...

Mas surpreendemos também, com alegria, os homens-searas, aqueles que reunindo consigo o solo produtivo do caráter reto, a água pura dos sentimentos nobres, o adubo da abnegação, a charrua do esforço próprio e o suor do trabalho constante, sabem albergar as sementes divinas do conhecimento superior, produzindo as colheitas do bem para os semelhantes.

Reparemos a vasta paisagem que nos rodeia, através da meditação, e, com facilidade, por nossa atitude perante os outros, reconheceremos de pronto que espécie de terreno estamos sendo nós."

 



Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. Em: Palavras de Vida Eterna

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

VONTADE DIVINA


“E não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação do
vosso entendimento para que experimenteis
qual seja a boa, agradável e perfeita vontade
de Deus”.
– Paulo.(Romanos, 12:2.)
 

Expressa-se a Vontade de Deus pelas circunstâncias da existência; todavia, devemos apreendê-la na essência e no rumo, o que nos será claramente possível.

Não só pelos avisos religiosos que nos ajudam a procurá-la.

Nem pelos constrangimentos da Terra, que nos impelem a compromissos determinados.

Nem pelos preceitos sociais que nos resguardam em disciplina.

Nem pela voz dos amigos que nos apoiam a caminhada.

Nem pelos acicates da prova que nos corrigem os sentimentos.

A fé ilumina, o trabalho conquista, a regra aconselha, a afeição reconforta e o sofrimento reajusta; no entanto, para entender os Desígnios Divinos a nosso respeito, é imperioso renovar-nos em espírito, largando a hera do conformismo que se nos arraia no íntimo, alentada pelo adubo do hábito, em repetidas experiências no plano material.

Recebamos o auxílio edificante que o mundo nos ofereça, mas fujamos de contemporizar com os enganos do mundo, diligenciando burilar-nos cada vez mais, porque educação conosco é clarão no âmago da própria alma e por muito brilhemos por fora, no jogo das ocorrências temporárias da estância física, nada entenderemos da luz de Deus que nos sustenta a vida, sem luz em nós.

 


Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Palavras de Vida Eterna

COM JESUS

    A renúncia será um privilégio para você.      O sofrimento glorificará sua vida.      A prova dilatará seus poderes.      O trabalho ...